Começamos os exercícios para a recuperação do Henrique, os profissionais foram muito competentes. Henrique chegou a chorar de dor, mas não desistiu. Dona Liz ligava-me para saber dele, eu tive que mentir, não pude transmitir-lhe a alegria que estava a sentir ao ver como o Henrique estava a evoluir.
Nasceu em nós um sentimento de amizade, ele é muito respeitoso, não veio com segundas intenções. Sempre soube o seu lugar, Não parece. Nada o Henrique que me descreveram. Penso que se ele foi, agora a maturidade chegou e o pegou de vez.
Ele aprendeu a comer, parecia uma criança aprendendo a levantar a colher e colocar na boca, as suas pernas ainda não estão fortes o suficiente para ele poder andar sozinho, mas o profissional que o acompanha, disse que não demora e ele poderá andar de moletas, já até providenciei um par para ele.
Tive que ir à cidade comprar algumas roupas, pois as dele estavam perdidas, já que ele ganhou peso. Não foi uma tarefa fácil, pois eu não sabia como um homem do porte dele se vestia, tentei ser o mais competente possível e penso que ele gostou das roupas, ou pelo menos fingiu bem, já que as usa sem reclamar.
O melhor é que está a chegar o verão e as paisagens estão a ficar lindas novamente, já me acostumei em morar aqui e sentirei falta desse paraíso.
Não sei o que se passa na cabeça do Henrique, mas ele não descansa, tenta diariamente melhorar, ele não entende porque os pais dele ainda não voltaram aqui, um ano que se foram e até agora não voltaram.
Henrique- Mariana, posso te pedir um favor?
Mariana- claro que pode.
Henrique- me ajude a sair um pouco, quero sentir o calor do verão, sentir o chão debaixo dos meus pés, quero poder ter contacto com a natureza, sei ser difícil com a cadeira, mas eu posso ajudar.
Mariana- não se preocupe, vamos pela calçada que tem na lateral do jardim. Ali tem um banco onde podemos conversar e apreciar a natureza.
Os dois vão até o jardim, muito bem cuidado, sentam-se e permanecem em silêncio por um bom tempo.
Mariana- Aqui é tão gostoso, sentirei falta desse lugar, pois foi aqui que pela primeira vez encontrei paz.
Henrique- Encontrou paz? Mesmo com tamanha responsabilidade?
Mariana- Sim, pela primeira vez fui tratada com respeito. Apesar do que os nossos pais fizeram, a sua mãe tratou-me com respeito e nunca me maltratou. Depois foram embora e ficamos só nós, então comecei a sentir-me só, mas tinha os enfermeiros, a professora e as pessoas que cuidavam da casa.
Henrique- deve ter se divertindo muito com eles. (risos)
Mariana- Não me diverti, mas aprendi muito, pude absorver um pouco da cultura, conhecer as comidas, costumes, histórias. Penso que posso até escrever um livro.
Henrique- Já pensou? A esposa comprada do inválido vegetativo?
Mariana- a nossa! Não fala assim, você curou-se, respeite a sua história, respeita a tua garra e força de vontade para superar os obstáculos.
Henrique- Sim, eu respeito, foi só uma frase infeliz dessa história que não trouxe muitos benefícios a nenhum de nós dois.
Mariana- Mas com certeza aos meus pais, trouxe. Já que o valor cobrado foi maior que o débito da dívida.
Henrique- Pelo menos valeu mais.
Mariana- Não brinca com coisa séria.
Henrique- Mariana, eu nunca tinha me sentido assim, mulher nenhuma nunca tinha me respeitado como você me respeita. Nunca fez nada por mim, era tudo troca de favores. Eu era o presidente da empresa do meu pai, sempre bem-visto como o rei do nosso império. Mas agora eu estou a gostar de ser simplesmente o Henrique.
Mariana- Como assim era o presidente? Não era seu irmão?
Henrique- Não, meu irmão era muito centrado nos negócios, super competente, mas ele não tinha vocação para falar com as pessoas.
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Atualizado até capítulo 60
Comments
Cristiane Paes Fagundes
esse irmão deve ter feito alguma coisa....
2024-07-31
8