Quando consegui recobrar a consciência, vi estar rodeada de pessoas e estava num leito de hospital. Os meus pais choravam e ele, bem, estava com um semblante triste e que carregava muita culpa. Cheguei a sentir pena, mas repreendi-me no exato momento, pois ele não teve o mesmo sentimento por mim, há anos atrás.
Como se fosse uma bomba, todas as memórias daquele dia vieram sobre mim e a única pergunta que eu consegui fazer-lhe foi:
"Por quê?!"
Olhava profundamente nos seus olhos, a raiva consumiu-me e a única coisa que consegui fazer após isso, foi gritar e chorar. Precisava colocar os meus sentimentos para fora, ele precisava ver e sentir o ódio e a dor que sinti.Ele usou-me e descartou-me como se jogasse uma casca de banana no chão.
Ele não esboçou reação e ao menos uma palavra saiu da sua boca. Ele simplesmente saiu do quarto e seguiu o seu caminho.
A minha mãe, como sempre, chorava junto a mim e com certeza, sentia a minha dor. Naquele tempo, fomos somente nós duas por muitos dias, ela dormia e acordava comigo, chorando nos seus braços. Ela acompanhou e presenciou cada lágrima que derramei. Todos os dias em que recusava-me a comer, lá estava ela sentindo fome junto a mim. O meu pai não ficou sabendo de tudo, pedi-lhe que não relatasse a ele sobre isso, pois não queria ver mais uma pessoa sofrendo por minha causa.
Mesmo assim, nos dias em que o mesmo se encontrava em casa, pôde presenciar diversas crises de ansiedade das muitas que tive. Ele deu-me apoio, segurou as minhas mãos e sempre me passou segurança. Até que fui me recuperando. Fiz inúmeras sessões de terapia, frequentava até mesmo o psiquiatra, pois precisei de apoio com medicamentos. Cheguei a desenvolver borderline e, quando observo as marcas, arrependo-me de tê-las feito um dia. Sei que ele não merece.
Após alguns minutos nessa situação, o médico e um enfermeiro entraram na sala e aplicaram um remédio calmante na minha veia para que pudesse acalmar-me e então eu apaguei, a sensação era que eu estava flutuando, pois, a dosagem foi bastante forte, mediante a crise que tive.
Quando acordei, já era noite. Os meus pais estavam a dormir numa pequena poltrona, senti-me culpada por deixá-los nessa situação. Chorei mais uma vez por raiva sobre tudo o que havia acontecido.
Nesse momento, a minha mãe acordou, o meu anjo despertou, veio ao meu encontro e disse:
Marina: Querida, não chore mais, ele não merece as suas lágrimas. Eu e seu pai estaremos sempre juntos com você, em toda e qualquer situação. Mas não permita mais que isso lhe faça sofrer mais do que já fez. Você é forte e corajosa, essa situação deve ficar no passado.
Juliana: Eu sei, mãe. É que, é horrível vê-los assim, por minha causa, mais uma vez. Sinto-me culpada por sempre dificultar as coisas. Era para ser um dia perfeito, em família, estávamos todos felizes. Mas estraguei tudo novamente. Sou uma idiota, imprestável, que não consegue superar um passado tão distante. Essa história já passou, chega de sofrer por isso, não quero mais ter que passar por isso e colocar vocês nessas situações. Vocês são tudo o que eu tenho e vivo dando trabalho para vocês.
Marina: Você é tudo o que temos, filha e não há nada no mundo que me faça arrepender-me de ter vivido tudo isso com você. Estaremos com você sempre e em todos os momentos que mais precisar. Te amamos muito.
Juliana: Eu prometo, mãe, essa foi a última vez que isso aconteceu. Nunca mais irei chorar por esse motivo, nunca mais irei sofrer por isso e arrancarei ele do meu coração por completo.
Marina: Seja forte, minha filha. Estaremos com você sempre.
Dito isso, a porta é aberta e o Rodrigo passa por ela com um buquê de rosas, lindo! Eram brancas, as que mais gosto. Ele é muito carinhoso.
Rodrigo: Vim fazer uma entrega, mas acredito que errei de quarto. disseram-me ser para uma menina linda, mas só estou a ver uma muito feia com essa cara de choro...
Juliana: kkkkk Você me paga, Rodrigo! Feio é você. Já se olhou no espelho hoje?
Rodrigo: Como você está?
Juliana: Estou bem, ficarei melhor ainda quando puder sair daqui.
Rodrigo: Ele está lá fora, vi quando cheguei. Uma cara de cachorro que caiu da mudança...
Juliana: Não quero saber dele. A partir de hoje, ele não me afeta mais. Faço esse compromisso com vocês aqui e agora. Chega de sofrer por quem não me merece. Mas como você sabe quem é ele?
Rodrigo: Melhor deixar isso para lá...
Juliana: Não senhor. Você vai contar-me agora!
Rodrigo: Uma vez eu procurei no Instagram e encontrei, as informações batiam com o que você havia me contado, mas não tinha certeza e aí o vi agora na recepção e juntei uma coisa com a outra. Não poderia ser coincidência. O seu pai contou-me o motivo de estar aqui e pediu para que avisasse aos nossos amigos. Vim o mais rápido que consegui.
Juliana: Você é um ótimo amigo, Rô.
Rodrigo: Uma pena que sou só amigo...
Júlio: Quer morrer, rapaz?!
Rodrigo: 😳Desculpe, o senhor não estava a dormir?
Júlio: Estou muito consciente, isso sim!
Juliana: Pai, para com isso! Kkkk
Vai assustar ele.
Júlio: É brincadeira, Rodrigo. Sei que cuida muito bem dela. Sei o que fez por ela e ainda faz. Se essa moça não fosse tão complicada, formariam um belo casal.
Juliana: Pai, eu ainda estou aqui. O que é isso?! 😬
Júlio: Estou apenas falando a verdade.
Rodrigo: Está vendo, Ju?! O seu pai também concorda que seríamos um belo par... 😌
Juliana: Não fale besteiras, Rodrigo.
E assim o tempo foi passando, ficamos a conversar, rindo e brincando e já era como se nada houvesse acontecido no dia de hoje. Rodrigo, com suas palhaçadas, fez-me rir muito e esquecer do que havia passado há algumas horas.
De repente a porta é aberta novamente e a minha mãe passa por ela com uma bandeja cheia de comidas, pois já estava muito tarde e precisava comer.
Rodrigo, como um bom amigo, se ofereceu para pernoitar comigo e disse que logo pela manhã, quando eu recebesse alta, me levaria para casa. Os meus pais relutaram um pouco, não queriam deixar-me "sozinha", mas consegui convencê-los a irem descansar e eles foram.
Rodrigo dormiu no sofá e eu fiquei na maca, mas demorei a pegar no sono, pois fiquei a pensar em toda essa situação, desde anos atrás, até os dias atuais. Que vida!
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Atualizado até capítulo 81
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