Capítulo 19

Era uma manhã de agosto quente e abafada, o ar pesado e estagnado como se o próprio tempo estivesse cansado da espera. O hospital era uma constante em minha vida, uma segunda casa onde a esperança e o desespero coexistiam em uma dança delicada. Um ano se passara desde o dia fatídico, e eu me encontrava mais uma vez no quarto 302, segurando a mão de Leah, cuja presença silenciosa se tornara uma âncora em meio ao caos de minhas emoções.

Sentei-me na cadeira ao lado de sua cama, uma rotina tão familiar que eu poderia fazê-lo de olhos fechados. O som constante dos monitores era um lembrete reconfortante de que Leah estava ali, lutando para voltar. A sala estava decorada com fotos e pequenos objetos que traziam um toque de nossa vida passada. Fotos de viagens, momentos felizes, e lembranças de um tempo em que tudo parecia possível.

"Bom dia, Leah," comecei, minha voz suave. "É um novo dia, e estou aqui, como sempre. O verão está quase no fim, e as folhas logo começarão a mudar de cor. Lembra como costumávamos passear no Central Park, observando as folhas caindo? Era nossa estação favorita."

Minha mente voltou para o início, para o dia em que conheci Leah. Foi em uma festa na gravadora, organizada por Taylor. Eu estava nervosa, deslocada, mas Taylor insistiu que eu fosse. Leah estava lá, radiante como sempre, e quando nossos olhos se encontraram, houve uma conexão instantânea. Ela se aproximou de mim, seu sorriso era caloroso e acolhedor, e começamos a conversar. Ela tinha uma maneira de me fazer sentir à vontade, como se fôssemos velhas amigas.

"Você lembra da primeira vez que nos conhecemos?" continuei, acariciando suavemente sua mão. "Foi na festa da Taylor. Você era a pessoa mais linda e confiante que eu já tinha visto. Eu estava tão nervosa, mas você fez tudo parecer tão fácil. Conversamos a noite toda, rimos e compartilhamos histórias. Foi uma noite mágica."

Os meses que se seguiram foram um turbilhão de emoções. Leah e eu nos tornamos inseparáveis, e cada momento com ela era uma nova descoberta. Ela me mostrou uma vida que eu nunca pensei ser possível, uma vida cheia de amor, risos e aventuras. Nosso primeiro encontro oficial foi memorável. Leah me levou ao topo de um prédio em Nova York, onde podíamos ver toda a cidade iluminada. Ela sempre sabia como transformar o ordinário em algo extraordinário.

"Lembra daquele dia no topo do prédio?" perguntei, um sorriso se formando em meus lábios. "A vista era incrível, e você segurou minha mão enquanto falávamos sobre nossos sonhos. Foi naquela noite que percebi o quanto você significava para mim. Eu nunca tinha me sentido tão feliz, tão completa."

Eu falava para Leah sobre o nosso primeiro beijo, em frente à casa dela. Foi um momento tão cheio de ternura e emoção, um momento que mudou tudo. Eu podia sentir o calor de seus lábios, a suavidade de seu toque, e a certeza de que estávamos destinadas a estar juntas. Aquele beijo selou nosso destino, e desde então, nossa vida foi uma jornada de amor e apoio mútuo.

"Você lembra do nosso primeiro beijo?" sussurrei, minhas mãos tremendo levemente. "Foi em frente à sua casa. Eu estava tão nervosa, mas você me segurou e fez tudo parecer tão natural. Aquele beijo mudou minha vida, Leah. Foi o começo de algo lindo, algo que eu nunca vou esquecer."

Os dias passavam lentamente, cada um trazendo um novo raio de esperança. Eu continuava a minha rotina de visitas diárias, trazendo livros, músicas e histórias para compartilhar com Leah. Falava sobre o mundo lá fora, sobre nossas amigas e sobre os sonhos que ainda tínhamos para o futuro. Cada palavra era um lembrete de que ela ainda era parte desse mundo, que ainda havia tanto para viver e experimentar.

"Eu trouxe um livro novo para ler para você," disse, puxando um romance que sabíamos de cor. "É um dos seus favoritos. Vamos começar do começo, como sempre."

Minha voz ecoava suavemente pelo quarto enquanto lia, cada palavra uma oração silenciosa para que Leah voltasse para mim. Eu me perdi na história, nas memórias de nós duas juntas, e em cada pausa, olhava para Leah, esperando um sinal, qualquer sinal de que ela estava voltando.

"Você sempre adorou essa parte," disse, fechando o livro por um momento. "Era seu trecho favorito. Você dizia que era como nós, duas almas destinadas a se encontrar. Eu ainda acredito nisso, Leah. Ainda acredito que você vai voltar para mim."

