Liz
Enquanto estou concentrada na explicação do professor Jorge à nossa frente, ele chama todos os alunos para participar da atividade prática. Sobre a mesa, um pequeno cachorro da raça pinscher aguarda pacientemente. A tarefa é simples: o cãozinho precisa tomar três injeções, e o professor escolheu a dedo os alunos para realizar o procedimento, incluindo eu.
A dinâmica segue seu curso até chegar minha vez. Fico em dúvida sobre qual agulha pegar para o procedimento, pois não tive a oportunidade de observar as agulhas que meus colegas utilizaram. Isso, claro, faz parte do teste para avaliar nossa capacidade e decisão rápida.
Rapidamente, escolho uma agulha que, aos meus olhos, parece a mais apropriada para a tarefa. Ao me virar, percebo que todos na sala arregalam os olhos, inclusive o cachorro, que me observa com olhos arregalados. Ele desvia o olhar para a agulha em minha mão e emite um pequeno gritinho fino antes de pular da mesa e sair correndo.
Ao encarar a cena diante de mim, percebo que minha escolha não foi a mais acertada. A agulha enorme pareceu a melhor opção para mim, mas o susto do cachorro e os olhares surpresos dos colegas indicam que talvez tenha cometido um pequeno equívoco.
A situação se torna um misto de constrangimento e risadas na sala, enquanto o cachorro foge como se estivesse escapando de um grande perigo, deixando-me com a agulha na mão e a consciência de ter feito "merda" na atividade proposta.
O professor Jorge, negando com a cabeça como se não pudesse acreditar, me olha e diz:
— Liz, essa agulha é para cavalos, querida.
O constrangimento toma conta de mim, e a sala começa a rir da situação inusitada. Um dos alunos, entre risadas, comenta:
— Tá explicado porque o pobre cachorro fugiu. Olha o tamanho dele para essa agulha aí, até eu iria correr.
As risadas se espalham pela sala, e eu tento disfarçar o embaraço, guardando a agulha de proporções exageradas. O cachorro, agora distante e seguro, observa a cena como se fosse a última vez que se aproximaria de uma mesa de injeção.
O professor Jorge, recuperando o tom sério, continua:
— Bem, acho que aprendemos a importância de escolher a agulha certa para cada situação. Liz, da próxima vez, talvez opte por algo mais apropriado para um pinscher.
A lição é aprendida da maneira mais divertida possível, e o episódio serve como um lembrete de que, mesmo em atividades práticas, é preciso considerar todos os detalhes, incluindo o tamanho do paciente e a escolha adequada do instrumento. A sala de aula, agora envolta em risos, retoma a normalidade, e eu, levo essa experiência singular como uma história para contar.
Apesar do episódio constrangedor, percebo que preciso me esforçar ainda mais, pois minha paixão por cuidar da saúde de animais é genuína. A experiência com a agulha de tamanho desproporcional serve como um lembrete de que, mesmo nas situações mais desconcertantes, a determinação em aprimorar minhas habilidades é fundamental.
(...)
Após o término das aulas, retorno para casa pedalando minha bicicleta, aproveitando o sol que ilumina o caminho e o asfalto quente. A brisa suave acaricia meu rosto, proporcionando uma sensação revigorante de liberdade com o movimento contínuo dos pedais.
Durante o percurso habitual até minha casa, a lembrança da conversa com Bernardo invade meus pensamentos. Ele combinou de passar em minha casa hoje à noite. Ao chegar em casa, estaciono a bicicleta e abro a porta.
A atmosfera acolhedora do lar contrasta com a inquietação que carrego. A sala, iluminada pelos raios suaves do sol, oferece um refúgio tranquilo, mas a lembrança da mensagem persiste como uma visita indesejada e incômoda.
No entanto, decido temporariamente deixar esses pensamentos inquietantes de lado, mantendo a esperança de que a visita de Bernardo traga a tão necessária luz a essa situação intrigante.
Com esse propósito em mente, encaminho-me para o banheiro, onde tomo um banho rápido, permitindo que a água leve consigo um pouco do peso mental que carrego.
Visto-me com uma roupa mais folgada, buscando um conforto que possa acalmar a ansiedade que ainda persiste. A cozinha recebe minha atenção, e rapidamente preparo uma refeição leve e nutritiva. Enquanto corto os ingredientes e escuto os sons familiares da preparação da comida, tento desviar minha mente da intriga que me acompanha.
Mesmo trabalhando em home office, há uma rotina a ser seguida. Após a refeição, ligo meu computador precisamente na hora estipulada para começar a trabalhar no chat da empresa, ao qual atuo.
As responsabilidades profissionais exigem meu foco, e mergulhar nas tarefas diárias serve como um meio de acalmar os nervos enquanto aguardo a chegada de Bernardo e a possível resolução do mistério que envolve a mensagem enigmática.
Mergulhada nas demandas do trabalho, presto assistência aos clientes da empresa por meio do chat. A tela do meu computador, em um momento de instabilidade, começa a piscar, dando a impressão de travar por um instante. Rapidamente, a normalidade retorna, pelo menos era o que eu pensei, até que a mensagem misteriosa surge no chat:
"Olá Liz!"
Uma respiração rápida escapa de mim, e um acesso momentâneo de raiva toma conta. Furiosamente, meus dedos voam sobre o teclado enquanto digito:
"Olha aqui, seu maluco, seja quem for, acho melhor parar com essa palhaçada."
A tensão no ambiente virtual é palpável, e a incerteza sobre quem está por trás dessas mensagens intrusivas adiciona um elemento desconfortável ao meu dia de trabalho.
Enquanto a tela do meu computador exibe a resposta desse desconhecido, a sensação de desconforto aumenta. A audácia desse indivíduo em invadir meu ambiente virtual de trabalho com mensagens intrigantes é desconcertante. Ele responde à minha reação inicial com uma pitada de humor sórdido:
"Desculpa, nem me apresentei, me chamo Intruso! 🙃"
Respiro fundo, passando a mão no rosto enquanto tento manter a calma. Um pensamento maluco surge em minha mente: será que isso é obra de algum ex-ficante querendo me sacanear? Com um suspiro, tento dissipar a irritação e, com um sorriso sarcástico, respondo:
"Que escolha interessante de nome, não é mesmo? Para alguém que invade até meu ambiente virtual de trabalho, acho que seu nome é realmente sua marca, e diz muito sobre você. Agora, vou pedir com educação: seja lá quem for, não me interessa, então suma daqui! 👋"
Apesar de minhas tentativas de manter uma postura firme, a incerteza sobre a verdadeira identidade desse "Intruso" adiciona um elemento de desconforto ao meu dia, transformando meu ambiente de trabalho em um cenário inusitado de desafios virtuais.
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Atualizado até capítulo 39
Comments
Bred
Viciante /Drool//Drool//Drool//Drool//Drool/
2024-02-22
1
William
Muito bom mesmo./Casual//Beer/
2024-02-22
1
Cléo
Simplesmente perfeito /Kiss/
2024-02-21
1