Olavo já estava cansado de quase todas as noites ver e ouvir a mesma cena........
Trimmmmmmm (00:05)
"Vou fechar os meus olhos por cinco minutos, tenho que relaxar para não fazer uma besteira"
O cafetão batia nela com tanta, mas tanta raiva que Olavo tinha os piores pensamentos naquele momento
A garota de programa se chamava Bebel, era impossível não lembrar do nome, ele ouvia todas as noites os clientes chamarem aquela que era com certeza a preferida, o cafetão tinha a alcunha de grandão, o apelido não fazia jus ao idiota que na verdade não tinha mais que 1,70 de altura
Era impossível Olavo não se sensibilizar com as agressões, ele morava num quarto de aluguel, e a sua janela dava justamente pro fundo da “boate”, e era no fundo da “boate” que rolavam as drogas e a prostituição, era tudo muito louco, tais acontecimentos teriam mais sentido na frente da “boate”, não nos fundos
Ele até dava espiadelas pela janela do seu quarto, Bebel era bonita, pequena, de seios fartos, cabelos negros e curtos, pernas torneadas e um sedutor jeito de andar, Olavo poderia já estar a nutrir algo de especial pela garota de programa
Era um sábado e estava a chover, o idiota grandão estava visivelmente embriagado, já passava das 00:00 e Olavo acabara de chegar do seu trabalho de controlador de acesso do frigorífico, os gritos fizeram ele olhar pela janela
Era grandão batendo em Bebel, ele gritava que não ia dar dinheiro há ela, Olavo tentou virar o rosto e deixar aquela cena para trás, ela era garota de programa, ele era o seu cafetão, estava tudo no seu lugar, mas não ele não suportou ver Bebel jogada no chão, na poça d'água no fundo da “boate”
Loucura, ele nunca entrara na ‘boate’, na verdade ele evitava passar na frente do local, e agora estava com sangue nos olhos por alguém que sequer conhecia
Com as mãos tremendo de raiva foi até a cozinha, abriu a gaveta do armário e fez uma coisa nada prudente, nada sensata, na verdade fez uma idiotice
O dia seguinte era sua folga, Olavo era um cara que se preocupava excessivamente com horário, se tivesse sido escalado para trabalhar com certeza não cometeria tal burrice, desceu apressado, passou pelo vigia da rua que vendo a movimentação perguntou
— O que foi Olavo? Diferente, nunca te vi na rua nessas horas, tá tudo bem amigo?
— Ta! Porquê não estaria?
Olavo era bem quisto pelos moradores do edifício, pelos vizinhos e até pelo vigia da rua, que logo percebeu algo de errado
É porque são 00:50, estranhei, vejo que não sai essas horas, mas enfim, tome cuidado
Olavo não deu muita atenção pro vigia, estava nervoso, estava com raiva, mas o que ele podia fazer, da gaveta da sua cozinha até a esquina onde estava a distância percorrida não passava de 300 metros, ele sabia que o certo era dar meia volta e acabar com aquela loucura, mas não, era surreal, Olavo tinha como o seu norte sempre parar, fechar os seus olhos, marcar 5 minutos para refletir e só depois agir, porque foi tão imprudente naquela noite?
Continuou, seguiu, e de longe viu que nem grandão e nem Bebel estavam nos fundos da boate, era mais um sinal de que deveria acabar com tudo aquilo, mas a percepção, a razão estava longe de Olavo, ele estava com uma arma branca na cintura, tentar entrar na “boate” seria loucura, poderia ser preso, mas ele seguiu
Olhou pros lados e notou a degradação da sua vizinhança, eram garotas de programa, garotos de programa
Os bares estavam cheios, o cheiro de cigarro e maconha e de promiscuidade pairavam no ar, no fundo ele sabia que uma pitada de degradação na sua vida ia-lhe fazer bem, ele chega meio sem jeito na frente da “boate”
— Ei, seu segurança, quero entrar, quanto custa?
O segurança que mais parecia feito de pedra olhou Olavo dos pés a cabeça, sabia que ele não frequentava a ‘boate’ e que provavelmente jamais teria frequentado uma, o segurança ironicamente disse
— Vai lá branquelo, não precisa pagar nada, vai se divertir um pouco
Olavo entrou sem ser revistado, ouvindo as gargalhadas dos seguranças, notaram que Olavo era um estranho no ninho
O ambiente era escuro, esfumaçado, o embaraçar de fragrâncias de perfumes baratos eram de dar enjoo, era tudo novo para Olavo, nunca entrara numa ‘boate’ e ele estava ali no meio da perdição sem nem saber porque
Ele estava ouriçado, mulheres de pernas grossas, seios fartos, olhos chamativos por todos os lados, ele era simples, se vestia de forma simples, falava de forma simples, andava de forma simples ( risos ) enfim, era um cara meio boco moco
Por alguns segundos voltou a racionalidade se virando para ir embora, mas deu de cara com Bebel, e se ele tinha alguma dúvida sobre alguma atração pela profissional do sexo, a dúvida caiu por terra totalmente
Estava ali na sua frente Bebel com uma visível mancha de lama na mini saia branca, a sujeira da saia também estava na sua dignidade que mesmo após ter apanhado ainda estava ali
Olavo sabia o quanto estava a ser tolo, mas os tolos também tem vontades e a dele era estar ali naquele momento
Foi pro bar da ‘boate’ e pediu uma água com gás, claro que o seu pedido causou estranheza em todos que estavam por perto, água com gás em meio a efervescência putana da ‘boate’ com certeza não combinava, se sentou e logo ouviu um
— Oi! É a primeira vez que vem aqui? O gatão quer me pagar um martini?
