Heloisa

Desde que saí da empresa Olinder, onde me rebaixaram de administrador para uma reles secretária de um setor subalterno, perdi a casa onde morava e fui buscar emprego em outras empresas e cidades.

Descobri da forma mais cruel que nenhum outro patrão trata os funcionários como família. Nem mesmo a multinacional da capital, da qual a empresa Olinder é apenas uma filial. Todos os trabalhadores, não importa de qual setor ou escalão, precisam arcar com as despesas de aluguel, transporte e alimentação.

Na empresa Olinder, tinha casa de graça, comida de graça no almoço, um salário suficiente para bancar as minhas necessidades. E joguei tudo fora, pois fiquei com raiva da nova administradora, que logo de cara, conquistou o chefe bonitão.

Menti descaradamente para todos eles, que não fui no primeiro final de semana na casa do chefe, por estar cuidando da minha mãe hospitalizada. Depois ainda menti mais ainda, dizendo que a minha mãe já estava em casa e tinha sido um susto apenas.

Fugi de tudo e de todos. Passei um mês fora, desfrutando de férias no Caribe. Voltei mais amarga e azeda do que antes das férias. Todos já sabiam da minha mentira. Eu não precisava mais usar a máscara da boa moça.

Critiquei o trabalho de todos, incluindo o Antônio, meu chefe imediato. Por sorte não esbarrei na songa monga da Helena. Como uma forasteira conseguiu fazer o grande CEO cair por ela logo de cara? Eu vinha tentando há anos conquistar o solteiro mais cobiçado da cidade. E ele nunca nem sequer olhou para mim.

No dia seguinte, ela apareceu no trabalho. A desculpa era que a filha tinha adoecido. Em nossas mesas, toneladas de lixo para conferir. Formaram duplas. Eu fiquei com o Augusto, um paspalho que era casado com uma cobra e tinha uma filha pequena. A Helena fez par com Hélio, que eu considerava um amigo, mas ele me decepcionou.

Antônio ficou de supervisor. Dava orientação, conferia os dados depois de tudo resolvido. Não era trabalho para a administração. Era trabalho subalterno. Eu fingia que estava sem entender direito o que era para fazer e enrolei ao máximo e quando o expediente acabou, não tinha terminado nem a primeira pilha de 10 papéis. Todos os outros deram conta do tal trabalho, menos eu.

Saí sem falar nada. Como se fosse superior a todos eles. Nunca imaginei que essa minha atitude selaria a minha carreira e a minha vida. Antônio no almoço falou com o chefe bonitão que tinha assuntos pendentes e queria uma reunião urgente na manhã seguinte. Era o meu fim.

No dia seguinte, quando entrei na empresa, avisaram que eu deveria ir para o RH. Estranhei, mas fui. A chata da Ruth ofereceu um cargo de secretária do chefe do almoxarifado. Eu, Heloisa, linda e loira, trabalhando em um cargo subalterno? Nunca! Jamais! Em nenhuma hipótese ou circunstância aceitaria ser rebaixada dentro da empresa.

Tinha uma longa lista de contatos de empresas que já haviam tentado me contratar. Decidi que iria encontrar outra empresa. Deram um prazo de uma semana para desocupar a casa onde morava.

Tudo bem. Tinha uma semana para encontrar um novo emprego e mudar para outra casa grátis. Mas como eu estava enganada. Nenhuma das empresas que antes queriam o meu trabalho, queria-me agora que saí da empresa Olinder. E batendo cabeça atrás de emprego, descobri que ninguém mais oferece casas gratuitas. Apenas a empresa Olinder.

Nos dias que seguiram, fui de cidade em cidade, de empresa em empresa e não consegui nada. Só frustração.

Um dia antes do previsto para entregar a casa, voltei na empresa Olinder para esmolar um prazo maior para sair. O ônibus me deixou na porta da creche. Vi quando o carro do Heitor, motorista da empresa, chegou para buscar Carolina, a pirralha da Helena. Ouvi quando ele falou que Helena estava cuidando dos preparativos para o casamento.

Ele seguiu com a criança para dentro da empresa. Depois pude observar que Helena vinha com a pirralha e Heitor. Ele entrou no carro com a menina e eu ataquei Helena, não apenas com palavras baixas, xingamento e muito mais, porém, também agredi a mulher com tapas.

Ela parecia uma figura de gelo. Não brigou ou gritou comigo. Apenas disse coisas que mexeram fundo em mim.

Já estava perdendo a cabeça. Eu tinha tomado umas boas doses antes de vir, para ter coragem para tanta humilhação que precisava passar.

Vi o chefe bonitão chegando com alguns seguranças. Ele mandou um deles tirar do estacionamento e deu um ultimato. Teria que sair da casa ainda hoje. Mandou um segurança para acompanhar e jogar minhas coisas na rua.

Eu cavei a minha própria sepultura. Tinha um emprego maravilhoso, colegas que pareciam gostar de mim, morava bem, em uma casa grande e bem localizada, sem pagar nada por ela, exceto conta de luz e água. Agora tinha um segurança no meu encalço para tirar as coisas da casa.

