Capítulo 5

Antes do conde fazer com que Evelyn enviasse uma carta de desculpas, a condessa chegou à mansão Caruso, pedindo para ver Evelyn.

— Eu trouxe alguns remédios que ajudam a saúde e gostaria de poder entregá-los.

— Não precisava se incomodar, foi apenas um resfriado leve, mas para evitar que piore, preferimos que ela não saísse.

— Então deveria ter enviado um mensageiro, em vez disso, tive a desagradável surpresa de ver a filha de sua amante — expressa com irritação.

— Ela é minha esposa, a condessa, deixou de ser amante, madame. Acreditou que era o melhor, Alondra apenas foi dar a mensagem, mas como é uma criança, ficou emocionada e não soube o que fazer — se desculpa.

— Por isso enviem um mensageiro e não uma criança ignorante.

O conde não ousava contradizer a duquesa, fazê-lo seria ofender o duque e é a última coisa que deseja. Ao perceber que a duquesa está impaciente, envia uma donzela para guiá-la até a residência de Evelyn, Leonor observa que o jardim da albina estava mal cuidado, até mesmo não havia guardas nem outras donzelas ali.

— O conde sempre deixa sua filha tão desleixada? — pergunta à donzela.

— Não, claro que não... os servos estão descansando...

— Pelo visto, descansam muito...

Ao chegar, é Lily quem as atende e, ao ver de quem se trata, imediatamente vai em busca de Evelyn, a duquesa é conduzida à sala pela outra donzela e oferece algo para servir, enquanto Evelyn desce, já haviam lhe servido chá e alguns doces.

Evelyn já sabia que teria visitas, então a duquesa não precisou esperar tanto, Evelyn se apresenta diante dela com uma reverência perfeita.

— Que visita inesperada. Lamento não ter conseguido comparecer ao encontro, a condessa... — ela se interrompe e prefere se sentar.

— A condessa o quê? Fale, Lady Evelyn...

— Ela disse que Alondra estava mais qualificada para ir, eu juro que não queria faltar, me perdoe.

Evelyn faz uma expressão triste e se curva como um pedido, mas a duquesa a segura pelos ombros e pede que levante a cabeça.

— Não é culpa sua, minha pequena. Fique tranquila, meu esposo já apresentou sua queixa, da próxima vez eu mesma virei pessoalmente buscá-la.

— Muito obrigada, duquesa, você é tão gentil e compreensiva — suspira aliviada.

— É o mínimo que posso fazer pela filha da minha grande amiga.— A duquesa não hesitou em contar um pouco sobre Ophelia e como elas se conheceram, além de como ela era corajosa. Mais tarde, quando a duquesa foi embora, o conde a chamou.

— Espero que você não tenha falado nada desnecessário.

— Não, pai, só me desculpei com ela por não ter podido comparecer, ela entendeu, mas disse que falaria com o duque, pois não concordava com o que a condessa fez.

— O que você está dizendo? Você sabe o que isso significa? Se eu fizer feio com o duque...— ele bate com força na mesa.

— Não é minha culpa, pai, eu não poderia desobedecer à condessa...

— Retire-se...

Evelyn sai, enquanto o conde continua furioso. Se não fosse pela imprudência de Martha, nada disso estaria acontecendo. Ele espera que, com o castigo imposto, ela aprenda a não fazer nada sem sua permissão. No quarto, ambas as mulheres estavam apavoradas. A noite anterior foi difícil de dormir por causa daquela sombra e logo já estaria escurecendo novamente. Ambas estavam com medo de que algo acontecesse de novo, e sim, assim que todos foram dormir, essa mesma sombra voltou para assombrá-las. Evelyn estava escondida por perto, ouvindo seus gritos, o que a fez sorrir. Torturá-las dessa forma era melhor do que causar-lhes dor física.

E assim a semana passou. Quando o conde deu permissão para liberá-las, ambas saíram apressadas dali. Seus rostos estavam com grandes olheiras, e a condessa estava com os cabelos em desalinho e as unhas machucadas de tanto arranhar a porta enquanto implorava para ser libertada. Alondra estava igualmente abalada, mal conseguia falar. O conde ficou surpreso ao vê-las tão debilitadas, não percebeu que o castigo havia lhes causado tanto dano.

— Eu a vi... era ela, ela me culpa pela sua morte... é ela...— ela se agarra ao braço do conde.

— Do que você está falando? Vá tomar um banho, você está fedendo.

— Estou falando de Ophelia, ela nos atormentou em nosso confinamento.

— Pai, é verdade, foi horrível, aquela sombra não nos deixava durante as noites.

O conde se afasta e ordena às donzelas que as levem para tomar banho. Ambas ainda pareciam perturbadas, mas pelo menos estavam livres daquele quarto horrível, e o que elas dizem é ilógico. Depois de tomarem banho, Martha segue para seu quarto.

