Sentada em minha penteadeira, com a luz suave das velas dançando ao meu redor, mergulhei nas profundezas da minha própria alma. Minha vida, um conto de riqueza superficial e profunda solidão, se desenrolava diante de mim como um livro aberto. Meu pai, um estranho em nossa própria casa, pairava como uma sombra constante em meu coração. Ele era um CEO para o mundo, mas para mim, era um vulto distante, um eco distorcido de amor que nunca conheci.
As festas glamorosas e os vestidos deslumbrantes serviam apenas como uma máscara para a tristeza que se aninhava dentro de mim. A ausência de um verdadeiro amor paternal era uma ferida que não cicatrizava, um vazio que nem toda a riqueza do mundo poderia preencher. Cada risada falsa que ecoava pelas paredes douradas era um eco doloroso da minha própria solidão.
E então, havia ele. Lorenzo. Seu nome era como uma canção suave que tocava em meu coração, uma melodia de esperança e amor em meio ao silêncio ensurdecedor da minha existência. Seus olhos, profundos como o oceano, me observavam de longe, mas eu podia sentir a intensidade do seu olhar, mesmo à distância.
Nossos encontros eram como estrelas cadentes em uma noite escura, rápidos, mas intensamente brilhantes. Quando eu o vi pela primeira vez, ele era apenas um entregador de pizza, mas seu sorriso era como o sol rompendo as nuvens de um dia chuvoso. Ele trouxe consigo um calor que há muito tempo estava ausente da minha vida. Seu toque, mesmo que apenas em um sonho, era suave como a brisa da primavera, mas deixava uma marca ardente em minha pele.
Naquela noite há uma década, sob as estrelas que pareciam sorrir para nós, eu o encontrei. Seus olhos, profundos como o universo, me prenderam de uma maneira que nenhuma palavra poderia descrever. Ele era a minha estrela cadente, o desejo secreto do meu coração, mas o mundo cruel conspirou para nos separar.
As noites solitárias eram passadas sonhando com ele, imaginando um mundo onde as barreiras sociais não existiam, onde o amor podia florescer livremente. Em meus sonhos, ele era meu porto seguro, minha âncora na tempestade, meu refúgio secreto onde eu podia ser eu mesma, sem as correntes da sociedade a me prenderem.
A cada suspiro noturno, eu rezava para que nossos caminhos se cruzassem novamente. Minha paixão por ele era como uma chama ardente que queimava em minha alma, uma luz em meio à escuridão que me cercava. Eu desejava abraçá-lo, contar-lhe sobre todas as minhas dores, compartilhar com ele os segredos do meu coração, mas a realidade fria e implacável me impedia de fazê-lo.
E assim, sentada em minha penteadeira, enquanto a lua derramava sua luz prateada sobre mim, eu me entregava à minha tristeza e ao meu amor impossível. Eu rezava para que, de alguma forma, as estrelas alinhassem nossos destinos, permitindo-nos transcender as barreiras que nos separavam e nos unir em um amor que era tão puro e intenso quanto as próprias estrelas que iluminavam o céu noturno.
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Atualizado até capítulo 89
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