July
Aluguei uma casa em Waco, é a cidade mais perto da fazenda que eu cresci, se na escola da fazenda não estiver precisando de professor eu posso conseguir uma vaga, na escola da cidade mesmo! Não é o que eu quero, mas está bom para começar, pelo menos é uma cidade pequena.
Tenho certeza que os meus filhos serão mais felizes por lá. Conversei com os dois, Mady só balançou a cabeça e colocou o dedo na boca, como fazia quando era bebê. O Mateo perguntou se o inimigo não iria nos achar lá.
Expliquei novamente que não temos inimigos, mas eu acho que ele não acreditou em mim. Me olhou e balançou a cabeça que tudo bem.
Peguei o nosso carro e colocamos as nossas coisas, somente objetos pessoais, roupas, fotos e brinquedos, quando estava com a bandeira na mão para colocar na caixa, Mateo a pegou e disse se podia levar ela no colo, eu concordei.
July_ Tudo pronto! Vamos para a nossa nova vida! Tenho certeza que seremos muito felizes no lugar em que eu nasci!
Mady_ Voche disse que lá tem cavalo, eu vou andar de cavalo?
July_ Na casa em que vamos morar não tem! Mas onde eu quero dar aulas tem, se eu conseguir a vaga, vou pedir moradia lá também. E vocês vão estudar na mesma escola em que vou dar aulas. E vou poder ensinar vocês a andarem a cavalo.
Mady_ Eu vou andar de cavalo! Oba!
July_ E você Mateo quer aprender a montar também?
Olho pelo espelho retrovisor e vejo ele dar de ombros.
Ele está tão desanimado e apático, nem parece o meu menino animado e questionador de sempre.
Fizemos a viagem em duas etapas, a viagem durou por volta de nove horas e eu não queria chegar a noite, ou ficar na estrada com as crianças por tanto tempo. Quando deu umas cinco da tarde paramos e ficamos em uma pousada, no caminho, que eu já havia feito reserva on- line, tomamos banho e passeamos na praça um pouco antes do jantar.
Ver os dois correndo na praça tranquila, me deu a certeza de que fiz a coisa certa. Os dois chegaram onde eu estava sentada com um sorriso no rosto e um brilho nos olhos que eu não via nos dois desde a morte do pai, há quase um ano.
De manhã pegamos a estrada novamente e seguimos viagem, paramos somente para almoçar e abastecer.
Estávamos perto de Waco, quando os dois começaram uma briga no carro.
Mady _ Mãe o Mateo não quer me dar uma das bolinhas de gude dele.
Mateo_ Para fazer fofoca você sabe falar muito bem, bebezinho da mamãe.
July_ Mateo, por favor, nada de zombar da sua irmã! Querida, as bolinhas são dele, a sua boneca não está aí com você? Brinque com ela, é muito melhor do que com bolinhas.
Eu não vi muito bem o que aconteceu, só ouvi o Mateo gritando que ela pegou uma das bolinhas e enfiou na boca.
July_ Querida cuspa isso, que é perigoso!
Mateo _ Mãe, acho que ela engoliu!
Paro o carro com tudo e abro a porta de trás a tirando do veículo, ela está ficando roxa, não consegue respirar, bato nas suas costas, desesperada sem saber o que fazer, olho para os lados e não vejo ninguém. Ouço um barulho de moto e aceno pedindo ajuda. O homem para e assume a manobra Heimlich, eu caio sentada na guia, as minhas pernas não suportam o meu peso, tamanho o medo que estou sentindo. Ela cospe a bolinha e respira, só então me levanto e tento pegar ela do braço do homem, e o agradeço. Foi um anjo que o colocou no nosso caminho.
Ele olha nos meus olhos e paralisa, mas eu só quero pegar a minha filha de volta. Preciso segurá-la em meus braços, para ter a certeza que tudo passou.
Quando ele tira o capacete, é a minha vez de paralisar, esse sorriso, esses olhos, sonhei com eles por muito tempo, para não reconhecê-lo logo de cara. O meu coração parece querer sair do peito, igualzinho quando eu era criança e olhava naqueles olhos.
