JULY
Abraço os dois e nos sentamos no chão esperando o vento passar.
Senhor, não permita que ele morra, agora que eu o reencontrei! Oro fervorosamente. O silêncio se faz de repente.
Mateo _ Acho que passou!
July_ Eu vou lá em cima dar uma olhada e procurar o Matheus, vocês dois fiquem bem aí que eu já volto.
Mady _ Mas mamãe, eu tenho medo.
July _ Não precisa ter medo eu vou só dar uma olhada por aí. Ele pode estar ferido e precisando de mim. Volto logo! Obedeçam!
Eu subo as escadas e me deparo com a destruição total da casa. O telhado se foi e está chovendo, uma garoa fria, e tudo parece desolado, não tem mais nada do que antes foi a cozinha, uso a lanterna do celular para ver onde estou pisando e caminho com cuidado pelos escombros. O silêncio é total, nem escuto o barulho da chuva.
July_ Matheus? Onde está?
Pergunto e não obtenho resposta. Como as coisas estão jogadas para a direita, continuo andando para essa direção e saio no quintal que fica nos fundos da casa, parte do muro foi destruído. O jardim que eu gostei tanto nas fotos, não existe mais.
July_ Matheus
Grito de novo e ouço um gemido baixo e corro na direção, acho um cachorro preso sobre os escombros, eu não posso deixá-lo ali sofrendo, puxo a viga de madeira que está em cima dele e vejo uma perna vestida de jeans, liberto o cachorro mas acho que está com a pata quebrada.
July_ Calma aí, eu preciso ajudar o meu amigo!
Eu puxo mais a viga e tiro umas telhas que estão em cima dele.
July _ Matheus, Matheus, fala comigo! Você não pode morrer agora. Por favor, fala comigo.
Ele está com o braço num ângulo estranho e a testa tem um corte que está sangrando bastante. Deito no seu peito e ouço o seu coração.
July_ Graças a Deus está vivo! Vou tirar você daqui! Não se preocupe, com nada, está bem?
Pego o celular e tento ligar para o serviço de resgate, mas não tem sinal.
July_ E agora o que vou fazer?
Volto para a casa e vejo que o meu carro ainda está do outro lado, somente com umas telhas em cima dele. Volto ao porão e pego uma escada que vi ali.
July _ Mateo, pegue esses panos que estão atrás de você, eu achei o Matheus, mas ele está ferido, temos que ajudá-lo, vamos. Dê a mão para a sua irmã e olhem por onde pisam, tomem cuidado.
Saio do porão carregando a escada e os lençóis velhos, mas fico de olho nas crianças.
July_ Venham por aqui!
Eles me seguem e a Madison já vê o cachorro machucado.
Mady_ Um Cachorrinho!
July_ Cuidado amor, ele está com a pata quebrada. Não mexa nele para não piorar a situação. O Matheus está aqui. Vou tentar colocar ele na escada e amarrar para levá-lo até o carro para ir ao hospital.
Mateo_ Ele está morto?
July_ Não querido, só está ferido! Mas nós vamos ajudá-lo a ficar bom.
Quando tento levantá-lo para colocar na maca improvisada ele acorda e dá um grito de dor, nos assustando.
July _ Você está bem?
Matheus _ Acho que desloquei o ombro. Me ajude a levantar por favor.
Vou para o outro lado e seguro pela sua cintura, escuto os seus dentes rangerem de dor, mas ele não reclama. Depois de muito esforço ele consegue ficar de pé, o seu lindo rosto está vermelho e coberto de suor e sangue.
July_ Espere um pouco!
Eu rasgo um pedaço do meu vestido e limpo o sangue da sua testa. Ele me olha e esboça um sorriso fraco.
July_ O carro está inteiro, vamos sair daqui! Vamos crianças.
Mady_ Mamãe não podemos deixar o cachorro aqui. Ele está ferido também!
July_ Verdade! Preciso ajudá-lo, por causa dele te achei.
Matheus _ O que ele tem?
July_ Está com a perna quebrada. Eu vou levar você até o carro e volto para pegar o cachorro.
Matheus _ Eu posso ajudar!
July _ Não! Não piore a sua situação está bem? Vamos eu te ajudo.
Eu o amparo até o carro, abro a porta e o ajudo a sentar, ele resmunga de dor.
July _ Eu volto logo!
Ele balança a cabeça, fechando os olhos.
