Vincent e Alessandra foram deixar os cavalos no estábulo e, ao saírem, caminharam de volta para casa. Já era quase noite quando Vincent parou Alessandra antes de entrarem em casa.
Vincent: Queria te pedir desculpas pelos meus pais, eles são como são.
Alessandra: Eu adorei seus pais, são pessoas maravilhosas. Você tem sorte.
Vincent: Eles realmente são, mas você entendeu o que eu quis dizer... Ficaram me jogando para você o tempo todo, principalmente minha mãe.
Os dois riram.
Alessandra: Imagino que muitas mães sejam assim.
Vincent: A sua é? Você tem sorte se não for.
Alessandra: Na verdade, não tenho mãe.
Ele fechou a cara meio sem graça e ela riu.
Alessandra: Você precisava ver sua cara.
Vincent: Isso é sério, Alessandra. Não sei por que está rindo. Deve ser muito ruim perder a mãe.
Alessandra: Não, ela não está morta... Pelo menos é o que eu acho. A verdade é que minha mãe me deixou quando eu era muito pequena. Fui criada pela minha avó por alguns anos e depois fui parar em um orfanato.
Vincent: Você não pode estar falando sério.
Alessandra: Estou.
Vincent: Sinto muito por você, mas imagino que sua família adotiva tenha te dado todo carinho.
Alessandra: Não, Vincent. Eu também não tive família adotiva. Saí do orfanato quando completei dezoito anos... Resumindo, sou completamente sozinha.
Ele olhou para ela por alguns segundos sem saber o que dizer.
Vincent: Alessandra, eu...
Alessandra: Não se preocupe.
Ela já sabia o que ele ia dizer, é o que todos sempre dizem quando ela conta 1% da sua história.
Alessandra: Quero te agradecer por ter me deixado montar na égua da sua esposa. Imagino que ela seja muito especial para você.
Vincent: Sim, ela é. Você é a primeira pessoa a montar desde que a Laura se foi.
Alessandra: Nossa...
Vincent: Também preciso te agradecer.
Alessandra: Me agradecer pelo quê?
Vincent: Por ter me incentivado a visitar meus pais. Por mais que eles não parem de falar um minuto sobre meu passado, sentia falta deles e foi bom estar lá acompanhado de alguém. Assim eles ficam mais tranquilos em saber que não estou completamente sozinho e abandonado.
Ele disse o final de forma dramática, fazendo Alessandra rir.
Alessandra: De nada. Mas a decisão de ir foi sua.
Eles estavam tão próximos e só agora ambos perceberam. Alessandra foi desfazendo o sorriso aos poucos ao olhar os lábios de Vincent tão perto dos dela. Eles se olharam nos olhos rapidamente e voltaram a olhar para a boca um do outro.
- Senhora!?
Eles se afastaram ao ouvirem a voz da vendedora de acessórios.
Alessandra: Ah, você veio!
Ela disse tentando disfarçar.
Alessandra: Vamos, vou chamar as meninas.
- Boa tarde senhor.
Vincent apenas assentiu enquanto a moça entrava.
Alessandra: Vincent, não vai entrar?
Vincent: Não agora.
Alessandra: Certo.
Ela entrou o deixando do lado de fora.
Vincent foi em direção aos fundos da casa e sentou debaixo de uma árvore. Ele ficou pensando no que quase aconteceu na frente da casa dele alguns minutos atrás. São três anos sem a Laura e ele ainda não tinha sentido vontade de beijar uma mulher como agora, as que ele fica não passam de casos de uma noite, só para satisfazer seus desejos carnais, mas o que ele sentiu agora há pouco foi diferente.
Vincent: Ninguém vai tomar o seu lugar, Laura, ninguém… Eu prometo, meu amor.
Gleyci: Falando sozinho?
Vincent virou o rosto para encará-la.
Vincent: Apenas pensando alto.
Gleyci: Você é bem direto com as palavras, às vezes sinto-me intimidada a falar com você... Sabia?
Vincent nem se deu ao trabalho de responder e ela sentou ao lado dele.
Vincent: Suas amigas estão vendo acessórios lá na sala, por que você não vai lá?
Ele disse, tentando fazer ela ir.
Gleyci: Eu prefiro estar aqui, o clima está ótimo, adoro esse início de noite... principalmente em um lugar como este, cheio de árvores, animais, pássaros lindos...
Ela olhou para ele sorrindo.
Vincent: Você gosta de animais?
Ele disse aproximando o rosto do dela.
Gleyci: Muito, principalmente os ferozes com o olhar desafiador.
Ela mordeu o lábio inferior.
Vincent: E das cobras, você gosta?
Ela balançou a cabeça e olhou para o meio das pernas dele enquanto Vincent sorria de canto.
Vincent: Das bem grandes e grossas?
Gleyci: Hmm… São minhas prediletas.
Vincent: Já que gosta de cobras, olha para trás que tem uma enorme bem ao seu lado.
Ele passa o cipó nas pernas dela e Gleyci levanta aos berros e pulando. Vincent riu tanto dela se debatendo, ele levantou e foi em direção à porta dos fundos ainda rindo. Ela foi atrás ainda se perguntando onde estava a cobra, até que se deu conta que não passou de uma brincadeira de Vincent para cortar o fogo. Vincent seguiu para outra parte da casa e ela teve um surto na cozinha.
Gleyci: Que idiota você é, Gleyci! Mil vezes estúpida! Já vi que esse vai ser difícil, mas não será impossível.
Alessandra, Lúcia e Joana ainda estavam vendo os acessórios, o único que estava na sala com elas era Herbert. Vincent passou e falou com todos antes de ir para o quarto dele. Ele tomou um banho longo e, ao sair do banheiro, vestiu-se e desceu para a sala, onde todos estavam reunidos, exceto Joana e Alessandra, que estavam no quarto conversando.
Alessandra: Então a Marcela disse isso?
Joana: Disse sim, patroa, com todas as letras.
Alessandra: Obrigada por me defender, Joana. Pode deixar que vou falar com a Marcela. Fez bem em me contar. É bom saber que posso confiar em você.
Joana: Claro que a senhora pode. Acha que não sou grata por tudo o que me fez? Me deu este emprego mesmo eu não sendo formada, me ensinou tudo e tem muita paciência comigo.
Alessandra sorriu e abraçou Joana.
Mais tarde, todos estavam reunidos para o jantar. A mesa estava em silêncio, então Alessandra tratou de iniciar a conversa.
Alessandra: Bem, fiquei sabendo que durante o almoço não faltou conversa nesta mesa, mas agora todos estão tão calados... concorda, Marcela?
Neste momento, o clima ficou pesado na mesa, e o único que não entendeu foi Vincent. Marcela terminou de beber a água que estava engolindo quando Alessandra a chamou atenção e colocou o copo na mesa.
Roger: Pelo que vejo, há um fofoqueiro entre nós.
Alessandra: Cale-se, eu quero ouvir a Marcela.
...(Marcela)...
Vincent: Desculpem, mas o que aconteceu? Por que não fiquei sabendo de nada.
Alessandra: Vamos lá, Marcela. Você não é a dona da verdade. Conte ao Vincent qual foi o assunto enquanto estávamos fora mais cedo.
...(Alessandra)...
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Atualizado até capítulo 102
Comments
Maria Helena Pereira
Tomara que a Alessandra descubra a cobra que a Gleicy é
2025-01-10
0
Elaine Schmidt
Por que isso saiu tão duplo sentido,!/Facepalm//Facepalm//Facepalm//Facepalm/
2025-01-23
1
Mayara santos
lá vem a falsiane 🤮🤮
2025-01-24
0