Hoje, enquanto as lágrimas ainda mancham minhas bochechas, sento-me sozinha em meu quarto, cercada pela penumbra. Minha mente está em tumulto, um turbilhão de emoções que ameaça me engolir a cada segundo que passa. Seguro meu diário com força, a caneta tocando o papel como uma extensão de minha raiva e tristeza. As palavras fluem de mim como um rio revoltoso, uma torrente de sentimentos que não consigo conter.
O que meu pai espera de mim? O que ele quer que eu seja? Uma marionete em seu teatro de aparências, um fantoche dançando conforme suas cordas invisíveis? Não, eu me recuso a ser isso. Recuso-me a aceitar um destino que não é meu, uma vida que não foi escolhida por mim. Mas, mesmo com minha determinação, sinto-me presa, encurralada em uma gaiola dourada, onde as grades são feitas de expectativas e obrigações.
Meu coração está dilacerado entre a lealdade que sinto por meu pai e a fúria que arde dentro de mim. Ele acredita que pode moldar meu futuro, decidir quem eu devo amar, como se fosse uma mercadoria a ser trocada em um mercado. Mas não sou uma peça em seu tabuleiro de xadrez. Sou uma mulher, uma pessoa com sonhos, desejos e sentimentos próprios. E ainda assim, aqui estou eu, confrontada com a escolha impossível que ele me impôs.
A caneta raspa no papel enquanto deixo minha indignação fluir. Cada palavra é um grito silencioso de revolta, uma tentativa de liberar a tempestade que ruge dentro de mim. Escrevo sobre o amor que sinto por Mario, um amor genuíno e profundo, mas que não se transformou em paixão romântica. Escrevo sobre meu desejo de encontrar um amor que me faça sentir viva, um amor que seja meu, não um contrato frio e calculado.
Lágrimas caem sobre o papel, manchando as palavras com a dor que carrego. Sinto-me como uma borboleta engaiolada, minhas asas cortadas antes mesmo que eu pudesse voar livremente. A raiva queima em minhas veias, uma chama que se recusa a se apagar. Eu mereço mais do que isso. Mereço um amor que me consuma, que me faça perder o fôlego e enxergar as estrelas. Mereço uma vida que seja minha, não uma sombra da vida que meu pai escolheu para mim.
Enquanto escrevo, sinto uma mistura de desespero e determinação crescer dentro de mim. Não posso deixar meu pai decidir meu destino. Não posso me render ao que ele quer para mim, mesmo que isso signifique perder tudo o que conheço. Estou disposta a lutar, a lutar pelo direito de escolher quem eu amo e como eu quero viver.
No silêncio sufocante do meu quarto, prometo a mim mesma que encontrarei uma saída. Não importa o que aconteça, não importa quantas lágrimas eu derrame no caminho, eu irei atrás do amor que meu coração anseia. Minhas palavras podem ser apenas tinta no papel agora, mas são uma promessa que faço a mim mesma, uma promessa de que eu sou mais forte do que as amarras que tentam me prender. Eu sou Valentina Ruscher, e meu destino pertence somente a mim.
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Atualizado até capítulo 89
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