Capítulo 20

(Pov: Leah)

A brisa do mar acariciava minha pele enquanto eu me deixava envolver pelo som das ondas que quebravam suavemente na praia. Era uma sensação familiar e reconfortante, como uma velha amiga que eu não via há muito tempo. Olhei para o horizonte, onde o céu se encontrava com o mar, e por um momento, tudo parecia em paz.

Estávamos na casa de praia de Lana, um refúgio distante do tumulto da cidade e de tudo o que havíamos enfrentado. Esta casa tinha sido um lugar especial para nós, um pedaço de paraíso onde podíamos ser simplesmente nós mesmas, sem as pressões e expectativas do mundo exterior. Era um lugar que guardava memórias de risos, amor e sonhos compartilhados, e agora, era também um lugar de cura.

Era difícil acreditar que já tinham se passado alguns meses desde que voltei para casa. Cada dia desde então tinha sido uma bênção, uma prova de que a vida pode ser incrivelmente frágil e, ao mesmo tempo, cheia de possibilidades. Embora eu ainda estivesse em processo de recuperação, cercada por uma montanha de terapias e check-ups médicos, esses dias na casa de praia eram como um bálsamo para a alma.

Lana estava dentro da casa, preparando algo na cozinha. O cheiro de café recém-passado misturava-se com o aroma salgado do mar, criando uma mistura que eu associava com segurança e aconchego. Ela sempre soube como me mimar, como criar um ambiente onde eu pudesse me sentir amada e protegida. Mas hoje, enquanto eu olhava para as ondas, sentia um nó no estômago, uma mistura de gratidão profunda e um vestígio de culpa que eu sabia que Lana também carregava.

Levantei-me da espreguiçadeira e caminhei de volta para a casa, os pés afundando levemente na areia macia. Quando entrei, vi Lana na cozinha, seus movimentos graciosos enquanto preparava duas xícaras de café. Ela estava concentrada, mas quando ouviu meus passos, olhou para mim e sorriu. Aquele sorriso que sempre foi capaz de aquecer meu coração, mesmo nos momentos mais sombrios.

"Bom dia, meu amor," disse ela, entregando-me uma das xícaras.

"Bom dia," respondi, aceitando o café e dando um gole. O sabor era forte e familiar, uma constante em nossa vida juntos.

Fomos para a varanda, onde o sol estava começando a se elevar no céu, espalhando sua luz dourada sobre o mar. Sentamos lado a lado, nossos ombros se tocando, enquanto olhávamos para o horizonte. Por um tempo, ficamos em silêncio, apenas apreciando a companhia uma da outra. Era um daqueles momentos de quietude que eu sempre valorizei, onde as palavras não eram necessárias para expressar o que sentíamos.

Mas eu sabia que havia algo que precisava ser dito, algo que estava pesando em nossos corações há muito tempo.

Lana foi a primeira a quebrar o silêncio, sua voz suave, mas carregada de emoção. "Eu ainda penso naquele dia, Leah. Não consigo evitar." Ela virou-se para mim, e eu vi a dor em seus olhos. "Sei que você sempre diz que não é culpa minha, mas... Eu estava lá. Eu deveria ter feito algo. Deveria ter te protegido."

Eu senti o peso de suas palavras, a dor que ela carregava como um fardo que não conseguia soltar. Coloquei minha xícara de café na mesinha ao nosso lado e peguei suas mãos, entrelaçando nossos dedos. "Lana, meu amor," comecei, minha voz firme, mas cheia de ternura. "Você não pode continuar se culpando. O que aconteceu foi... horrível, sim. Mas não foi culpa sua. Você não poderia ter previsto ou impedido."

Ela baixou o olhar, as lágrimas brilhando em seus olhos, mas eu continuei. "Eu faria tudo de novo, sabe? Se eu tivesse que passar por tudo de novo para te salvar, eu faria sem hesitar. Porque você vale a pena, Lana. Você sempre valeu a pena."

Houve um silêncio entre nós, onde apenas o som das ondas preenchia o espaço. Eu sabia que ela estava processando minhas palavras, lutando com a culpa que a consumia. Eu me aproximei mais dela, minhas mãos ainda segurando as dela, e continuei.

"O que aconteceu com a gente não define o nosso futuro. Nós temos uma vida inteira pela frente, Lana. Uma vida que eu quero viver com você, sem arrependimentos, sem medo. Eu sei que é difícil, que as cicatrizes—" parei por um momento, involuntariamente levando minha mão ao ombro onde a bala tinha me atingido, "—são um lembrete constante do que passamos. Mas elas também são um símbolo da nossa força, do nosso amor."