Corro até o outro lado e uso algumas madeiras e tiras de lençóis para imobilizar a perna do cachorro.
July_ Pronto! Agora podemos ir.
Pego o cachorro no colo e o levo até o carro, as crianças sentam e colocam o cinto e eu coloco o cachorro no colo do Mateo.
O Matheus abre os olhos.
July_ Podemos ir?
Ele acena que sim e eu passo o cinto sobre o seu ombro, ele geme mas não diz nada.
July_ Desculpe!
Matheus _ Está tudo bem! Estamos vivos!
Ele me dá as indicações e eu dirijo até o hospital, que está simplesmente lotado, tem tantos carros e ambulâncias, que nem conseguimos entrar.
Matheus _ Seremos atendidos mais rápido lá em casa! A minha mãe tem todos os equipamentos que precisarmos.
July_ Ela é veterinária Matheus!
Matheus _ É osso July, tanto os animais quanto os humanos os têm! Ela já curou a minha perna quando eu quebrei caindo do cavalo, já curou o braço da Isabela, vamos lá, ela saberá o que fazer, comigo e com ele. E isso está doendo muito!
July_ Está bem! Vamos lá!
Ele vai me guiando e chegamos às porteiras da fazenda. Esse é o lugar que nasci e fui tão feliz.
Um funcionário abre os portões, assim que o reconhece. Passamos e seguimos para a casa.
July _ Ainda é impressionante!
Matheus _ Aposto que o meu pai já está sabendo que cheguei!
July_ Parece que o furacão não tocou esse pedaço de paraíso.
Matheus _ Parece mesmo! Está tudo na mais perfeita ordem.
Mateo_ Aqui que você morava mamãe?
July _ Sim eu vivia nessa fazenda, mas não nessa casa.
Antes que eu pare o carro, já vejo os pais dele. Não mudaram nada, esses anos todos.
Matheus _ Saia e explique para a minha mãe o que aconteceu.
Eu saio do carro e ela me reconhece na hora.
Carol_ July? É você?
July_ Sim dona Carol, sou eu e estou com um problema.
Carol_ O que aconteceu? Porque o meu filho não saiu do carro?
July _ Ele machucou o ombro, está deslocado.
Os dois correm para o carro e rapidamente o Matheus é retirado do carro e levado para a clínica dela.
Eu tiro as crianças e o cachorro e sigo na direção que eles foram. Já encontro o Sr. Jake no caminho.
Jake_ O Matheus falou do cachorro, vim buscá-lo, leve as crianças para a casa, enquanto cuidamos deles.
July_ Não queremos dar trabalho.
Jake _ O Matheus me contou rapidamente sobre a casa. Entre e se acomode com as crianças por favor.
Nós vamos para a casa e a Norma ainda está lá.
Norma_ July? Que surpresa boa!
July_ Oi Norma, como vai? Esses são meus filhos. Mateo e Madson. Eu vim com o Matheus, mas ele se machucou no furacão.
Norma_ Ele está bem?
July_ Deslocou o ombro e acho que quebrou o braço.
Norma_ Isso a Carol dá jeito!
July_ Ela não mudou nada!
Norma_ Não mesmo! Kkkk venham entrem.
July_ Obrigada.
Assim que entramos as lembranças me inundam, olho para aquela mesa e vejo a mim e ao Matheus sentados, nos empanturrando de bolos e doces, enquanto nossos olhares não se desgrudavam.
O rádio da Norma toca e ela atende.
Norma_ Era o Jake, o Matheus pediu para arrumar um quarto para vocês. Vou chamar um dos rapazes para pegar as malas de vocês. Subam, tomem um belo banho e desçam para jantar.
Ela sobe conosco e abre a porta de um quarto para nós.
Norma _ Fiquem à vontade!
Ela vai saindo volta e me abraça.
Norma _ Bem vinda ao lar, minha filha!
Ela sai e eu fecho a porta com lágrimas nos olhos.
Finalmente cheguei em casa!
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Atualizado até capítulo 94
Comments
Maria Helena Macedo e Silva
se o pai dela não tivesse feito uma carta para a tia ficar com ela, os patrões teriam a criado.
2025-03-25
3
Valeria Grossi de Almeida
Regressando a sua antiga vida.
2025-04-03
1
Marcia Santos
Amo essa turminha incrível ☺️😍
2025-03-05
2