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RELATO DE Costa Fiuza - via Facebook

“ Sou cuidadora de idosos e no início da minha carreira fui contratada para tomar conta de uma senhora bem velhinha.

O marido tinha morrido a pouco tempo e parecia que ela estava com depressão. Recusava a ideia de ser internada em um asilo.

Os filhos não davam a mínima para ela. Para que você tenha uma ideia, da preocupação dos filhos, que fui contratada por uma amiga da família.

Como eu tinha dito, havia acabado de me formar no curso, acho que na época eu tinha vinte anos. Não tinha experiência com nada, pois nunca havia trabalhado e estava muito ansiosa para começar. E esse foi um erro pois acabei me submetendo a muitos abusos.

Fui apresentada a idosa por essa amiga da família, que se chamava Sônia.

A idosa era muito simpática, apesar de não conseguir se mexer direito. Tentou me cumprimentar, mesmo não aguentando levantar as mãos. Me fez milhões de perguntas sobre minha vida. As coisas que eu gostava de fazer. Passamos toda tarde conversando.

A casa era um sobrado antigo, de dois andares. O quarto da idosa, que vou chamar de Maria, ficava no primeiro andar, ao lado da sala.

A casa tinha uma decoração estranha, móveis antigos, cortinas que impediam a luz do sol entrar. Parecia um mausoléu.

Fui apresentada a cozinheira que vinha uma vez por semana e deixava comida pronta por esse período. E dona Ana, que cuidava da limpeza de toda casa. Que trabalhava somente durante o dia.

Eu era a única que dormiria no trabalho. Meu quarto ficava no andar de cima.

De início o trabalho consistia em dar de comer, higiene e medicação.

Vou tentar resumir o máximo, aconteceram tantas coisas que poderia escrever um livro.

Uma semana depois que estava trabalhando, já estava adaptada e dona Maria conversava sobre tudo comigo, mostrando que tinha confiança no meu trabalho.

Ela me explicou sobre o episódio da morte do seu marido, tentando justificar porque tinha tantas fotos dele por toda casa. Na casa haviam varios quadros e todos eram fotos do marido.

Não estou exagerando, tinha foto do falecido na cozinha, na lavanderia e até no banheiro principal da casa.

Entendi o luto, mas parecia um pouco mórbido, usar o banheiro olhando pra cara do defunto.

Os dias foram se passando e a cozinheira não apareceu mais, então eu revezava com dona Ana para preparar as refeições.

Fomos avisadas que logo iriam encontrar uma substituta. Até lá poderíamos “quebrar esse galho”, ou seja, mais trabalho pelo mesmo salário. Depois de três dias dona Ana também não apareceu mais.

Então você já pode imaginar minha situação. Cozinhando, limpando e ainda cuidando da idosa. Que reclamava pois eu estava muito ausente. Sendo que ela sabia que eu estava ocupada com as tarefas da casa não eram minha obrigação.

Em um dia, no qual mais tive trabalho, terminei de limpar a cozinha por volta das 01:00 da madrugada. Passei na frente do quarto dela.

Algo me chamou atenção, como se pedisse que olhasse para dentro. Quando virei, tive a impressão de ter visto uma sombra negra deitado sobre o corpo da pobre velha. Acendi rápido as luzes e não havia nada.

Dona Maria estava com os olhos abertos me olhando fixamente. Ficamos nos olhando por alguns segundos em silêncio. Desliguei as luzes e lhe desejei boa noite. Deitei na cama e fiquei pensando no que havia acabado de acontecer. Estava tão cansada que estava vendo coisas? E porque Dona Maria estava me olhando daquele jeito, pensei que estava dormindo.

Perdida nesses pensamentos peguei no sono. Os dias foram passando e eu continuava acumulando funções, na verdade cada dia havia mais trabalho.

Tentei ligar algumas vezes para a mulher que me contratou. Mas ela estava sempre ocupada. Para você ter uma ideia ela colocava o meu salário em um envolope na caixa do correio. Eu não tinha mais folgas, pois não havia com quem deixar a idosa.

No dia seguinte eu estava dando banho em dona Maria e fui até seu quarto buscar uma toalha e na prateleira de baixo encontrei uma caixa com varios desenhos estranhos do lado de fora, algo que nunca vi igual até hoje, vários símbolos.

Movida pela curiosidade eu abrir a caixa e dentro haviam varias fotos, dentre elas, as fotos da cozinheira e da Dona Ana, a empregada.

Em baixo delas havia a minha foto, o mais estranho é que não foi uma foto que eu entreguei. Era uma foto minha limpando a casa. Isso me deixou muito incomodada, pois quem havia tirado aquela foto? E porque estavam todas aquelas fotos na caixa com símbolos estranhos?

- “Encontrou o que estava procurando? “

falou a voz rouca de dona Maria atrás de mim.

Meu coração naquele momento parou de bater por uns segundos.

Fechei a caixa e peguei a toalha.

