Capítulo 02

A velha senhora finalmente termina de observar a xícara de café, então ergue seus olhos e encara Aurora.

- Vejo que você é uma jovem de sorte, seu destino mudará muito em breve! Vejo um buquê, isso indica muitas alegrias no casamento, ou com amizades. Vejo também, um grande castelo, o que indica felicidade no amor, têm ainda, pequenos círculos, indicando casamento muito, mas muito próximo, e por último, vejo também um cadeado, indicando mudanças de cidade, e talvez o mais importante, vejo linhas curvas, que indicam sérias dificuldades futuras, deve ficar muito atenta, pois isso pode custar sua vida.

- Eu não sei se acredito nessas coisas!

- Não estou pedindo que acredite, minha jovem! A fiz vir até aqui porque precisava a avisar que seu destino mudará num piscar de olhos! Esteja atenta, e não deixe seu futuro escorrer de suas mãos. Um dia se lembrará de mim, e verá que tenho razão. E mais uma vez, lembre-se: Cuidado! Nunca subestime ninguém.

Aurora sai da loja de doces turcos, sem comprar nenhum figo, pois ficara tão impactada com aquelas palavras, que mesmo que fosse cética e não acreditasse em nada, havia ficado mexida, mas ao mesmo tempo, o que em sua vida completamente comum, poderia mudar? Casamento? Nem namorado tinha! Mudança de cidade? Ainda era impossível, pois estava quase terminando a faculdade e o estágio, mas sobre dificuldades futuras, talvez fosse a única coisa que fazia sentido, pois todos passam por dificuldades em algum momento da vida.

Ao encontrar com Beatriz, ela esquece completamente do que acabara de acontecer, pois não iria levar à sério os delírios de alguém que acha que vê o futuro em uma borra de café, não queria ser preconceituosa com a tradição alheia, mas qual era a chance de aquilo tudo ser verdade?

O dia da festa à fantasia chega, Bia estava mais eufórica do que nunca, o tempo todo falava sobre as pessoas importantes e ricas que encontrariam lá. Aurora ouvia tudo, mas sem muita emoção, pois pessoas ricas ou importantes não chamavam sua atenção, a não ser quando era alguém relevante, e que ela sabia que renderia uma boa matéria jornalística, do contrário, não se sentia atraída por pessoas ricas.

Faltava pouco mais de uma hora para saírem de seu pequeno apartamento, Bia já havia se arrumado impecavelmente, e não parava de se admirar no espelho, pois a fantasia de Cleópatra moldava as curvas de seu corpo o deixando muito insinuante.

- Estou muito bonita, não estou, Aurora?

- Está sim, Bia! Essa fantasia deixou seu corpo muito bonito.

- Quem sabe hoje, não seja meu dia de sorte, e eu não vá encontrar meu príncipe encantado? Já imaginou se algum ricaço se apaixona por mim?

- Vou torcer por você, Bia, assim você para de se envolver com homens que não te levam a sério, mas acho que está na hora de me arrumar, falta pouco tempo até sairmos!

- Ainda não consigo acreditar que você escolheu essa fantasia, definitivamente nenhum homem vai olhar para você vestida desse jeito!

- E quem disse que eu quero que algum homem me olhe? No momento, minha única preocupação, é com meu trabalho e nada mais, não vejo a hora de deixar de ser estagiária e finalmente trabalhar em alguma grande redação de revista, ou jornal, ou então, quem sabe ir para frente das câmeras? Agora deixe eu me arrumar, pois sairemos em breve.

Aurora vai até seu quarto e pega sua fantasia, a olhava de um jeito divertido, e tinha certeza que naquela noite, se divertiria bastante. Ela se arruma em pouco tempo, pois sua fantasia não era nada complexa, ou cheia de detalhes. Assim que sai do quarto, encontra Bia andando de um lado para o outro na pequena sala do apartamento à sua espera, e no momento em que coloca seus olhos em Aurora, não consegue conter o riso. As duas riam abertamente, chegava a sair lágrimas de seus olhos.

- Aurora, eu retiro tudo o que disse sobre essa fantasia, agora olhando para você, acho que você atrairá muitos olhares!

- Acho que dessa vez, nenhum bêbado chegará perto de mim! Se quiser, podemos ir, eu estou pronta.

- Ótimo! Você pegou seus documentos, não pegou? Como eu ganhei os ingressos, exigiram que eu apresentasse os documentos na recepção, por medida de segurança, então, não se esqueça deles, talvez tenhamos que assinar alguma coisa.

- Não se preocupe, eu estou com eles bem aqui debaixo dessa fantasia!

- Perfeito! Podemos ir, Aurora?

