(Pov: Leah)
O salão estava repleto de luzes cintilantes e conversas animadas, mas eu me sentia deslocada, uma intrusa em meio àquela celebração. Estava ali por Taylor, e pelo sucesso de seu novo álbum, mas a alegria ao meu redor parecia um lembrete cruel do vazio que eu sentia por dentro. Meu olhar vagava pela multidão, procurando instintivamente por Lana, a pessoa que não saía da minha mente desde aquela noite fatídica.
Eu tentava entender o que havia acontecido, porque Lana havia se afastado de mim tão abruptamente, sem qualquer explicação. Minhas mensagens e ligações ficaram sem resposta, e a angústia de não saber o que ela estava passando me consumia.
No lançamento do álbum, me forcei a socializar, sorrir e conversar, mas tudo parecia superficial. O brilho das luzes e o riso das pessoas eram um contraste doloroso com a tristeza que eu carregava. Quando finalmente avistei Lana, meu coração deu um salto doloroso. Ela estava ali, tão perto e ao mesmo tempo tão distante. A saudade e a raiva se misturaram dentro de mim.
Nossos olhares se cruzaram por um breve momento, e senti uma mistura de desejo e culpa me consumir. Vi a mesma tristeza em seus olhos que sabia estar nos meus, mas também uma incompreensão que me irritava profundamente. Como ela podia estar ali, tão calma, depois de todo o silêncio que me impôs?
Passei a noite observando-a à distância, cada vez mais frustrada. Por que ela não havia respondido às minhas tentativas de contato? Será que não se importava? A festa continuava ao meu redor, mas minha mente estava presa em Lana. A cada momento que passava, a necessidade de falar com ela, de entender, de pedir explicações, se tornava mais urgente.
Finalmente, precisei de um pouco de ar. Saí para a varanda, tentando clarear minha mente. As luzes da cidade brilhavam ao longe, um contraste com a escuridão que sentia por dentro. A brisa fresca da noite trouxe um pequeno alívio, mas a dor permanecia. Caminhei em direção à área da piscina, onde a tranquilidade da água contrastava com a turbulência dos meus sentimentos.
Foi ali que me vi sozinha, perdida em pensamentos, meus olhos fixos na água. O reflexo das luzes na superfície tranquila era um consolo momentâneo para a confusão que eu sentia. Percebi uma presença me olhando antes de ver quem era. Virei-me e lá estava Lana, caminhando em minha direção. Meu coração deu um salto, e senti uma mistura de raiva e esperança crescer dentro de mim.
Ela parou na minha frente, e por um momento, pensei que fosse dizer algo. Em vez disso, me puxou para um abraço apertado. Permaneci imóvel, minha respiração irregular, sentindo o vazio entre nós se expandir.
"Por que você não me respondeu, Lana? Por que me deixou no escuro?" As palavras saíram antes que pudesse contê-las, carregadas de dor e frustração. Afastei-me dela, a raiva borbulhando na superfície. "Eu tentei falar com você, tentei entender o que aconteceu, mas você me ignorou. Como você pôde fazer isso?"
Lana parecia perdida, sua expressão de dor refletindo a minha própria. "Leah, eu... Não foi por querer. Eu estava... eu estava com medo, confusa. Não sabia como lidar com tudo isso."
"Medo? Medo de quê? Você não podia ao menos me dar uma explicação? Eu merecia isso!" Minha voz tremia de raiva e dor. "Você sabe o quanto eu me importo com você, Lana. Por que simplesmente desapareceu?"
Lana suspirou, as lágrimas brotando em seus olhos. "Eu tentei, mas tudo estava tão complicado. Eu estava com medo de te machucar ainda mais, de tornar tudo pior."
"Complicado? O que podia ser tão complicado que não me envolvesse? Eu também estava envolvida nisso, sabia? Eu merecia saber!" Minha frustração estava no auge, e eu estava prestes a continuar quando Lana, com um movimento inesperado, me calou com um beijo.
O beijo foi intenso, desesperado, carregado de emoções reprimidas. Senti a dor e o arrependimento de Lana, e minha raiva começou a se dissipar, substituído por uma compaixão profunda. Quando finalmente nos separamos, vi as lágrimas correndo pelo rosto de Lana.