Quando virei tentei disfarçar a surpresa. A velha estava nua em pé na porta do quarto. Até aquele momento eu não sabia que ela podia andar. Todo esse tempo fiquei carregando ela praticamente nas costas.

- “A senhora veio até aqui andando? Poderia se machucar”

eu falava enquanto a enrolava na toalha.

Ela apenas deu um sorriso enquanto me olhando fixamente. Eu diria que até de uma maneira cinica. Com o sorriso discreto no canto da boca.

Após o jantar, desliguei todas as luzes e fui dormir. Depois de algumas horas, acho que o relógio na parede marcava algo em torno das 3:00 da madrugada. Acordei com uma música de piano ecoando pela casa. A música ficava alta e depois baixava. Sincronizadamente.

Levantei em um pulo, poderia ser Dona Maria colocando algum disco velho para tocar. Fiquei com medo que ao tentar andar ela caísse e se machucasse.

Com aquela barulheira poderia acordar os vizinhos e chamarem a polícia.

Atravessei o corredor e desci as escadas de madeira que rangiam a cada degrau. O som ficava cada vez mais alto.

Mas quando cheguei na sala, estava em total silêncio. Fui verificar a vitrola. Sim, naquela casa tinha uma vitrola velha e milhões de discos antigos.

Pensei em voltar para cama, mas fui até o quarto de Dona Maria só para saber se estava tudo bem.

Vi uma luz estranha saindo do quarto dela que iluminava parte do corredor. Como se tivessem velas acesas dentro do quarto.

Andei na ponta dos pés, encostava na parede para não ser vista. Escutei uns sussurros como uma reza, só que eram varias vozes.

Queria saber o que aquela velha estava fazendo.

Olhei para dentro do quarto e a cena parecia tirada de um filme de terror.

Dona Maria estava deitada na cama e ao seu redor tinha varias pessoas com velas na mão. A primeira coisa que pensei que iriam matá-la. Algum ritual.

Eu tinha que fazer algo pra ajudar, mas eram muitos e mais fortes que eu. Então pensei em voltar pra sala e usar o telefone pra chamar a polícia.

Duas mãos grandes me agarraram pelos braços. Quando virei, quase desmaiei de tanto medo. Era o marido falecido dela. Quer dizer não falecido, pois estava bem vivo e tinha uma força que parecia que iria quebrar meus ossos.

Se eu não reagisse, ali mesmo seria o meu fim. Dei um joelhada no saco do velho, mas mirei errado e acertei sua barriga. Ele me largou e eu cair com tudo chão.

Subi as escadas correndo e me tranquei no quarto.

Ouvir muitos passos lá fora e começaram a forçar a porta. Coloquei a cômoda contra a porta na tentativa de bloquear a passagem ou atrasar eles.

Do lado de fora eles batiam com tanta força que uma hora a porta não iria aguentar.

Eu precisei pensar rápido, não podia chamar a polícia, pois os telefones ficavam na sala e na cozinha, todos no andar de baixo.

Aquelas coisas lá fora, chamo de coisas, porque eles não falavam, eles gritavam e rosnavam. Como animais furiosos. Chutavam e esmurravam a porta com tanta violência, que eu nem queria saber o que poderiam fazer comigo.

A única saída seria pular pela janela. Uma queda de mais de seis metros. Ou isso, ou ficar lá e pagar para ver.

Abri a janela e pulei, tentei agarrar no telhado, mas tudo veio a baixo comigo. Com isso todo bairro deveria ter acordado.

Sai correndo sem rumo. Eu tinha saído tão poucas vezes daquela casa que eu nem lembrava o caminho de volta. As casas vizinhas estavam com as luzes todas apagadas.

O tempo que fiquei naquela casa, nunca cheguei a ver nenhum vizinho. Talvez todas aquelas casas estavam vazias.

Quando amanheceu consegui pegar um ônibus e ir para casa.

Minha mãe perguntou se algo de errado havia acontecido para eu estar naquelas condições.

Eu estava em choque, por mais que eu tentasse não saía uma palavra.

Ela me entregou um envelope e disse que logo cedo haviam deixado na porta para mim.

Quando abri tinha dinheiro, aliás bastante dinheiro e uma papel que dizia:

“Sabemos onde você mora e se não quiser receber nossa visita, melhor esquecer o que aconteceu.”

Acabei indo parar no hospital pois havia fraturado duas costelas por causa da queda. Contei tudo aos meus pais e como a casa era alugada, decidimos nos mudar e não tocamos mais no assunto.

Esse foi o meu primeiro e único emprego, até meus pais falecerem. Acabei usando todos meus conhecimentos para cuidar deles dois. Hoje voltei a trabalhar normalmente, só que dessa vez com mais experiência.”

VEJA TAMBEM ESSE VIDEO PARA DAR AQUELA FORÇA

RITUAL DE INVOCAÇÃO DO HOMEM VERMELHO #invocação #viral #video

https://www.youtube.com/watch?v\=YmInNqAtczU&t\=20s

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