As duas saem do apartamento e se dirigem à portaria do pequeno prédio, pois esperavam por um táxi. O caminho até o salão do luxuoso hotel, havia sido um tanto quanto divertido, pois o motorista o tempo todo olhava pelo retrovisor e tentava ao máximo segurar o riso. Assim que pisam no saguão do luxuoso hotel, se dirigem à recepção afim de confirmarem que Bia era a ganhadora dos dois convites.

Enquanto acertavam tudo na recepção, as duas notam as fantasias dos convidados, pois a todo momento passavam por elas, mulheres e homens muito elegantes, eram fantasias de rainhas, princesas e duquesas, enquanto as duas, vestiam fantasias sem glamour algum.

- E eu achando que estava arrasando vestida de Cleópatra, olhe essas fantasias! Aurora do céu, acho que vamos passar vergonha! – Cochichava baixinho.

- Agora não tem mais o que fazer, já que estamos aqui, vamos aproveitar! A propósito, preciso muito fazer xixi!

- Justo agora, Aurora?

- O que eu posso fazer? Não estava com vontade antes, mas agora me deu vontade. Eu não posso mais esperar, Bia.

- Está bem, deixe pelo menos pegarmos as credenciais, assim enquanto você vai ao banheiro, eu entro, ou precisa que eu te ajude a tirar essa fantasia para usar o banheiro?

- Não se preocupe, eu dou um jeito sozinha.

Em poucos minutos, a recepcionista libera a entrada das duas. Bia vai imediatamente procurar a porta do luxuoso salão, uma vez que o hotel era enorme e elas não sabiam exatamente em qual salão era a festa, enquanto isso, Aurora corria apressada pelo grande saguão do hotel, em busca do banheiro mais próximo. Ela então, finalmente o encontra e entra apressada, e no mesmo instante que observa a porta de uma das cabines, se arrepende por ter escolhido uma fantasia um tanto quanto volumosa para vestir, com toda certeza, seria bem trabalhoso tirar aquela fantasia, só esperava que não fizesse xixi antes do tempo.

Finalmente, depois de muito “lutar” com a fantasia, ela consegue retirar, sentia um profundo alívio ao ter conseguido se segurar. Cerca de vinte minutos depois, o que parecia uma eternidade, ela sai do banheiro e vai em direção ao salão de festas. Ela observava tudo encantada, pois era um lugar extremamente suntuoso, tinha um cheiro que ela não conseguia explicar, mas era absurdamente bom. O saguão era repleto de portas, e ela simplesmente não fazia ideia de qual delas, era a da festa à fantasia. Ela estava parada no meio do saguão enquanto algumas pessoas passavam por ela com ar de deboche, o que não a incomodava, pois estava ciente do tipo de fantasia que havia escolhido.

Aurora estava pronta para perguntar na recepção qual era o salão da festa, quando avista um homem grande e sério abrindo e fechando uma porta, ela então deduz que se tratava daquela porta. Aurora caminha lentamente até lá e cumprimenta o segurança.

- Olá, senhor! Poderia por gentileza me deixar entrar?

- Não, senhora. Não será possível, o evento já começou há algum tempo e ninguém mais entra ou sai.

- Mas eu tenho a credencial, espere um momento, vou pegar aqui dentro da minha fantasia.

- Não será necessário, senhora. Não vai entrar.

- Ora! Mas eu tenho o direito de entrar! Eu vou chamar a segurança!

- EU, sou o segurança.

Aurora o olhava com raiva, era um absurdo ter ganhado a credencial, e ser impedida de entrar na festa, e para piorar, havia esquecido seu celular em seu apartamento, o que a impedia de ligar para Bia a encontrar no saguão e a ajudar entrar. Ela então, percebe que não teria jeito, não conseguiria entrar de forma alguma.

Aurora se afasta por um momento e caminha em direção à recepção, tentaria resolver o assunto antes de desistir definitivamente. Ela mal dá três passos, quando o segurança sai da frente da porta e vai em direção à um outro homem, ela então, anda o mais rápido que pode, pois não conseguia correr, aproveita o descuido do homem e entra pela porta. Ela tinha um largo sorriso em seus lábios, pois se sentia orgulhosa de ter sido ágil e entrado finalmente no salão de festas.

Seu sorriso morre, no instante em que ela fecha a porta atrás dela, pois centenas de belas mulheres a encaravam com ar de deboche. No mesmo instante em que ela havia entrado no saguão, os músicos haviam parado de tocar, o silêncio era geral, ela não sabia o que fazer, mas de uma coisa ela tinha certeza: Aquela não era a festa à fantasia que ela tinha a credencial, só restava descobrir, onde estava.

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Comments

Mariaadriana Silva

Mariaadriana Silva

aí autora mostra a fantasia dela vai ! será que é de odalisca 🤔

2025-03-17

2

Aline Moura

Aline Moura

De fato, eu também não acredito.

2025-03-20

0

Eliana Santos

Eliana Santos

Queria fotos
E que fantasia é essa?

2025-01-19

0

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