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(Ronald voltou)

Estava recolhendo suas ferramentas para voltar para casa e dar um beijo na barriga de sua linda Megan, quando de repente avistou um clarão no meio da imensa plantação de algodão

— O que é aquilo? Nossa, que estranho

Um clarão que ele nunca tinha visto, apareceu de repente no meio do algodão, isso o deixando intrigado, Robinson sempre foi um homem prudente e cauteloso, mas não poderia deixar de verificar tal fenômeno, até porque era em sua propriedade

Ele se aproximou calmamente e percebeu que a luz ficava cada vez mais intensa, notou também o silêncio que pairava no ar, não podia se ouvir sequer um grilo, nem coruja fazia barulho, até o vento se acalmou diante da imensa luz.

Quando Robinson chegou mais perto percebeu que a luz na verdade era uma espécie de máquina de metal (disco)

— Meu Deus! O que será isso?

Lentamente as luzes foram ficando mais baixas, evidenciando a máquina de metal, e Robinson não se amedrontou, ele era um homem calmo mesmo diante de tal estranheza, mas de repente ao olhar pro lado viu algo surpreendente

Era um grey (extraterrestre) de baixa estatura, cor acinzentada e olhos enormes

Robinson se apavorou e correu sem olhar para trás, mas quando estava perto do portão de madeira uma força o levou ao chão, ele abriu os olhos extremamente assustado e notou que não havia máquina alguma, que não havia luz alguma.

— O que foi isso? Que droga, estou todo sujo de barro, não acredito que caí no sono aqui no meio do algodão, que sonho maluco

Ele se levanta consciente e com a certeza de que tudo teria sido um sonho maluco, que nada tinha sido real, mas ao olhar para baixo percebeu algumas marcas estranhas em sua mão esquerda, mas colocou na conta de ter caído no meio da plantação de algodão

Robinson chegou em sua casa um pouco envergonhado, pois estava todo sujo de lama, mas a vontade de ver sua amada era enorme, fez com que ele não ligasse para o acontecido, com seu coração cheio de amor entrou gritando

— Megan! Megan! Megan!

cadê você meu amor?

Chama por sua esposa, mas nada dela aparecer, quando já estava a beira do desespero eis que calmamente Megan entrou pela porta do fundo da casa, mas o seu semblante estava muito diferente, parecia estar em transe

— Megan meu amor, onde você estava?

Gradualmente sua esposa começava a acordar do transe, ao mesmo tempo começava a chorar, uma tristeza pairou no ar

Eles disseram que nosso filho é deles, Robinson, eles colocaram a mão em minha barriga e disseram que iriam voltar, o que vamos fazer amor? O que está acontecendo? Não deixe eles levarem nosso bebê.

— Quem? Quem? De quem você está falando? Que história é essa? Ninguém vai pegar nosso filho, mas me diga quem falou isso?

Aquelas (criaturas) eles falaram que já lhe marcaram, olhe sua mão, veja se tem alguma marca querido

Megan mostrou as marcas em sua mão, e eram as mesmas que tinham em Robinson, só naquele momento ele pôde enxergar que não tinha sido um sonho, era real, tudo o que tinha passado lá fora, era real, a máquina, o ser estranho, tudo

— Meu Deus foi real, meu deus! O que está acontecendo

O casal ficou apavorado, mas com o longo dos dias tudo tinha voltado ao normal, aquela noite horrível não tinha saído da cabeça do casal, mas nunca mais os seres estranhos tinham aparecido

Passaram-se 9 meses e o grande dia chegou, as contrações aumentavam e Robinson se preparava para chamar a parteira

— Não me deixe sozinha Robinson por favor, estou com medo, você não lembra? Eles disseram que voltariam, eles vão levar nosso filho

— Esqueça isso amor, já faz muito tempo, aquilo não aconteceu, você sabe que tenho que chamar a parteira, nosso bebê já está vindo ao mundo.

Mesmo com a negativa de Megan ele foi buscar a parteira para trazer seu filho ao mundo, sua euforia era enorme, pois era seu filho Ronald que estava prestes a estar em seus braços

Depois de 20 minutos Robinson chegou com a parteira em sua casa, mas quando chegaram no quarto se deparam com uma cena horrível

Era Megan no chão desacordada, com o cordão umbilical rompido em seu colo o volume de sangue era aterrorizante

— Amor, o que foi? Meu Deus, cadê o nosso filho? Vamos diga.