Ele também me reconheceu. Depois de tanto tempo, ainda me
sinto do mesmo modo. Ele abre um sorriso lindo, quando o Mateo diz o nome para ele, acho que percebeu que eu nunca o esqueci, pois coloquei o seu nome no meu filho.
A estrada escurece de repente, ele me fala sobre o furacão, eu nunca ouvi dizer de um furacão por aqui e claro que ele tinha que chegar junto comigo. Como a casa que aluguei fica mais próxima eu o convido para vir comigo, não quero perdê-lo novamente e nem passar por um furacão sozinha com duas crianças. Ainda lembro das pessoas e casas destruídas na Luisiana quando cheguei por lá. O furacão Katrina levou muita gente. Houve muita morte e destruição. Espero que o mesmo não aconteça com a minha amada Geórgia.
Deixo os Pensamentos de lado quando o vejo me pedir para acelerar, ainda bem que o GPS ainda está funcionando. Entro na próxima rua cantando pneu, mais duas ruas e estou na casa, não é muito mas é um abrigo. Ele já parou atrás de mim. Dou a chave do portão para que ele abra e a chuva já começou, entro com o carro e ele já está abrindo a porta, volta e me ajuda com as crianças. Entramos e assim que acendo a luz a eletricidade pisca e apaga.
Matheus _ O vento já destruiu alguma central de energia.
July_ Você acha que esse telhado aguenta?
Matheus _ Eu não sei! Você sabe se tem algum porão por aqui.
July_ Não conheço o lugar só fiz um tour virtual.
Mateo_ Eu lembro que tinha uma porta na cozinha. Acho que era do porão.
Matheus _ Vou procurar. Vão aos quartos e procurem cobertores.
Ele sai e o barulho se aproxima a Mady grita
July _ Calma querida, estamos a salvo aqui.
Ele volta e diz que achou um porão, e vamos correndo para baixo, ele ilumina as escadas com a lanterna do celular.
Matheus _ Não é muito, mas estaremos abrigados.
July _ E a sua moto? O vento vai levar!
Matheus _ A moto ou o seu carro compramos outro e o seguro cobre. O importante é que estamos seguros.
Mady_ Mãe o Mateo!
July_ Isso não é hora de brigarem, vamos nos sentar ali. Cadê o Mateo?
O Matheus ilumina tudo ao redor e eu não vejo o meu filho.
Mady_ Ele subiu a escada!
Matheus _ Eu vou atrás dele fiquem aqui!
July_ Oh Meu Deus proteja o meu filho! O que ele foi fazer? Porque saiu daqui?
O barulho é ensurdecedor e a Mady, se agarra em mim desesperada. A minha vontade é sair correndo atrás dos dois, mas não posso deixar a minha filha sozinha.
Tudo o que posso fazer é rezar para que os dois saiam ilesos desta catástrofe.
July_ Senhor, por favor proteja os dois!
A porta se abre e o meu filho é praticamente jogado pelo vento escada abaixo e a porta é arrancada das dobradiças e sai voando. Corro até ele e o examino, fora um corte na testa, ele está bem.
July_ Cadê o Matheus?
Mateo_ Eu não sei ele estava bem atrás de mim, eu estava no colo dele e ele me colocou no chão para abrir a porta. Ele me empurrou para descer e depois o vento me derrubou.
July _ Terei que esperar passar o vento para procurá-lo.
Mateo_ Nós não temos mais casa! O telhado voou.
July_ Porque você saiu?
Mateo _ Eu fui buscar isso!
Ele mostra a bandeira que cobriu o corpo do seu pai.
Mateo _ Desculpe mamãe, mas eu precisava dela!
Ele me diz com lágrimas escorrendo no seu rosto.
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Atualizado até capítulo 94
Comments
Maria Do Socorro Bezerra
Não tinha como Matteo deixar a bandeira para trás, ela representa a homenagem que seu pai recebeu.
2025-01-08
1
Rosa
estava ansiosa pra ler, está história, estou muito feliz
2025-02-07
1
Ana Lucia Silva
Tomara que Matheus esteja bem, se o vento forte levou a porta...
2025-02-05
1