Ela finalmente olhou para mim, suas lágrimas caindo, mas agora havia algo mais em seus olhos — um brilho de aceitação, de compreensão. "Eu só... não quero te perder de novo," disse ela, sua voz quase um sussurro. "A ideia de te perder me destrói."

Eu puxei Lana para perto de mim, envolvendo-a em um abraço apertado. Senti seu corpo relaxar contra o meu, como se finalmente estivesse soltando um peso que carregava há muito tempo. "Você não vai me perder," prometi, beijando o topo de sua cabeça. "Estamos aqui, juntas. E vamos enfrentar tudo juntas, como sempre fizemos."

Ficamos assim por um tempo, apenas aproveitando a proximidade, a sensação de estarmos conectadas de uma forma que poucas pessoas poderiam entender. Quando finalmente nos separamos, vi que Lana estava sorrindo, e esse sorriso era o que eu precisava para continuar.

"Eu estava pensando," disse ela, um leve tom de hesitação em sua voz. "Sobre o nosso casamento."

A menção ao casamento trouxe uma onda de emoções em mim. Nós já tínhamos falado sobre isso antes, sonhado com o dia em que iríamos finalmente oficializar nosso amor, mas a vida tinha se interposto de maneiras inesperadas. Agora, porém, a ideia parecia mais próxima, mais tangível.

"Eu quero que seja perfeito, sabe?" Lana continuou, seus olhos brilhando com uma mistura de esperança e ansiedade. "Quero que seja tudo o que sempre sonhamos. Mas ao mesmo tempo, eu... Eu sinto que deveria ter feito mais."

Eu ri suavemente, balançando a cabeça. "Lana, você me fez o pedido mais lindo e sincero que eu poderia ter imaginado. Não importa como, ou onde, o que importa é que foi você. Foi o nosso momento, e isso é tudo o que importa."

"Mas eu quero te dar algo especial," insistiu ela, seus olhos fixos nos meus. "Algo que mostre o quanto você significa para mim, o quanto eu te amo."

Eu segurei seu rosto entre minhas mãos, meus polegares acariciando suas bochechas. "Você já me dá tudo, todos os dias. Cada momento que passamos juntas, cada sorriso, cada toque. Isso é o que realmente importa para mim. Mas, se você quiser fazer um pedido especial, eu estarei esperando."

Lana sorriu, e eu podia ver a determinação em seus olhos. "Eu vou fazer isso. Eu vou te surpreender, do jeito que você merece."

Eu sabia que ela estava falando sério, e isso me encheu de alegria. Não importava como ou quando, o que importava era que estávamos juntas, enfrentando o mundo de mãos dadas. Eu me inclinei e a beijei, um beijo suave e cheio de promessas não ditas, de um futuro que estávamos ansiosas para construir juntas.

Quando nos separamos, Lana se levantou, estendendo a mão para mim. "Vamos dar uma caminhada na praia?" perguntou ela, seus olhos brilhando com uma alegria renovada.

"Claro," respondi, pegando sua mão. "Vamos."

Descemos os degraus da varanda e caminhamos pela areia, o sol brilhando suavemente sobre nós. Andamos de mãos dadas, sentindo a areia sob nossos pés e a brisa do mar em nossos rostos. O som das ondas era como uma trilha sonora para nosso momento, uma música calma e constante que falava de eternidade.

Enquanto caminhávamos, não precisávamos de palavras. Nossas mãos entrelaçadas, os olhares que trocávamos, tudo isso falava mais do que qualquer palavra poderia. Estávamos juntas, mais fortes do que nunca, e prontos para enfrentar o que quer que o futuro nos reservasse.

Paramos em um ponto da praia onde as ondas vinham suavemente beijar a areia. Ficamos ali, observando o mar, e senti o coração de Lana bater contra o meu enquanto ela se encostava em mim. Era um momento perfeito, um momento que encapsulava tudo o que eu amava nela, tudo o que eu amava em nós.

"Eu estava pensando," comecei, quebrando o silêncio, "sobre como tudo isso é um novo começo para nós. Um começo que eu não poderia imaginar melhor do que aqui, com você."

Ela olhou para mim, seus olhos cheios de amor e compreensão. "E é," disse ela suavemente. "Este é o nosso recomeço, Leah. E eu não poderia estar mais feliz por estar aqui com você."

Eu a beijei novamente, desta vez com mais intensidade, como se quisesse gravar esse momento em nossas memórias para sempre.

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