(Conto 24)
BAIRRO LA RAMBLA
Autor: João Damaceno Filho
Ele pede a mesma garrafa, senta na mesma cadeira, e tira da bolsa o mesmo livro
Fazia tudo como um ritual, não era adepto a mudanças, adorava a sua zona de conforto, mas aquela seria uma noite diferente, Prust o novo amigo veio ao seu encontro já completamente bêbado dando gargalhadas
— O que é isso em seu rosto? Foi beijado? Olha gente a marca no rosto do Martin, uma marca de batom vermelho (risos) tá namorando é?
— Me deixe em paz, sabe que não gosto de brincadeira, por favor deixe-me em paz
O bêbado Proust estava brincando com fogo, pois Martin era discreto, odiava ser exposto ao ridículo, e aquele cenário, era o que ele mais odiava
— Pare amigo! Sabe que eu não gosto de muitas brincadeiras, deixe-me ler meu livro em paz, já te avisei
Mas Prust parecia realmente querer, confusão, já bêbado bateu a sua mão na garrafa de gin que antes de cair e se quebrar no chão molha todo o livro que ele estava lendo, isso foi a conta
— Me perdoe Martin, não queria causar tal estrago, mas o que é uma garrafa senão uma garrafa
Frases fortes que deixou o assassino com mais raiva, disse que não precisaria se preocupar, aquilo não tinha sido nada, mas Prust iria conhecer o apartamento 168
Ele pergunta se o amigo não queria jogar xadrez no seu apartamento, e o amigo já bem alcoolizado diz que sim, sem saber que a pergunta, na verdade era "você quer morrer"
Martin paga a conta e vai com o amigo bêbado jogar xadrez, antes de entrar se certifica que não tem ninguém a olhar sua entrada no prédio
Chegam no apartamento 168, e Martin logo vai buscar uma dose dupla de whisky para Proust, quanto mais bêbado o amigo estivesse, mais rápido Martin abriria o seu açougue
Ele toma a sua dose sem se dar conta que o perigo rondava-lhe, os dois começam o jogo de xadrez, e Proust começa a fazer muitas perguntas a Martin
Tais como, se ele teria filhos, se ele era casado, onde morava antes de vir para Espanha, Ele respondia de forma genérica, sem se aprofundar muito, apenas dizendo ser uruguaio
Depois do chato interrogatório do bêbado, começa o jogo de xadrez, o tempo passava e Martin esperava a oportunidade de pegar Prust de costas
O bêbado estava com o instinto aguçado aquela noite, pois não se levantava da cadeira encostada da parede em momento algum, isso deixava o uruguaio com muita raiva, ao ponto de Proust, perguntar o quê o irritava, mas Martin dizia ser o jogo
— Está tudo bem? parece-me nervoso Martín
— Impressão sua, vamos jogue, você fala demais cara
— É você está certo, falo demais mesmo
Mas por volta das 03:00, Martin vai à cozinha pegar a faca para finalizar o jogo, pois naquele momento ele já queria estar a tirar as vísceras do bêbado, o jogo já demorava muito
Mas quando voltou tomou um enorme susto, pois o bêbado já não estava mais, foi embora, naquela noite Prust não morreria, e também o açougue não abriria, Martin ainda intrigado com o sair de repente do amigo
— Como aquele idiota foi embora, perdi o meu tempo com aquele bêbado
Olhou pela janela e viu ele virando a esquina, mas dessa vez aparentando estar sóbrio, o uruguaio também notou que o whisky estava a ser cuidadosamente jogado no chão, acendeu um sinal vermelho na sua cabeça, pois aquilo não seria atitude de um bêbado
Foi dormir não só com o comportamento estranho de Proust na cabeça, como diante da frustração de não ter a sua vítima, parecia que Martin se alimentava das suas mortes, era um comportamento bizarro
No dia seguinte logo cedo recebeu a visita da enfadonha síndica do prédio, a senhora Maria Dolores, e ele sabia que visita de síndica era problema na certa
— Senhor Martin preciso marcar com o senhor para poder dedetizar o seu apartamento, pois estamos tendo muitos roedores, só falta o seu apartamento, poderia ser hoje?
Ele aceitou, mas disse que teria que ser rápido, pois tinha muito a fazer, Martin não gostava muito da ideia de ter a sua privacidade exposta, mas diante de tanta insistência da síndica, resolveu deixar
Saíram por 30 minutos, contados de relógio, para os dois funcionários da dedetizadora fazer o serviço, Martin percebe um nervosismo na síndica e pergunta
— O que há senhora? Vejo que me parece nervosa, está tudo bem?
