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ATÉ ELE ME CHAMAR

Verão de 1980, um dia que até então estava calmo, o vento trazia a sua brisa e seu som romântico ao bater nas folhas, confesso que foi um dia que eu estava refletindo a minha demora, penso que ele não estava feliz comigo naquele dia, eu realmente estava muito a questionar a minha situação

Já era quase hora do astro-rei se por, pude ver de longe um casal se Aproximar, mas também de longe notei pairar um desentendimento um desconforto entre os dois, o nome do jovem era Augusto, jamais esqueceria esse nome, pois a bela Marieta não parava de dizer.

— Você não me ama mais augusto? Diga! Vejo nos seus olhos que você não me ama mais

O jovem Augusto acalmava a sua bela dizendo.

— Não meu amor, porque diz isso? Não fale assim

— Não minta para mim Augusto, você está a esconder algo? sinto você cada vez mais diferente, não pode ser neura minha, claro que não é, você está sim diferente, eu sinto

— Por favor não fale isso, você sabe que eu te amo, te amo com todas as minhas forças, de e um tempo para cá você está a falar isso diariamente, isso me deixa triste, fico triste porque não é verdade Marieta

Eles se aproximam até ficar juntinho de mim e logo senti-me envolvido em toda aquela pequena discussão, era claro que Marieta mostrava uma forma de possessão e no meu entendimento parecia ser isso que incomodava o jovem Augusto.

Mas minha amiga rosa que estava logo ao meu lado tratou de ajudar tudo se fazendo muito bonita e perceptível, como um verdadeiro romântico o jovem Augusto pegou a minha amiga rosa e deu para sua amada dizendo

— Eu te amo! Saiba que eu te amo, é a mulher mais importante da minha vida mas.....

Augusto estava a ir bem, mas ao terminar a sua frase com "mas“ deixou as coisas um pouquinho mais difíceis.

— O quê? O que quer dizer Augusto? O que significa esse teu "mas" mas o que? vamos diga, o que quer me dizer?

E mais uma vez o meu amigo vento trouxe uma inspiração, o vento trouxe o cheiro do mar, os bons fluidos para que aquele desentendimento acabasse.

— Meu amor! Sinta o cheiro do mar e relaxe! Vem cá dê-me um abraço, pare de pensar tanta besteira o "mas" que falei era justamente isso, quero você mais serena, mais tranquila não precisa duvidar do meu amor já lhe disse, é a mulher mais importante da minha vida, quero casar com você.

Eles colocam o rosto juntinhos um do outro e um beijo se aproxima, e a minha amiga natureza deu mais um empurrãozinho fazendo pousar no ombro de Marieta uma linda borboleta, e assim os dois beijaram-se findando o desentendimento.

E o amor continuou, dia após dia, eu adorava poder ajudar, passar bons fluídos, torcer, fazer de tudo para que as pessoas se sentissem bem, não nego, frustrava-me pois não sabia se aquilo seria eterno, se seria o céu, ou se é o céu, tenho muitas dúvidas até hoje, outro dia que lembro bem foi na primavera do ano seguinte

Era uma manhã de quinta-feira estava garoando como de costume em manhãs de primavera, eu admirava as lindas gaivotas no céu, foi quando vi nas areias da praia um jovem cabisbaixo que acabou chegando devagar

Seu passo descompassado mostrava o quanto seu pensamento estava disperso, estava confuso, olhava de um lado para o outro, parecia estar muito nervoso, era perceptível, vi que os seus olhos estavam marejados, eu me perguntava como poderia ajudar, como poderia aliviar a sua dor

Era um jovem que me parecia estar com o coração inquieto, percebi que a suas mãos estavam suadas, ele olhava o horizonte mar adentro, mas não dizia uma só palavra, estava tão triste que eu podia sentir o tremor do seu corpo.

Eu já estava angustiada sem poder ajudar o jovem que nem sabia o nome, mas de repente ele sussurrou.

— Não sei o que fazer para agradar Júlia, tudo o que faço ela não dá importância, penso que ela não me ama mais, mas porquê? Porquê? Faço tudo para agradar, onde estou a errar? A minha cabeça parece que vai explodir.

Descobri o seu nome na sua pulseira, o seu nome era Pérsio

Triste por pensar que o seu amor estava a se distanciar, ao longo de anos aqui no mesmo lugar sempre me deparo com desilusões amorosas e com a experiência que tenho posso afirmar que muitas vezes, na verdade na maioria das vezes é apenas uma impressão que elas mesmas criam e acabam por terminar as relações.

A insegurança traz com ela a desconfiança que acaba por sufocar tudo, e vejo que o jovem Pérsio começava a trilhar esse caminho, e se continuasse a pensar assim perderia o seu grande amor.

— Será que ela tem outra pessoa? Meu Deus, será que ela está-me traindo? Só pode ser isso, é a única explicação para tanta negativa.

Vi que o jovem Pérsio estava prestes a fazer uma grande besteira, mas não via jeito de ajudar o rapaz, aquele dia não foi nada fácil, eu queria muito ajudar, queria realmente ajudar, mas não via jeito, não via a possibilidade, o coração daquele jovem estava muito angustiado, estava muito machucado, o seu pensamento estava muito perdido, até pensei que não conseguiria ajudar, olhei pro céu e pedi para ele me ajudar, e claro, foi o que ele fez

— Olha! Um (beija) flor, Júlia adora beija-flor! Isso deve ser um sinal.

