Olho assustada para o homem na minha frente, aquele era Tomás Lobato o herdeiro direto das indústrias Lobato e Company.
Tomás, que naquele momento vestia apenas um samba canção, era um homem de 35 anos,alto,forte, pele clara,de cabelos cor de mel e olhos no mesmo tom,um maxilar bem marcado e olhar sedutor. Um belíssimo exemplar do que eu poderia chamar macho alfa.
Aquele olhar penetrante e presença física marcante me deixaram intimidade e de pernas bambas ,poderia ser a carência devido os últimos meses com sexo escasso no casamento? Provavelmente. Mas o fato era que Tomás Lobato era um deus grego. Retorno à realidade depois de um grito dele.
— Ei! É surda? Preciso que reponha o bar na sala. Agora!
Imediatamente toda a atração que senti esfriou devido ignorância daquele homem.Por mais que Sérgio fosse arrogante e tenha agido como um canalha no final do relacionamento, durante o nosso casamento nunca me tratou mal,não foi o mais romântico dos maridos ,mas sabia como falar comigo,até porque conhecia o meu temperamento forte.
— Desculpe Senhor,o meu horário já acabou e estava me retirando.
— Não me interessa se você estava se retirando, exijo que me sirva agora!
Respirei fundo, e repeti pausadamente e num tom mais alto a frase anterior.
— Desculpe Senhor, meu horário acabou estou me retirando!
Ele se aproxima e agarra o meu braço com força, me suspende no ar já que ele é muito mais alto do que eu. Sinto o forte odor de whisky misturado com o aroma de perfume de nicho usado por Tomás. Com certeza está bêbado!
— Olha aqui,você é paga para me servir e quando eu precisar você tem que atender! Insolente!
— Acontece que já fui dispensada pela governanta e tenho compromisso. Com licença! Solto o meu braço que fica ardendo.
— Você sabe com quem está falando? Tomás olha incrédulo pra mim.
— Sei sim ! E também sei que o senhor está violando algumas leis trabalhistas,como por exemplo assédio moral. Estou indo,boa noite e até amanhã!
Eu vou em direção à porta depois de pegar as minhas coisas e ele diz:
— Não precisa se dar ao trabalho de voltar amanhã, está demitida!
— Como queira! Bato a porta e saio. Na caminhada até área da propriedade reservada aos funcionários, vou pensando em um milhão de coisas,como pude deixar que o meu sangue quente jogasse uma oportunidade de ouro no lixo? Como eu sou burra!
Chegando em casa olho aquelas caixas e sacos espalhados e penso que é melhor eu tomar um banho e dormir, pois do mesmo jeito que essas coisas estão agora,irão sair daqui. Depois do banho caio na cama e apago,amanhã é outro dia e pensarei no que fazer.
Na manhã seguinte, logo depois de me vestir ouço batidas na porta. Era Cora,com uma cara espantada.
— O que aconteceu na noite passada? Tomás, foi até os meus aposentos aos berros exigindo que você fosse demitida e saiu transtornado.
— Ele não te contou o que aconteceu ?
— Não, eu estava cochilando e acordei muito assustada com os gritos dele.
— Pois bem, olha isso aqui. Mostro o meu braço para ela um pouco vermelho. O seu patrão segurou no meu braço com força e exigiu que o servisse mesmo explicando que meu horário havia acabado. Ele estava bêbado e muito agressivo.
Cora, dá um longo suspiro e balança a cabeça negativamente.
— Vai dar queixa dele?
— Nem cogitei,estou com tantas problemas para resolver...não quero mais um.
— Eu vou conversar com Tomás, ele não tem passado muito bem ultimamente, não é desse jeito. Os últimos acontecimentos o deixaram transtornado.
— Me desculpe Cora, sei que você o criou como um filho,mas o pai com câncer não é motivo para ele agir dessa forma. Muitas pessoas no mundo passam pelo mesmo problema e sem as condições financeiras que ele tem.
— Se fosse só isso minha querida... se você ainda estiver disposta a permanecer aqui eu posso conversar com ele. Mas a escolha é sua,se não sentir-se confortável na casa,e com toda razão, pode ir, está tudo bem.
Pensei bem,não estava em condições de manter o orgulho. Precisava do emprego e da moradia. E aceitei que Cora intecedesse ao meu favor.
— Ele estava bêbado ontem, provavelmente não se lembra de nada ou de pouca coisa. Vou fazer o que for possível e explicarei as suas condições para ele. Acredite Suzana, Tomás não é um homem mau.
Na verdade não me interessava saber se ele era bom ou mau. Preciso do emprego e da casa, também quero que nunca mais este homem toque em mim. Cora se vai e pede pra eu permanecer na propriedade dos funcionários até ela voltar com uma resposta.
......................
Cora entra no meu escritório.
— Com licença meu menino!
—Quando você me chama de meu menino sei que deseja algum favor. Digo.
— Vim falar sobre o que aconteceu ontem entre você e a nova copeira.
— Eu nem me lembro direito o que aconteceu, mas me lembro muito bem da insolência dela e a quero na rua!
— Eu fui até ela essa amanhã, o braço dela ainda está vermelho. Você lembra o que fez?
— Vagamente,mas lembro que eu acabei perdendo a cabeça diante de tanta arrogância de uma funcionária doméstica. Ela vai prestar queixa? Uso um tom preocupado.
