Eu estava colhendo amoras selvagens quando um dos meus irmãos veio em minha direção aos prantos, em seus olhos havia dor e sofrimento ele estava apavorado, suas mãos trêmulas ele já estava rouco de tanto gritar por mim quando eu o vi algo dentro de mim só gritava corre, rápido você precisa ir, eu larguei a cesta com amoras e corri o sol estava se pondo lá no fundo a escuridão corria atrás de mim, abraçando a floresta ao chegar na frente de casa meus pés pararam eu congelei eu sentia a brisa fria passando pelo meu corpo eu podia escutar os choros dos meus irmãos meu pai saia da casa com o corpo coberto de sangue ele parecia um zumbi andando sem direção, ele parecia atordoado eu já sabia oque eu ia encontra. Ao entrar pela quela porta eu só queria evitar o inevitável aos poucos meus pés foram se movendo eu caminhava lentamente o mundo parecia em silêncio eu só podia ouvir o som do meu coração batendo tão forte que parecia que iria rasgar o meu peito, eu consegui passar pela porta nossa casa era minúscula com apenas três cômodos eu passei pela sala e já fui entrando no quarto minha mãe, ela estava deitada sobre lençóis velhos ela estava pálida e seus lábios roxos, ela usava um vestido branco que estava manchado de sangue o sangue estava fresco eu podia sentir aquele odor parecia estar grudando no meu corpo ao seu lado tinha um médico ele se levantou e disse algumas palavras que eu não consigo lembrar eu só lembro da sua expressão em seu rosto antes dele sair eu peguei em seu braço e puxei.
- e o bebê ?
- sinto muito o cordão umbilical estava enroscado em seu pescoço e devido ao sangramento sua mãe veio a falecer.
- porque você não fez nada?
- eu sinto muito, não tinha nada que eu pudesse fazer, sua mãe estava desnutrida, não tinha forças
- mentira, isso é mentira
eu me ajoelhei ao seu lado peguei em seu rosto ele ainda estava quente.
- ela tá viva ainda, por favor salva minha mãe ( em lamento )
eu me ajoelhei nos pés do médico e implorei e implorei pedindo por ajuda, ele apenas saiu eu me voltei pra minha mãe, segurando eu limpei o suor de seu rosto, deitado ao seu lado estava um pequena criatura tão minúscula tão inocente morto ele estava nú e todo sujo de sangue eu peguei uma toalha, uma bacia com água e comecei a limpar o sangue dele, minha mãe tinha costurado uma roupinha para o bebê então eu o vesti deixei ele do jeito que mamãe tinha planejado, minha mãe mesmo na pobreza sempre foi vaidosa e tenho certeza que ela queria parti minimamente decente eu troquei seu vestido, penteei e fiz uma trança em seus cabelos eu passei a noite toda preparando eles pela manhã meus pai já tinha aberto uma cova eu não quis ficar pra ver então saí cambaleando pela floresta eu cheguei a beira de um lago e olhei meu reflexo eu tinha sangue no meu rosto e nas minhas mãos, eu tentei me lavar mas aquele sangue não saia quanto mais eu esfregava mais sangue aparecia eu estava fedendo a sangue minhas roupas impregnadas de sangue eu sentia a morte me rondar, eu rasguei minhas roupas e entrei na água dei um mergulho e toda aquela água transparente se transformou em sangue.
eu escutava ao fundo alguém me chamando
Amélia, Amélia acorda e só um pesadelo
eu acordei aos prantos chorando, Max estava ao lado da minha cama me sacudindo chamando por mim.
- Amélia fica calma, você estava gritando e chorando, tá tudo bem? Eu tô aqui.
eu o agarrei e chorei em seu ombro por horas ele ficou todo tempo me consolando.
- eu tô aqui com você, tá tudo bem!
- tinha muito sangue, não saia de mim o cheiro
ele segurou minha cabeça e olhou em meus olhos
- calma, olha aqui pra mim respira fundo...
eu fui me acalmando lentamente respirando fundo as vezes eu tinha esses sonhos relembrando aquele dia horrível.
- eu vou fazer um leite quente pra você
- não, não me deixe aqui sozinha
- vem me dê sua mão eu vou ficar só seu lado o tempo todo.
eu segurei na sua mão bem forte andamos até a cozinha ele tentou preparar o leite porém com uma mão ficava muito difícil ele soltou minha mão e me fez segurar na sua camisa.
- viu assim tá melhor você não sai de perto de mim e eu consigo fazer o seu leite.
eu fiquei literalmente grudado nas suas costas, ele esquentou o leite e me deu.
- você precisa soltar minha camisa pra pegar o copo.
- eu não quero
- ok então
ele colocou o copo sobre a mesa, me pegou no colo e me colocou sentada sobre a mesa eu ainda estava segurando sua camisa ele me ajudou a tomar o leite dando na minha boca ele limpava as lágrimas do meu rosto depôs que eu tomei todo o leite ele me carregou até o seu quarto eu nunca tinha entrado lá nem deu pra prestar atenção direito, ele me deitou na cama e me cobriu com um lençol.
- você pode dormir, eu vou ficar aqui do seu lado
- promete que não vai sair daqui
ele acenou a cabeça dando sinal de sim, ele passava a mão no meu cabelo fazendo carinho eu lentamente fui caindo no sono e ao seu lado. Eu dormi tranquilamente o resto da noite toda até o dia amanhecer. Quando eu abri os olhos o Max ainda estava lá segurando a minha mão,ele dormiu sentado ao meu lado eu fiquei parada o observando por um tempo quando ele começou a se mexer acordando, eu fingi que ainda dormia eu senti ele se mechendo e com uma das suas mãos ele fez carinho no meu rosto eu fiquei com vergonha de abrir meus olhos ele se aproximou do meu rosto eu sentia a respiração dele no meu rosto e se ele me beija-se? seria o meu primeiro beijo eu fiquei muito nervosa porém me preparei pro beijo ele continuou se aproximando.
- eu sei que você tá acordada
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Atualizado até capítulo 20
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