Olavo olhou e sim! Era ela, Bebel, ali na sua frente, o seu olhar vadio inspirou automaticamente o agora enfeitiçado
— O gatão é mudo? Não vai falar nada?
Ficava evidente o seu mal jeito com mulheres, o seu jeito tímido e atabalhoado
— Não! Não sou mudo não, o que foi que você me pediu?
— Um martini gatão, e aí? Vai pagar?
A putana Bebel era profissional, Olavo era um ............ Sei lá, um ingênuo, um quase idiota, ela viu aquele rapaz simples na sua frente e viu nele uma forma de se aproveitar
Realmente era uma loucura, ele estava ali para ajudá-la, saiu do seu quarto para ajudá-la porque viu ela apanhando, em subversão da cena ela agora queria se aproveitar dele, pelo seu jeito pelo seu rosto, pelo seu olhar, pelo seu sorriso ingênuo
Mesmo sem chão, mesmo desconfortável com aquela situação, pagou o martini para garota de programa Bebel, e ela ficou ali tomando o martini sempre provocando Olavo, passava os beiços na ponta do copo, rodopiava a língua por dentro do copo, era uma boca carnuda, uma língua grossa
Ela era incrivelmente sedutora, ele estava em total frenesi, ali na frente da putana no meio da “boate”, no meio da promiscuidade, notou que grandão estava a observá-los, não estava com cara de bravo, não esboçou nenhum tipo de reação, apenas estava a observar
Estava ali com a mini saia suja de barro, o seu cruzar de pernas deixava Olavo com os olhos penetrar, adentrar a sua calcinha de cor azul clara, ele estava completamente louco de tesão
Claro que tudo aquilo era um jogo de cartas marcadas, não demorou muito tempo para grandão se aproximar e bater o pé no chão dizendo
— E aí branquelo! Vai fazer o programa ou não vai? Essa daí já me deu muito prejuízo hoje, não tenho tempo a perder, se não quiser essa daí, te trago outra, mas não fica a enrolar não cara, fui claro?
Nojento, era vomitativo o jeito que ele falava de Bebel, sim ele era seu dono, era inegável o quanto ela era ordinária, o idiota estava há tratando como um lixo e ela não dando a mínima
Olavo sem chão, sem jeito se levantou do banco do bar e sem dizer uma palavra foi em direção da porta de saída, a ficha caiu tardiamente mas, caiu
Idiota, estúpido, inocente, besta, paspalho, ele em pensamento ficou se odiando copiosamente, mas logo após sair da boate escutou um .....
— Ei branquelo! Tá maluco mané, que porra é essa cara, tu sai assim sem falar nada, a puta é minha e só para conversar com ela tu tens que pagar, vai, dá logo o dinheiro
Uma aglomeração fez-se na frente da ‘boate’, grandão falou de forma incisiva, e pior, Bebel estava com os seus braços entrelaçados no pescoço do cara que tinha-lhe feito de pano de chão minutos atrás
— E aí otário! Cadê o meu dinheiro?
Olavo foi em direção dos dois com sangue nos olhos, com o diabo no corpo
— Não cara! Que isso! Para ......... Socorro, para cara, para que isso, aí, me ajudem ele está-me esfaqueando, socorro
— Não, me deixa em paz, não........ Ele é o culpado, não me mate
Olavo sacou a faca que estava na sua cintura e como um maníaco sedento por sangue esfaqueou os dois até a morte
A cena era sirene policial se aproximando, aglomeração ao redor dos corpos de grandão e Bebel na calçada em frente a “boate”, poça de sangue e faca suja caída no chão
Ele corre....... Vê um clarão
Trimmmmmmmmmmm (00:10)
— Ainda bem que reflito sempre cinco minutos antes de agir, pensando bem seria uma tolice ir até lá, ela é garota de programa, ele é cafetão, e eu não tenho nada com isso, quer saber, vou fazer o meu café
Olavo marcou 5 minutos no seu relógio, refletiu e viu que seria uma estupidez ir até lá, Bebel não passava de uma putana, e grandão não passava de um idiota
Ele chega na cozinha e toma um susto
— Meu Deus do céu, que faca cheia de sangue é essa?
Fim
Texto de: João Damaceno Filho
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Atualizado até capítulo 41
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