Os dias se transformaram em semanas, e as semanas em meses. O outono chegou, trazendo consigo uma nova beleza, uma promessa de renovação. As folhas mudaram de cor, e o mundo lá fora continuava a girar, mesmo enquanto meu mundo estava preso em uma espera interminável.

"Está ficando mais frio lá fora," falei, ajeitando o cobertor ao redor de Leah. "O outono chegou. Lembra como você adorava essa estação? Nós íamos ao parque, pegávamos folhas coloridas e fazíamos caminhadas longas, conversando sobre tudo e nada."

As visitas continuavam, cada uma um novo capítulo de esperança e amor. O hospital tornou-se um refúgio, um lugar onde eu podia estar perto de Leah e lembrar de tudo o que tínhamos vivido juntas. Era uma rotina que trazia conforto, uma constância em meio à incerteza.

"Eu ainda acredito em nós," disse, minha voz firme apesar das lágrimas que ameaçavam cair. "Você é minha outra metade, Leah. Eu sei que você está lutando, e eu estarei aqui, esperando por você, não importa quanto tempo leve."

O inverno chegou com sua frieza implacável, mas dentro do hospital, o calor do amor que sentíamos mantinha a escuridão à distância. Cada dia era uma nova oportunidade para Leah mostrar sinais de recuperação, e eu me agarrava a cada pequeno progresso como uma prova de que ela estava voltando para mim.

"Você está fazendo progressos," disse o Dr. Moreira um dia, seu tom profissional tingido de otimismo. "Ainda há um longo caminho pela frente, mas estamos vendo sinais positivos."

Essas palavras eram música para meus ouvidos, e eu continuava a minha vigília ao lado de Leah, falando sobre nossos sonhos e esperanças para o futuro. Cada palavra era uma promessa de amor eterno, uma declaração de que eu nunca desistiria dela.

A primavera trouxe uma nova onda de esperança, as flores desabrochando e a vida renovando-se ao nosso redor. O hospital estava cheio de luz, e eu podia sentir que algo estava mudando. Leah continuava a mostrar pequenos sinais de recuperação, e eu sabia que o momento de sua volta estava se aproximando.

"Está ficando mais bonito lá fora," disse, segurando a mão de Leah. "As flores estão desabrochando, e o mundo está cheio de cores novamente. É um novo começo, Leah. E eu acredito que é um novo começo para nós também."

Os dias passaram, e o verão voltou, trazendo consigo o calor e a promessa de um novo início. Eu continuava minhas visitas diárias, cada uma uma nova oportunidade para Leah mostrar sinais de recuperação. O quarto de hospital, com suas paredes brancas e janelas inexpressivas, tornou-se um lugar de esperança, um refúgio onde eu podia estar perto de Leah e acreditar em um futuro juntos.

"Você é minha luz, Leah," disse um dia, minha voz cheia de emoção. "Eu acredito em você. Sei que você vai voltar para mim. E quando isso acontecer, vamos construir a vida que sempre sonhamos. Eu te amo, e sempre estarei aqui, esperando por você."

Era uma manhã de agosto, um ano depois do dia fatídico. O hospital estava quieto, o ar pesado com a espera de um novo dia. Eu estava prestes a sair, minha rotina de visitas cumprida, quando senti algo diferente. Uma leve pressão na minha mão, um movimento quase imperceptível, mas inconfundível.

"Leah?" sussurrei, meu coração batendo acelerado. "Você está aí?"

O quarto estava silencioso, exceto pelo som constante dos monitores. Olhei para Leah, seu rosto sereno, e então vi. Seus olhos, lentamente, começavam a se abrir, como se ela estivesse emergindo de um sono profundo.

"Leah!" exclamei, a emoção transbordando em minha voz. "Você está me ouvindo?"

Seus olhos se abriram completamente, e ela olhou para mim, confusa e vulnerável. Uma lágrima rolou por seu rosto, e com uma voz fraca, quase um sussurro, ela falou pela primeira vez em um ano.

"Não me deixa," disse ela, sua voz cheia de medo e esperança.

Meu coração explodiu de alegria e alívio. Inclinei-me sobre ela, segurando seu rosto entre minhas mãos, beijando sua testa com ternura.

"Eu nunca vou te deixar," respondi, minhas lágrimas se misturando com as dela. "Eu estou aqui, Leah. Estou aqui. E vamos passar por isso juntas."

Naquele momento, soube que tudo pelo que tínhamos lutado, todas as noites de desespero e esperança, nos levaram a esse instante. Leah estava de volta, e embora o caminho à frente ainda fosse incerto, estávamos juntas novamente. E isso era tudo o que importava.

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