A síndica diz que o nervosismo seria assuntos familiares que estavam-lhe preocupando, ele não acreditou muito na história da síndica, pois sabia que a mulher não tinha família na Espanha, ficou intrigado
Os homens terminam a suposta dedetização, e o uruguaio volta a seu apartamento, estava muito desconfiado com aquela dedetização repentina, algo não parecia estar correto, pois percebeu um problema, notou que não havia cheiro no apartamento
Ele sabia que poderiam ser investigadores disfarçados, para pegá-lo, e seu instinto estava certo, depois de vasculhar o seu apartamento encontrou duas câmeras escondidas na sala e também na cozinha
Martin não deixava nenhum vestígio dos seus crimes, só com filmagens ou fotografias, poderiam-lhe incriminar
Mesmo diante do perigo iminente de policiais lhe investigando ele teve uma ideia macabra que faria abrir o seu açougue, a traição da síndica não ficaria em vão, teria consequências, ele liga para síndica
— Senhora! Pode vir aqui um minuto, quero que veja algo
A senhora disse que sim, que já estava indo, sem saber, foi ao encontro da sua morte, ela não sabia com quem ela estava lidando, a síndica chega no andar de Martin e nota a porta entreaberta, ela chama
— Senhor Martin! O senhor está aí?
— Sim senhora pode entrar
E sem imaginar o que poderia-lhe acontecer, entra curiosa para saber o que ele queria, mas ao virar o corredor em direção a cozinha em frações de segundos, vê a faca vindo na sua direção, e sem tempo de reação a síndica foi golpeada na altura do pescoço
O golpe foi tão forte rompendo a veia, o sangue jorrava, ela procurava gritar, mas Martin a impedia pondo a mão na sua boca, o assassino olhava nos olhos da mulher
Após minutos de agonia, ela
morreu, Martin enfim abriu o seu açougue, a falecida síndica era solitária, morava sozinha então demoraria alguém dar por sua falta
Ao cair da noite ele sai discretamente, do prédio, olha para os lados se certificando, que ninguém o seguiria
Ele vai até a praça e deixa partes do pé da síndica no jardim, mas quando se agacha viu um clarão, Martin se assusta, se levanta rapidamente, mas não vê nada
— Que Droga foi essa? Ei! Tem alguém aí?
Não deu importância, continuou a espalhar pedaços humanos pelo bairro, e com muito atrevimento foi pro lado da delegacia e deixou partes do couro cabeludo no portão, um ato de muita afronta, vendo mais uma vez o reflexo do clarão desta vez reluzindo no portão
— Que porcaria é essa?
Martin tinha a certeza que seria apenas o reflexo dos carros, ao passar na avenida, o assassino espalhou pedaços da síndica por 9 lugares diferentes, ele nunca agiu daquela maneira, realmente a raiva da síndica era enorme, sabia que os policiais não teriam provas contra ele
Ele volta ao apartamento com toda tranquilidade do mundo, o seu semblante era de um homem vindo de um passeio, mas logo após entrar no seu apartamento ouve batidas na sua porta e vai atender, vê dois policiais, com um mandado para vasculhar o seu apartamento
— Senhores, 02:00, porque sou importunado essa hora?
Os policiais com o mandado não poderiam ser impedidos de entrar
— Temos um mandado, senhor deixe-nos fazer o nosso trabalho
Após vasculhar todo o apartamento os policiais encontraram cabeças de gato num saco, as cabeças dos gatos mortos a meses
— Como pode rir? Está aqui a prova que o senhor é um criminoso
— Não seja tolo policial, isso não são provas, claro que não são provas, são apenas cabeças de gato empalhadas, isso não prova nada
O assassino da um sorriso, ironizando o fracasso da investigação dos policiais,
mas eis que entra no apartamento, o sargento prust, sim, o bêbado, que, na verdade era um militar Espanhol
— Você está certo meu amigo, as cabeças de gato não provam nada
Mas o sargento Prust abriu as mãos mostrando fotos de Martin espalhando restos mortais por todo o bairro, as fotos colocavam o uruguaio em maus lençóis
— Te peguei, essas fotos lhe darão mais de 15 anos de cadeia, saiba que hoje é o fim da linha para você Martin do apartamento 168
Fim
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Atualizado até capítulo 62
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