Ambos estavam tão focados no jogo que nem perceberam a hora passar.
Heitor foi buscar Carolina na creche. Eles já o conheciam e Carolina também.
Carolina: Dia, Tô.
Heitor: Boa tarde, Carolina! Está bem?
Carolina: Bem, Tô.
Heitor não se importava de Carolina não o chamar de tio. A criança acostumada a ouvir todos chamando-o de Heitor, então ele era o Tô.
Chegando em casa, nem o pai ou a mãe estavam esperando por Carolina. Miranda recebeu a criança e foi com a pequena em busca dos pais esquecidos.
Na sala de jogos, estavam os dois com fones de ouvido, completamente mergulhados no jogo. Carolina começou a tentar sair dos braços de Miranda. Queria o pai. Miranda ficou na frente dos monitores. Os dois pausaram o jogo e foram dar atenção para a criança que chegou em casa. Desceram juntos para a sala. Heitor estava aguardando as orientações dos próximos dias.
Charles: Desculpa por não estar presente na hora que ela chegou. Esquecemos do tempo. Essa semana não iremos trabalhar. Eu e Helena iremos levar Carolina para a creche, mas precisamos que você vá buscar. Todos já o conhecem e ela também está acostumada. Vamos aproveitar a semana para Helena treinar todos os dias nos novos jogos. Domingo será a final do campeonato.
Heitor: Por mim, tudo bem. Essa pequena é que é a questão. Quase derrubou a casa quando não os viu ao chegar.
Helena: Vou colocar um alarme, quando for a hora amanhã estaremos aqui esperando por ela. Desculpe o transtorno.
Carolina: Papa, mama, dia!
Heitor: Ela ainda não aprendeu a falar boa tarde. Ficou no bom dia, mesmo.
Charles: Lancha conosco? Estamos com os horários todos errados hoje. Amanhã iremos resolver isso.
Heitor: Hoje, não. Mas amanhã venho com Manuela e, aí, podemos lanchar juntos. Até amanhã.
Helena: Obrigada! E desculpe a nossa falha.
Heitor se foi e Helena foi com Charles e Carolina para a cozinha. Helena deu uma fruta para Carolina e os dois lancharam um pouco, para não perderem o apetite da janta.
Helena subiu com Carolina e deu banho, trocou de roupa e descerem para a brinquedoteca. Helena e Charles sentaram no chão com Carolina para brincar. O local era uma grande sala com o piso coberto por tapetes emborrachado com letras e números, nas mais diversas cores. Helena e Charles estavam ensinando o alfabeto e os números para Carolina.
A criança ainda apresentava dificuldades em articular as sílabas e formar palavras. Helena já tinha conversado com a fonoaudióloga da creche e também a psicóloga. Isso sem falar no tratamento dos traumas de Carolina.
Desde o casamento, ela não teve o pesadelo recorrente. Pai e mãe estavam sempre presentes e por perto. Também tinha o avô Jr. e o Bisavô no asilo. Isso sem contar com os fins de semana com os tios.
Carolina era uma criança amada e amável. Na creche ela gostava muito de fazer carinho nos amigos.
Carolina se auto intitulava de Ina. Principalmente quando era abraço de urso.
Helena, Charles e todos da casa, procuravam não falar em linguagem infantil para ajudar Carolina com a fala.
Antes do jantar, Jr. veio passar o relatório do dia. Brincou bastante com a neta. Deu o jantar dela e ficou com a pequena até que a bateria finalmente acabou. Carolina dormiu nos braços do avô. Vô uja, como ela sempre dizia. Para alegria de Charles, Carolina esqueceu o adjetivo babão.
Helena subiu com Carolina. Trocou a fralda e a roupa para dormir. Colocou no berço. Ficou admirando. Sua pequena já não precisava mais dela na madrugada.
Desceu e viu Charles e Jr. conversando sobre a empresa. Jr. estava admirado com as melhorias feitas por seu filho em poucos anos. Algumas eram ainda mais recentes, com meses.
Jr: Foi sua a ideia do corredor ligando a creche ao interior da empresa?
Helena: Infelizmente, não. Foi a ex esposa do Augusto que deu a ideia.
Jr: Eles separaram mesmo? Que coisa! E a criança?
Helena: Pelo que sei, ele paga pensão para Bianca, mas não quer contato com a Sabrina.
Jr: Que pena! Ele parecia gostar muito da criança.
Charles: A pobre criança está sendo moldada pela mãe, que diga-se de passagem, não vale nada.
Helena: Apesar do Augusto amar a criança, a mãe o afastou de tudo bem antes da separação.
Charles: Talvez ela esteja esperando o pai biológico sair da prisão e assumir a filha dele. Tem mulher que nem perdendo, enxerga o erro que cometeu.
Helena: Pobre criança! Que destino a espera. Na creche ela fica isolada das crianças, para não machucar ninguém e não terem mais pais reclamando. Muito triste a situação.
Charles: Eu não posso fazer mais nada. Já contratei duas cuidadoras para Bianca, mas ela só pode ir brincar quando não tem criança no parquinho. Também não posso colocar a integridade física de outras crianças em risco.
Helena: E pelo que eu soube, isso ocorre desde que Bianca começou a nascer os dentes. Falta de um mordedor de gel, que coloca na geladeira e diminui a agonia da criança para morder.
Charles: E teria muita coisa que a mãe poderia fazer a respeito, antes que se agravasse. Ela preferiu deixar acontecer.
Helena: Vamos mudar de assunto. Estou ficando deprimida com isso. Não podemos fazer nada efetivamente. Cabe a mãe levar a filha para um tratamento.
Jr: Quantos jogos já deram conta?
Helena: Estávamos no terceiro quando Carolina chegou. Queremos visitar o Sênior no sábado. Tem como adiantar nossa visita?
Jr: Eu aviso na sexta. Ele vai estar pronto no sábado. Eu percebi que quando falo sobre isso com ele na véspera, mesmo que esteja sem reconhecimento, no dia seguinte acorda pronto para receber a família. E só esquece depois que dorme. Passa o dia inteiro lúcido.
Charles: A família é algo muito importante para ele. Nunca vai saber que o tio Hugo e a família faleceram. Sempre irá pensar que são ingratos por não procurarem por ele. Você soube controlar muito bem a situação daquela primeira vez.
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Atualizado até capítulo 80
Comments
odia Costa
😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍
2024-04-25
1
odia Costa
Helena sempre vai anja de todos
2023-12-24
2
odia Costa
Eu acho que o bisavô não tem essa doença
2023-08-26
1