Eu queria mais prazo, acabei metendo os pés pelas mãos. Fui escorraçada por Charles e não consegui ficar na casa nem um dia. O segurança tirou tudo de dentro da casa, apagou as luzes, trancou tudo e acabou me levando para um hotelzinho fuleiro.

Não pude recusar ou reclamar. Eu estava na pior mesmo. Sem emprego, sem casa e sem amigos.

Heloisa: Obrigada por cuidar de mim e não me deixar na rua.

Segurança: Esse hotel é da minha tia Amélia. Ela vai cuidar de você até conseguir um emprego. Ela é irmã da minha mãe. Minha mãe trabalhou aqui até morrer há dois anos. Minha tia é viúva. O marido dela era proprietário do prédio.

Heloisa: Qual o seu nome? Vou rezar por você e sua família.

Segurança: Meu nome é Manuel Santos. Obrigado pela oração. Sempre é muito bem vinda.

Heloisa: Santos também? Eu me chamo Heloisa Silva dos Santos.

Manuel: Coincidência?! Talvez sejamos parentes distantes.

Heloisa: Minha mãe não falava muito sobre o meu pai. Não sei nada da história dele ou da família.

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Comments

odia Costa

odia Costa

Vixi esse segurança vai ajudar ela aff

2024-04-25

1

odia Costa

odia Costa

Esse segurança não sabe a onde vai entra

2023-12-24

2

Maria Izabel

Maria Izabel

a cobra armando o bote 🐍🐍🤬

2023-12-10

1

Ver todos
Capítulos
1 Ganhar ou perder?
2 Humberto
3 Treinamento
4 A chegada de Carolina
5 Os jogos
6 Conversando com Heitor
7 Humberto novamente
8 Cuidando de Carolina
9 Falando sobre maus tratos
10 Mais um dia de treinamento
11 Visitando o Bisavô
12 Heloisa
13 Augusto e família
14 A surpresa
15 Chegando ao hotel
16 A manhã da final
17 Isso é final de campeonato
18 A comemoração no ar
19 Uma semana de trabalho
20 Final de semana animado
21 Final de semana animado 2, só que não
22 Após o almoço
23 Jogos e jogadores
24 Jantar e cinema
25 A reforma
26 Segundo desmaio
27 Os traumas de Helena
28 A consulta
29 A descoberta
30 A Psicóloga
31 O início do tratamento
32 Os traumas de Heloisa
33 Uma biblioteca em casa
34 O início da obra
35 Depois do passeio
36 Sabrina e Bianca
37 Um novo dia
38 Hélio
39 No hospital
40 A notícia
41 A obra e a caminhada
42 Antônio
43 A visita
44 Visitando Hélio
45 A carência de Charles
46 Após o almoço
47 Antônio e Lúcia
48 Antônio e Lúcia 2
49 Antônio e Lúcia 3
50 Antônio e Lúcia 4
51 Continuando a conversa
52 Agora os três irmãos
53 Antônio e Lúcia 5
54 Antônio e Lúcia 6
55 Em casa
56 Mais um dia no hospital
57 Outro dia no trabalho
58 Visitas
59 Equipe de atendimento
60 Ainda com a equipe
61 E a conversa continua
62 Augusto e Bianca
63 Augusto e Bianca 2
64 Augusto e Bianca 3
65 Outro dia
66 Outro dia 2
67 Outro dia 3
68 Continuando a conversa
69 Helena e Antônio
70 Helena e Antônio 2
71 Indo para casa
72 Trinta entrevistas - Helena
73 De trinta para setenta e dois?
74 Consulta de Carolina
75 Aniversário do Sênior
76 Algum tempo depois
77 Mais um fim de semana
78 Continuando o fim de semana
79 Campeonato Sul Americano
80 Final ou até o próximo?
Capítulos

Atualizado até capítulo 80

1
Ganhar ou perder?
2
Humberto
3
Treinamento
4
A chegada de Carolina
5
Os jogos
6
Conversando com Heitor
7
Humberto novamente
8
Cuidando de Carolina
9
Falando sobre maus tratos
10
Mais um dia de treinamento
11
Visitando o Bisavô
12
Heloisa
13
Augusto e família
14
A surpresa
15
Chegando ao hotel
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A manhã da final
17
Isso é final de campeonato
18
A comemoração no ar
19
Uma semana de trabalho
20
Final de semana animado
21
Final de semana animado 2, só que não
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Após o almoço
23
Jogos e jogadores
24
Jantar e cinema
25
A reforma
26
Segundo desmaio
27
Os traumas de Helena
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A consulta
29
A descoberta
30
A Psicóloga
31
O início do tratamento
32
Os traumas de Heloisa
33
Uma biblioteca em casa
34
O início da obra
35
Depois do passeio
36
Sabrina e Bianca
37
Um novo dia
38
Hélio
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No hospital
40
A notícia
41
A obra e a caminhada
42
Antônio
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A carência de Charles
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Após o almoço
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73
De trinta para setenta e dois?
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Consulta de Carolina
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Aniversário do Sênior
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