Zoe volta a sua atenção para o chefe e pergunta:
— O senhor quer um copo d’água?
— Estou bem, Zoe. Obrigado. — Oliver a responde educadamente.
Helena fica curiosa e Zoe mostra o rostinho dela para Oliver. Os olhos de Helena tão radiantes deixa Oliver perdido.
— Os olhos dela... É tão incomum. — Oliver balbucia.
— Verdade. Ela possui traços genéticos tanto meus como do pai dela, infelizmente, mas ela é o meu tesouro mais valioso... Helena, esse é o senhor Oliver Gautier e senhor Gautier, essa é a minha filha Helena. — Zoe os apresenta e Oliver esboça um sorriso tímido pela atitude da jovem mãe.
— Prazer, Helena. — Oliver diz e aperta a mão de Helena recebendo um lindo sorriso em retribuição.
Nesse momento Oliver sente o seu peito apertar. Recorda do filho falecido que era tão sorridente e um lágrima escapa dos seus olhos. Oliver se recompõe e pergunta curioso:
— Onde está o pai de Helena, Zoe?
— Não sei, senhor Gautier. Tem relacionamentos que não rompem, amores que só uma pessoa cultiva quando se está com outra... E esse é o meu caso. — Zoe explica com meias palavras e desvia o olhar encarando a filha.
— Você é muito misteriosa, Zoe. — Oliver comenta e Zoe replica sorridente:
— E o senhor é muito perspicaz.
— Acredito que você sofreu bastante com o pai de Helena e não quer que eu saiba, não é isso? — Oliver insiste.
— É uma história que não gosto de compartilhar... — Zoe responde amistosa.
— Tudo bem. Entendo o seu lado. Ver você com essa fofura me fez recordar do meu filho Sebastian. Ele tinha os olhos radiantes como os da sua filha, mas totalmente azuis como os meus. Sofro diariamente com a morte dele, bem como da minha esposa. — Oliver relata e Zoe complementa tristonha:
— Realmente é muito difícil conviver com a perda de quem amamos...
— Você fala como se já tivesse perdido pessoas importantes. Sente-se, Zoe. Ainda não conversamos sobre os seus deveres. — Oliver comunica.
— Eu perdi os meus pais, senhor. E quanto aos meus deveres, bem... Como vê eu sou mãe solteira. Eu vim aqui na expectativa de me tornar uma simples assistente e sonhava com a probabilidade de trabalhar em home office... — Zoe pronuncia porém Oliver a interrompe, questionando-a:
— Aonde quer chegar com isso, Zoe? Eu julguei que o motivo pelo qual você falou ter vindo até aqui fosse os benefícios de carreira, mas agora constato que falava pela sua filha. Vai desistir agora?
— A questão não é que eu queira desistir, senhor. Eu entendo a responsabilidade que esse cargo exige, além de disponibilidade de tempo, não estou dizendo que eu não sou responsável, mas com uma bebê não poderei cumprir todas as minhas obrigações. O senhor como CEO tem sempre viagens de negócios, festas para marcar presença e necessita de uma secretária que atenda esses requisitos... — Zoe responde convincente.
— Como eu disse, eu preciso de alguém competente ao meu lado... Uma secretária que saiba analisar um projeto e avaliar seus pontos fortes e fracos, bem como pôr em prática suas ideias, como você fez. Em qual Universidade estudou? Ou ainda estuda? — Oliver interroga.
— Tenho capacidade intelectual e produtiva, mas não adquiri esse conhecimento em uma Universidade. Ainda não cursei uma faculdade, mas já fui aprovada, é claro. — Zoe expõe.
— Sério? Quantos anos você tem? — Oliver questiona interessado.
— Dezoito anos, senhor. Em breve completarei dezenove, mas já me responsabilizo civilmente pelos meus atos desde os dezessete anos. — Zoe informa convencida.
— Você me parece muito madura, apesar da sua idade. O que eu tenho para te dizer é... Independente de você conseguir me acompanhar em certas reuniões, ou não, isso não vai te desqualificar para o cargo. Vamos fazer um teste e ver até onde você consegue chegar. E ainda... Você tem uma aura, não sei explicar, mas você traz paz... Então eu quero que permaneça ao meu lado. Só preciso esclarecer três regras... — Oliver relata e Zoe arregala os olhos desacreditada. Nunca pensou que após ouvir da parte dela sua idade e o fato de ter uma criança que Oliver iria admiti-la e então questiona:
— Quais são essas regras?
— A primeira, nunca entre na minha sala sem bater e anunciar sua entrada. A segunda, nunca traga café ou me pergunte se quero café e a terceira, é... Nunca, jamais deixe o trabalho pela metade. — Oliver ditas as regras e Zoe assegura firmemente:
— Parece plausível essas exigências, senhor. Mas afirmo que eu sou do tipo que não gosta de deixar para o amanhã o que eu tenho e posso fazer no dia do hoje. Se essas são as regras eu poderei executá-las com eficiência. No entanto, como o senhor vê... Estou com a minha filha agora, minha tia foi hospitalizada e eu não tenho com quem deixá-la... Se preferir posso retornar amanhã para iniciar o trabalho.
— Não tenho tempo para esperar, Zoe. — Oliver declara e se levanta e pergunta: — Sua filha é do tipo calma ou agitada?
Zoe olha confusa para o chefe e se levanta também.
— Vamos! Temos muita coisa para pôr em ordem. — Oliver diz e segura a mão de Zoe novamente.
— O senhor continua tremendo. Tem certeza de que está bem? — Zoe observa ao sentir a mão de Oliver tremer.
— Estou. — Oliver mente e depois indaga: — Como sabia que eu estava com a intenção de quebrar as janelas e me atirar?
— Pressenti. Eu presenciei minha prima, irmã de Sarah, a que trouxe Helena, quase concretizando o ato. Ela tinha picos bem fortes de suas crises e chorava muito, às vezes gritava e o pior é que ela não se abria com ninguém... Ela tentou se suicidar umas três vezes e a tia estava lá para impedir, no entanto, na quarta... Ela escreveu uma carta enorme contando tudo e quando a encontramos ela já estava morta. Aquele foi um dia terrível! Minha prima relatou que era abusada sexualmente pelo padrasto e depois pelo cunhado, namorado de Sarah... E para completar eles a fizeram vender a casa que os pais delas deixaram de herança... Desculpe, isso é algo bem pessoal, talvez não queria saber de tantos detalhes. — Zoe narra e Oliver comenta:
— História triste... Eu também não me conformo com...
— Bom dia, senhor Gautier! — Um homem da entrada da porta solta um pigarreio e saúda Oliver o interrompendo.
— Bom dia, George! — Oliver diz indiferente.
Zoe olha para o homem e sente nojo dele. Oliver percebe o semblante de Zoe mudar e pergunta:
— Já se conheciam?
— Não, senhor. — George o responde sem graça temendo que Zoe o dedurasse.
— Senhor, vamos? — Zoe chama Oliver.
— Vamos, Zoe. — Oliver concorda e os dois saem da sala de George.
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Atualizado até capítulo 94
Comments
Anatrix0509
escroto
2025-01-04
1
Elis Alves
Será o pai ou o avô da Helena?
2024-09-28
0
Stela Bergo
mto bom. 🌹
2024-09-08
0