"Leah, Jack descobriu sobre nós. Desde aquele dia, ele não me deixou em paz. Destruiu meu celular, gritou comigo, me vigiou. Eu estava com medo, presa... Não sabia como sair disso."
Minha raiva evaporou instantaneamente, substituída por um choque profundo. "Jack fez o quê? Como ele pôde fazer isso com você?"
Lana assentiu, sua voz trêmula. "Eu não sabia como te contar. Ele ameaçou fazer coisas terríveis se eu tentasse falar com você. Eu estava apavorada, Leah. Me desculpa, por favor."
Meu coração se partiu ao vê-la tão vulnerável. Puxei-a para outro abraço, desta vez mais protetor. "Lana, eu sinto muito. Não fazia ideia do que você estava passando. Deveria ter percebido... Sinto muito mesmo."
Ela se agarrou a mim, soluçando. "Eu sinto tanto a sua falta, Leah. Sinto falta de tudo."
Afaguei seus cabelos, tentando acalmá-la. "Vamos sair daqui. Precisamos de um lugar mais tranquilo para conversar."
Ainda segurando sua mão, fui em direção ao salão para encontrar Taylor. Quando a encontrei, expliquei rapidamente a situação. "Taylor, eu preciso levar Lana para casa. Aconteceu algo sério."
Taylor olhou para nós com preocupação, mas assentiu. "Claro, Leah. Cuide dela. Espero que tudo fique bem."
Nos despedimos rapidamente e saímos da festa. No caminho para o meu carro, segurei a mão de Lana firmemente, sentindo a necessidade de protegê-la de todo o mal que havia enfrentado.
No carro, a tensão parecia diminuir ligeiramente, mas o silêncio entre nós estava cheio de palavras não ditas. Dirigi até meu apartamento, tentando encontrar as palavras certas para confortá-la.
Assim que chegamos, levei Lana até o meu quarto e ajudei-a a se sentar na cama. Peguei um cobertor e a envolvi, sentando ao seu lado.
"Lana, você está segura aqui. Prometo que vou te ajudar a superar isso."
Ela assentiu, os olhos ainda cheios de lágrimas. "Obrigada, Leah. Eu não sei o que teria feito sem você."
"Você não está sozinha," sussurrei, segurando sua mão com firmeza. "Vamos superar isso juntas."
Enquanto estávamos deitadas, conversando e nos divertindo com lembranças do passado, a gata Cleo, minha fiel companheira, decidiu se juntar a nós. Com um miado suave, ela pulou na cama e se acomodou entre nós duas, como se quisesse participar da nossa conversa.
Lana sorriu ao ver Cleo se aconchegar entre nós, e eu não pude deixar de rir da expressão séria da gata, como se estivesse prestando atenção em cada palavra que dizíamos.
"Olha só quem decidiu se juntar a nós," eu disse, acariciando a cabeça de Cleo. "Parece que ela quer fazer parte da nossa festa de memórias."
Lana riu e estendeu a mão para fazer carinho na gata. Cleo ronronou em resposta, parecendo apreciar a atenção extra.
"Você tem uma gata adorável, Leah," Lana disse, olhando para Cleo com carinho.
"Sim, ela é minha companheira de todas as horas," eu respondi, sorrindo. "Ela sempre sabe quando estou precisando de um pouco de amor extra."
Enquanto conversávamos, nossos olhares se encontraram novamente, e eu senti uma faísca de calor entre nós. Lentamente, nossos rostos se aproximaram, os lábios se encontrando em um beijo suave e carinhoso.
Ficamos ali, nos abraçando e nos beijando, aproveitando o momento de intimidade e conforto que compartilhávamos. Cleo observava tudo com seus olhos curiosos, como se estivesse dando sua aprovação silenciosa.
Quando nos separamos, Lana sorriu para mim, seus olhos brilhando com ternura. "Você é incrível, Leah."
"E você é maravilhosa, Lana," eu respondi, sentindo meu coração transbordar de felicidade.
Nos abraçamos novamente, Cleo se aninhando entre nós, e ficamos ali, juntas.
Deitada ao seu lado, senti uma sensação de paz, mesmo em meio a toda a confusão. Estava determinada a protegê-la e a ajudá-la a encontrar um caminho de volta à felicidade.
Naquela noite, pela primeira vez em muito tempo, dormimos lado a lado, sentindo o calor reconfortante uma da outra.
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Atualizado até capítulo 24
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