— Não. Ela já está cheia de problemas e não quer mais um. E é exatamente por isso que venho lhe pedir para reconsiderar o pedido de demissão. O nome dela é Suzana irmã de uma amiga minha que acaba de se divorciar e ter um filho pequeno, o marido roubou todos os bens do casal e a deixou na miséria sem nem mesmo ter um teto.
— Bens? disse Tomás.
— Sim, eles possuíam dois restaurantes muito bem frequentados, tinham uma vida confortável. O marido saiu de casa para morar com a amante mais jovem e levou todos os bens, incluindo a casa. Suzana é uma mulher estudada,culta, que abriu mão de toda a sua carreira para se dedicar a família e como pagamento recebeu traição. Por isso peço que reconsidere, aliás, você também não agiu de forma correta não é?
Olho para o alto, ficou em silêncio por alguns segundos e respondo em sequência:
— Tudo bem! Mas avise para ela não aparecer perto de mim, que entre e saia como assombração, sem ser vista.
— Tudo bem meu querido. Obrigada! Você está fazendo um grande bem na vida dessa moça.
Somos interrompidos por batidas na porta, era Silvério um dos advogados da família Lobato.
—Entre Silvério! Estou aqui resolvendo alguns assuntos domésticos. Já estou a caminho do escritório no centro da cidade.
— Bom dia Senhor ! Bom dia Cora! Venho tratar de um assunto do seu maior interesse à pedido do seu pai.
— Do meu pai? Quando ele falou com você? digo surpreso.
— Vou deixá- los à sós. Disse Cora.
— Não! bradou Silvério, Permaneça aqui Cora, vou precisar da sua ajuda.
— Você está me assustando, o que está acontecendo? digo muito confuso e já me alterando. Silvério continua:
— Há três meses atrás depois do seu aniversário de 35 anos, o seu pai me procurou para incluir umas cláusulas no Testamento dele e uma dessas cláusulas é relacionada diretamente a você. O seu pai diz que só herdará as fábricas, o escritório e todas as demais propriedades se estiver casado até a morte dele. Casado e com uma família consolidada, verdadeira, caso contrário toda fortuna será distribuída entre instituições de caridade.
Mudo de cor e permaneço em choque.
— Como assim casado ? Eu não não tenho desejo de casar, não depois de tudo o que aconteceu comigo e vocês dois sabem muito bem. Como meu pai poderia fazer isso comigo?
Cora tenta me acalmar e justifica.
— O que passou já foi, você não pode deixar que isso te afete, não pode deixar que isso estrague a sua felicidade, você ainda é muito jovem!
— Que felicidade Cora? Casar forçado?
— E a Eduarda? Tomás, ela é tão apaixonada por você, está sempre por aqui, case-se com ela. disse Silvério.
— Aí é que está, eu não sou apaixonado por ela, não quero me casar com ela e nem com ninguém- respiro fundo e continuo - E qual é o prazo que eu tenho para cumprir essa cláusula?
— Como eu disse anteriormente até a morte do seu pai, mas sabemos que isso é impossível de se calcular ainda mais nas condições de saúde que ele se encontra. Sugiro que você haja o mais rápido possível se não quiser ficar na total miséria.
— Saiam por favor! Preciso pensar um pouco.
Assim que Cora e Silvério se retiram, penso exaustivamente no que fazer, levanto, sento, mexo nos livros, olho pela janela e não consigo encontrar uma solução até que olhando para a mesa do escritório encontro os papéis referentes ao contrato de Suzana e tenho um estalo. Lembro de toda a história dela contada por Cora e vejo nessa situação uma luz no fim do túnel.
Passo uma mensagem para Cora e peço para enviar Suzana o mais rápido possível ao meu escritório.
Cora até pensou que na raiva eu voltei atrás e a mandaria pessoalmente embora ,ou pediria desculpas para evitar problemas com a justiça futuramente.
— Entre Suzana,está tudo bem. Já falei com ele. Deve estar querendo esclarecer o ocorrido de ontem.
......................
Tensa,adentro o escritório muito bem decorado, com móveis clássicos de madeira maciça de primeira qualidade. Tomás está em pé olhando pela janela. Ele veste um elegante terno de linho grafite e gravata bordô,estava muito bonito e introspectivo.
— Sente-se. Suzana não é?
Apenas aceno afirmativamente com a cabeça.
—Cora conversou comigo sobre o ocorrido de ontem e explicou a sua situação e está tudo bem. Vou relevar tudo o que aconteceu e aproveito para me desculpar pela forma como falei e toquei em você.
— Tudo bem senhor. Vamos esquecer esse episódio infeliz. Posso retornar ao meu trabalho?
— Ainda não.
Que bosta, o que será que ele vai falar? Aposto que é para pedir que eu não o denuncie.
— Tenho uma proposta para lhe fazer.
Sabia! vai querer comprar o meu silêncio. Mas me faço de desentendida.
— Qual proposta senhor?
— Case- se comigo!
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Atualizado até capítulo 71
Comments
Elisangela Maria
mulher, que burrice foi essa
2025-03-31
0
Michelle Barreto
direito né
2025-03-26
2
Rosa Hosana Santos
ele é corajoso vai despertar a fera na hora mais vai aceitar
2025-03-10
1