E como da primeira vez, ela foi gradualmente tomando consciência, e ao lembrar do que aconteceu entrou em desespero

— Eu falei! Eu falei, a culpa é sua Robinson, eles vieram e levaram nosso bebê, meu deus que horror, olha o que fizeram comigo

Robinson não teve forças depois das palavras de Megan, ele realmente se culpou pelo acontecido, era uma loucura tudo aquilo, mas era real, seu filho tinha sido levado por seres de outro planeta, e a imagem de sua mulher violada no chão jamais sairia de sua cabeça

O casal depois desse duro golpe da vida se desestabilizou, o amor se desfez com o sumiço do filho tão esperado, com tanta tristeza no coração, Megan definhou até morrer, era o fim de um lindo amor que o destino se encarregou de transformar em tragédia

Robinson levou sua vida com muita tristeza, nada mais fazia sentido, seu filho tinha sido raptado por seres que vieram dos céus e sua amada Megan tinha morrido de tanta tristeza, mas Robinson seguiu sua vida tendo a tristeza como sua companheira por muitos anos

(50 anos depois)

Eram outros tempos e Robinson já era um senhor com 80 anos de idade, não era mais um fazendeiro, depois da morte de sua amada Megan ele jogou tudo para o alto e foi para outra terra, outros ares, ele foi para Portugal e trabalhou como distribuidor de grãos

O agora senhor Robinson nunca esqueceu as páginas horríveis e misteriosas de sua vida, ele vivia com o fantasma da culpa de não ter o filho nem a antiga mulher a seu lado

Na verdade, a dor que corroía seu coração era a morte angustiante de sua amada Megan, vê-la definhar de tristeza cortou seu coração

A vida seguiu para Robinson que em Portugal se apaixonou novamente, e dessa vez pela bela portuguesa Maria Alcântara que com ela teve o seu filho Pedro e seu netinho augusto com agora 9 anos, e é de augusto que falaremos agora.

Certo dia o senhor Robinson estava a fumar seu cigarro de palha na varanda de sua casa, e viu que seu netinho augusto o rodeava dando a impressão de querer alguma coisa, isso já era de costume do pequeno augusto

— Meu netinho augusto, o que quer? Sempre quando está assim sei que quer algo do vovô não é?

O garotinho não sorriu como das outras vezes, ele apenas olhou no rosto de seu avô e disse

— Vovô, ele mandou dizer que está bem, falou que o senhor logo vai partir e depois voltar, mas que não pode ficar lembrando do que aconteceu, tudo aconteceu como teria que acontecer, pois tudo já está escrito começo, meio e fim

As frases colocadas pelo pequeno augusto inicialmente não faziam sentido para seu avô

— Meu neto está falando bonito, estou orgulhoso de você, mas o vovô não entendeu nada.

— Estou falando de Ronald vovô, seu filho, lembra? Lá do Texas

Ele quase engasgou com seu cigarro de palha, o susto foi enorme porque agora toda a fala do pequeno augusto fazia sentido, e ainda mais, o nome do filho roubado Ronald, nem mesmo a avó de augusto sua mulher sabia da história

— Meu neto! Por favor me conte toda essa história, como sabe disso?

Ele não podia acreditar que seu neto sabia de todo seu passado e com detalhes, até o nome de seu filho roubado Ronald

— Diga meu neto, diga o que sabe

— Ele aparece pra mim vovô, faz tempo, Ronald falou que protege nossa família há muito tempo, bem antes deu nascer, mas ele é diferente de nós vovô, eu acho ele estranho, mas também acho legal, ele falou que lidera uns seres pequenos cinzas chamados greys, Ronald se parece com os cinzas, mas é maior como o senhor vovô

— Quando? Onde? Como você consegue ver ele?

As palavras do neto augusto faziam todo o sentido, tudo se encaixava, ele perguntou ao neto quantas vezes Ronald tinha aparecido para ele, o garoto contou várias passagens comemorativas da família

Depois de ouvir com atenção todas as histórias de seu neto ele resolve ir ao álbum de família verificar algum tipo de aparição em datas comemorativas como augusto tinha dito

— Meu Deus! Olha essas fotos, olha esse clarão! é ele é meu filho, é meu filho

Entram na sala, sua esposa e seu filho e estranham o estado do senhor Robinson

— O que foi papai? Meu deus o senhor está chorando, nunca vi o senhor chorar, porque está com o álbum de família nas mãos?