Como sempre, a mãe natureza ajudou-me na empreitada de espalhar o amor, juro que até o meu coração ficou leve naquele momento, eu estava realmente angustiada temia pelo pior daquele jovem

Mesmo querendo repousar a rosa-vermelha se abriu imponente e majestosa, era o que faltava, o empurrão que Pérsio precisava para não ter pensamentos negativos.

— Olha que linda rosa-vermelha acabou de se abrir, nossa que coisa estranha, até parece que a natureza está a me ajudar, se for é um bom sinal, vou levar essa rosa para Lúcia e parar de pensar em bobagens, sei que ela me ama.

O jovem Pérsio era uma pessoa amável, ficava claro o seu amor, pensava o porquê da dúvida de Lúcia, com certeza ela tinha um grande amor ao seu lado e era hora dela começar a dar valor

Assim o jovem Pérsio levou a rosa para sua amada, e eu aqui mais uma vez feliz vendo que mais dois corações iriam se alegrar com o fogo da paixão.

E o amor continuava, claro que eu ficava cada vez mais angustiada, sozinha, muito sozinha, eu sempre ali, claro perguntava-me o porquê dele não me chamar, era essa minha missão?

Me perguntava diariamente, tinha dúvidas, tinha mágoas comigo mesma, ficava a pensar porque eu a escolhida, logo eu que tive uma vida simplória e irresponsável, naquele mesmo ano teve outro caso curioso

Lembro como se fosse hoje, ventava e o frio era intenso, pensei que passaria o dia só, mas não

Mesmo com um breu muito intenso pude ver uma bela jovem se aproximar de longe, vi os seus olhos marejados, logo perguntei-me como uma jovem tão linda poderia sofrer por amor

Mas dessa vez eu estava errada, não era de amor que ela sofria, logo percebi quando ela se sentou, ela falava em voz alta.

— Porquê ela me bateu tanto, parece que ela me odeia, mas porquê? Eu nada fiz de mal.

Poucas vezes vi um semblante tão triste, era de doer o coração, uma angústia que tomou conta de mim, aquela moça não poderia sofrer tanto, vê-la daquela forma era cruel, ver aquele rosto tão quebrantado me machucou muito naquele dia

As marcas no seu braço confirmavam tudo, a linda jovem apanhou muito, uma coisa difícil de entender, pois, era visível que a jovem nutria um semblante calmo e manso.

Me deparei com um caso muito difícil, como eu poderia ajudar a jovem que estava com o seu coração tão quebrantado, mas nada que uma força positiva não ajudasse.

A jovem olhava o mar e via nele uma mansidão, foi no olhar dela que pude ver como ajudá-la, só com a cabeça fresca, com a cabeça no lugar ela poderia compreender a violência da sua mãe, se fosse violenta como ela, nada daria certo.

Confesso que nesse caso nada fiz, apenas observei e torci para que ela se acalmasse e foi o que gradativamente aconteceu.

— Nossa! Que paz, que energia boa, toda a minha raiva, se acalma vendo esse mar maravilhoso mesmo estando esse friozinho.

Bem devagar a jovem foi se acalmando e o inesperado aconteceu, em meio ao breu e ao frio, a mãe da bela jovem apareceu e também estava com os olhos marejados, ela sentou-se ao lado da filha dizendo.

— Filha me perdoe! Não merece nada de mau, não sei onde eu estava com a cabeça, é uma filha maravilhosa e não merece isso, por favor perdoe-me.

O amor de mãe e filha venceu, a bela jovem com o seu coração calmo e amoroso deu um forte e longo abraço na sua mãe, findando assim qualquer mágoa, qualquer tipo de rancor entre as duas, o sorriso em cada rosto dava o alívio esperado.

E mais uma vez o amor fez-se presente, e eu tendo mais uma oportunidade de participar desse maravilhoso momento.

E o amor continuou, mais e mais, para falar a verdade eu já estava a gostar da minha missão, depois desse dia não mais murmurei em pensamento

Falei de alguns dos muitos casos que presenciei estando aqui, e aqui era o lugar onde sempre me inspirei, aqui era o lugar de onde sempre vinha para refletir, para me inspirar, para pensar, posso dizer que aqui fui imensamente feliz.

Sim, neste lugar, olhando para o mar perguntava-me como seria bom viver um grande amor, um amor de aquecer o coração, de se fazer perder a respiração, mas não tive essa chance, não consegui encontrar a minha cara-metade

Agora vou-me apresentar, o meu nome é Sil, e não é meu corpo que está aqui, e sim a minha alma, morri aos 29 anos de complicações pulmonares, mas por algum motivo o criador ainda me deixou neste plano, talvez para contribuir, para ajudar o amor a se proliferar.

E permaneço aqui, neste velho banco de madeira onde fui feliz por muitos momentos nos meus pensamentos, e daqui dou a minha contribuição para o mundo até o criador chamar-me, chamado esse que sinto estar cada vez mais próximo, mas enquanto não chega

O amor continuou......

— Vem Sil, chegou a sua vez

Fim

Autor: João Damaceno Filho

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