— Mãe, e se essa coisa nos seguir? Não quero ficar sozinha...— ela se agarra ao vestido da mãe.

— Não... não é possível...

— Mãe, não quero estar sozinha.

Martha sabe que essa coisa pode segui-las para fora daquele quarto, então decide ficar com Alondra. Durante o jantar, o conde faz questão de deixar claro que espera que, com esse castigo, elas aprendam a se comportar, pois a duquesa estava muito irritada e isso poderia afetá-lo, já que o duque é um homem ligado à esposa e, se ela disser que ele não deve fazer negócios com ele, o duque com certeza ouvirá sua esposa.

— E espero que você não diga mais nenhuma besteira, achei que você fosse uma mulher mais inteligente.— ele reclama.

— Peço desculpas por tudo, não acontecerá novamente.

Não quer voltar para aquele quarto asqueroso, ainda mais sabendo o que a espera. À noite, Martha decide dormir no quarto de sua filha, com a desculpa de que Alondra ainda está assustada com o confinamento. Ambas temem que aquela coisa as tenha seguido, então passam a noite sem dormir, mas nada aparece. E assim as noites passaram, até que tudo ficou tranquilo, e elas acreditam que não serão mais atormentadas.

A normalidade voltou, é claro, Evelyn está apenas deixando-as em paz por enquanto, ela não fará mais nada. Seria tão fácil acabar com eles, mas o problema é que, sendo uma criança, ela ficaria sob os cuidados dos parentes do conde, o que não é conveniente. Se ela também os matar, seria suspeito que apenas ela sobrevivesse a uma matança ou um acidente.

Evelyn estava no jardim quando vê Alondra se aproximando, usando um vestido novo, não havia dúvida sobre isso.

— Do que adianta a duquesa Smirnova te tratar bem, você ainda é um lixo.

— Suas palavras não me afetam, mesmo que você vista os vestidos mais chamativos, a duquesa nunca pedirá sua mão para o filho dela.— ela sorri com deboche.

—  Achas isso? Eu sou mais bonita do que você. Quando me conhecer melhor, vai perceber que quem vale sou eu.

—  Bem, veremos então. —  Evelyn se levanta, não pretende continuar ali, a presença daquela criança é bastante irritante.

Alondra tenta segui-la, mas algo a prende e ela cai. Ao olhar para trás, percebe que sua própria sombra segura seu tornozelo e mostra um sorriso com dentes afiados, diante disso, a menina se levanta. Evelyn sorri com o que aconteceu, observando Alondra fugir.

—  Coitadinha, desde pequena sua mãe apodreceu a mente dela.

Assim, todos nessa família estão em sua lista negra. Novamente chega o convite para um encontro com a rainha, então o conde ordena que desta vez Evelyn deva ir, mas não esperava que fosse a própria duquesa quem fosse buscá-la.

—  Assim não haverá problemas, correto?

—  Claro que não, Evelyn estará aqui em breve, se quiser entrar... —

acrescenta o conde.

—  Não é necessário. E condessa, espero que da próxima vez envie apenas um mensageiro se lady Evelyn não estiver disponível.

Com certeza, não voltará a acontecer. —

Martha faz uma reverência, mas aperta as mãos em seu vestido.

Evelyn não demora a chegar e faz uma reverência para cumprimentar a duquesa, que pode perceber que o vestido que a menina usa é bastante simples e antigo, mas por enquanto não dirá nada. Ordena ao cocheiro ajudar Evelyn a subir, a duquesa se despede e entra, enquanto a condessa se afasta furiosa, se essa criança não existisse, sua Alondra seria quem estaria agora conhecendo a rainha, tendo maiores oportunidades.

No palácio, a rainha Verônica, ao ver Evelyn, saúda-a, fazendo uma reverência perfeita para ela. Verônica sorri diante de sua educação.

—  Saudações à mãe do reino, sua majestade a rainha.

—  Saudações, lady Evelyn. Olhe para você, tão bonita quanto sua mãe. —  Verônica se inclina segurando o rosto de Evelyn para observá-la, a menina era a viva imagem de sua mãe. —  Você me lembra tanto Ophelia quando era criança.

—  Sério? Espero que Sua Majestade possa me falar um pouco mais de minha mãe. —

menciona emocionada.

As damas lhes servem chá e doces, enquanto as três se sentam, a rainha e a duquesa falam um pouco sobre sua mãe.

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Comments

Souza França

Souza França

como a mãe da Evelyn casou com um lixo desse!??

2024-03-02

2

Souza França

Souza França

sem dúvida, o psicológico é fatal 🤣🤣🤣🤣

2024-03-02

0

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