Diante de tamanha emoção o senhor Robinson se viu na obrigação de contar toda a sua história para sua esposa e para seu filho, todos os seus segredos

Depois de muitas passagens contadas com detalhes por seu pai, Pedro se surpreendeu com a história tão fantástica, mas maria Alcântara se sentiu traída, não gostou nada de saber que seu esposo já tivera uma mulher no passado, ela estava num misto de raiva e de preocupação, a história poderia ser uma fantasia de sua cabeça

— Que história, mas sem pé nem cabeça, como posso acreditar nisso? E se for verdade, você deveria ter dito, porque escondeu isso de mim?

— Por favor mamãe, a senhora não vê que papai está emocionado, vamos parar com tantas perguntas.

O filho Pedro compreendeu a agonia do pai e foi solidário, mas sua esposa saiu pela porta da casa enfurecida

Pai, filho e avô, ficaram na sala conversando sobre seu passado, já a senhora maria Alcântara resolveu ir à igreja

Maria Alcântara muito chateada com a revelação de seu esposo, foi a igreja do bairro pedir ao (padre) direção, ela que sempre foi uma católica fervorosa se deparava com um momento de extrema aflição

Ela achava a história de seu amado esposo muito estranha, na verdade, ela pensou que Robinson pudesse estar com alguma doença da mente, pudesse estar caducando

Chega na igreja e vê que o padre não está, quem veio lhe atender foi uma freira enviada diretamente do vaticano para ministrar um seminário na cidade, a freira se apresentou como madre Mercedes

— Oi irmã! Sou madre Mercedes, o padre ficará ausente essa semana, ele teve que viajar, essa semana faremos um seminário cujo tema será (amor) é só ele que pode lhe ajudar?

Maria Alcântara era uma senhora extremamente reservada, mas por algum motivo a madre lhe trouxe conforto e confiança para que ela pudesse conversar

— Vamos irmã! Se abra comigo, venha aqui, o que aflige a irmã?

O carinho da madre fez com que ela contasse seu aborrecimento

Depois de alguns minutos de conversa com a madre, ela se sentiu em paz, pois ouviu muitas palavras de afeto, de amor e de compreensão, mas uma coisa lhe chamou a atenção enquanto estava conversando

— Madre fiquei muito feliz e tranquila com nossa conversa, volto pra casa com o meu coração mais aliviado, mas antes gostaria de fazer uma pergunta

— Sim irmã! Fique a vontade, faça sua pergunta

— O que são essas marcas em seu braço? São iguais as do meu marido, o que significa?

São marcas de nascença, sempre quis acreditar que elas me deram sorte, acredito que vão dar sorte para seu esposo também

Maria Alcântara sai da igreja com o seu coração leve, queria se desculpar com o seu marido

Já na casa algo estranho estava acontecendo, enquanto o senhor Robinson estava a contar a história da máquina de metal, augusto escutou um barulho no quintal e quando olhou pela janela viu um clarão, um clarão imenso que o impedia de avistar um palmo à sua frente

— Ronald! Estávamos falando de você

O clarão no quintal era imenso, nem Pedro, nem seu pai podiam ver nada, mas augusto podia.

— Quem tá aí? Quem tá aí? Não enxergo nada, augusto cadê você filho? Cadê você?

Um desespero tomou conta de Pedro, que começou a gritar pelo filho

— Estou aqui, não se preocupe

De repente o clarão se desfez

— Não consegui ver nada, meu neto falou que Ronald estava aqui, foi isso?

— Ele está vovô! Ele veio levar o senhor

— Pare filho, chega, essas histórias estão deixando o seu avô nervoso, esse clarão foi algum curto na rede elétrica, vem vou te levar para o quarto

Pedro levou seu filho pro quarto deixando seu pai sentado na espreguiçadeira,

mas o senhor Robinson escutou passos em sua direção

— Pedro! é você?

Pedro não respondeu, mas uma voz sussurrou

— Sou eu pai, seu filho Ronald, vem, é hora de ir embora, tem um lugar muito bonito esperando sua alma, mas logo o senhor estará de volta...

— Meu filho! Você voltou, sua mãe ia ficar feliz em te ver

— Vem pai, fala o senhor mesmo pra ela, fique calmo, seu netinho augusto também é um escolhido

Fim

Texto de: João Damaceno Filho

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