Na penumbra do entardecer, os corredores luxuosos da mansão Ruscher guardavam mais do que segredos de família. E naquela noite, o silêncio que normalmente envolvia a casa foi quebrado pelo som de passos decididos, ecoando pelas paredes adornadas de ouro. Augusto, o contador da vasta empresa de Rogerio Ruscher, viu algo que o deixou profundamente inquieto: uma série de gastos excessivos nos cartões de crédito de Valentina. Ele não poderia ignorar a discrepância flagrante entre as despesas da jovem herdeira e os registros financeiros da empresa. Determinado a esclarecer a situação, Augusto subiu as escadas com um misto de nervosismo e resolução.
Ao adentrar o quarto de Valentina, Augusto encontrou a jovem mulher, seu rosto refletindo a luz suave das velas. A tensão no ar era palpável, um presságio de uma tempestade iminente. Ele começou, com voz firme, a questionar os gastos extravagantes, buscando entender as razões por trás da aparente falta de contenção financeira.
O quarto que uma vez foi sinônimo de tranquilidade agora se tornava o palco de uma explosão de emoções contidas. Valentina, com sua beleza estonteante e olhos faiscantes de raiva reprimida, encarou Augusto com determinação. As palavras eram lançadas como flechas, atingindo seus alvos com precisão. O silêncio da mansão foi quebrado pelas trocas de ofensas, cada palavra proferida carregada de ressentimento e desespero.
Rogerio, ao ouvir a discussão de longe, sentiu seu coração se apertar com a magnitude da situação. Ele sabia que algo estava profundamente errado, algo que ele havia negligenciado como pai. O confronto entre sua filha e seu leal contador era um eco das próprias falhas dele como pai. O sentimento de impotência se misturou com a frustração, enquanto ele via a família quebrando diante de seus olhos.
As palavras continuaram a voar, criando uma atmosfera sufocante. Valentina, em sua revolta, expressou não apenas sua insatisfação com a falta de atenção paterna, mas também sua angústia em relação às expectativas injustas que a vida lhe impusera. Augusto, por sua vez, representava a voz da razão, a consciência financeira que tentava manter a estabilidade em meio ao caos emocional.
A discussão deixou uma ferida profunda na mansão Ruscher. O silêncio que se seguiu era mais ensurdecedor do que qualquer palavra proferida. A família, agora dividida e dilacerada pelas palavras não ditas e emoções reprimidas, enfrentava uma encruzilhada. O que aconteceria a seguir permanecia tão incerto quanto o futuro das estrelas no céu noturno, enquanto a mansão silenciosa testemunhava o colapso de anos de tensões acumuladas.
Valentina sabia que gastava muito, bem além da conta, porém era a maneira que ela encontrou, para aliviar a saudade que tinha pelo o pai, mas nem todo o dinheiro ou luxo do mundo preenchia a saudade que o pai deixava na vida dela. Por outro lado Rogerio sábia que tinha uma parcelada, de culpa pela filha ser assim, suas viagens, seus trabalhos parecia ser mas importantes, do que a própria filha, mas bem la no fundo Rogerio só não queria lembrar da sua falecida esposa.
Pois Valentina era a cópia feita da mãe, que era uma bela mulher de longos cabelos, loiros e lisos, olhos verdes, pele parecia de porcelana.
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Atualizado até capítulo 89
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