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SOMBRAS DA SOLIDÃO

Nilza estava sentada em sua cama, olhando uma fotografia dela com o marido e o filho, ambos mortos em um acidente de carro. Já se passaram dois anos desde o acidente, mas ela não se recuperou. Após a tragédia, ela não conseguia mais sair de casa nem trabalhar. Seu marido era financeiramente estável, o que a permitia se manter em casa sem a necessidade de trabalhar. Nilza estava em casa à noite, deitada solitariamente em sua cama como sempre, quando ouviu passos vindos da cozinha. Seu coração começou a acelerar. Nilza pegou o revólver que pertencia ao seu falecido marido, guardado no hack perto da cama, e abriu a porta do quarto lentamente. "Que-quem está aí? Eu vou atirar, estou avisando e não estou bri-brincando!", gritou Nilza.

Caminhando em silêncio pelo corredor escuro, ela sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ao chegar à cozinha, ligou a luz. Olhou ao redor, não havia nada, mas ouviu algo ou alguém passar atrás dela. Com as mãos trêmulas, Nilza gritou: "Vo-vou chamar a polícia, estou falando sé-sério!". Decidindo ir pelos corredores da casa e acender todas as luzes, Nilza percorreu cada cômodo. Ela foi até a sala e acendeu a luz, aparentemente não havia nada ali. Ela foi até o banheiro, acendeu a luz, não havia ninguém. Depois de passar por todos os cômodos e deixar todas as luzes acesas, Nilza disse para si mesma: "Devo estar enlouquecendo, é isso que dá não sair de casa!". De repente, ela sentiu um toque no ombro e virou-se rapidamente, mas não viu ninguém.

O coração de Nilza acelerou, ela ouviu risadas pela casa. Correu de volta para o quarto, trancou a porta e deitou-se na cama, com os olhos arregalados e a luz acesa. O sono veio, mas ela lutou contra ele. De repente, ouviu algo se mexendo debaixo da cama. Nilza percebeu que estava molhando suas calças. "Estou urinando na roupa! Meu Deus, o que está acontecendo com essa casa? O que está acontecendo comigo?", pensou ela. Nilza pegou a Bíblia, abriu no Salmo 91 e leu em silêncio antes de cair no sono. Ao acordar, Nilza abriu os olhos e viu que já era noite novamente. Levantou-se da cama sem ânimo e olhou para o quadro com ela, o marido e o filho. "A vida era tão mais fácil com vocês ao meu lado. Não sei se sou forte o suficiente para continuar. Deus, me ajude!", desabafou, com uma lágrima escapando de seus olhos. Foi então que Nilza ouviu um cochicho muito baixo repetindo palavras que ela não identificava. À medida que o sussurro aumentava, ela percebeu a palavra "Deus" entre elas, o que a reconfortou um pouco.

Enquanto o volume do sussurro aumentava, ela pôde ouvir claramente as palavras: "Deus não existe! Deus não existe!". Nilza se encolheu em sua cama, gritando: "Vão embora, por favor!". Ouvia risadas de deboche pelo quarto, e ela tremia sem cessar. Nilza repetiu o Salmo 23 em voz alta, sem parar, até adormecer novamente. Quando acordou mais uma vez, seus olhos se abriram. Olhou para o relógio e percebeu que era noite novamente. Perguntas martelavam em sua cabeça: "Estou louca? Será que há um espírito nesta casa? Por que isso está acontecendo comigo?". Olhou para o quadro com o marido e o filho e, com um sorriso triste, disse: "Amo vocês profundamente! Desde que se foram, minha vida se foi junto. Eu não vivo mais!".

De repente, ouviu gargalhadas vindas da sala. Pegou o revólver, gritando: "Chega, chega!". Destrancou a porta do quarto e caminhou com passos firmes em direção à sala. Testemunhou sombras escuras passando rapidamente pelos seus lados. Ao chegar à sala, sentiu um ar gelado e uma leve névoa, e ela gritou: "Não tenho mais medo, chega de ter medo!". Sacou a arma e apontou para a sala, quando um homem jovem, de terno e gravata, apareceu diante dela e disse: "Mulher esperta, vejo que já tomou sua decisão!". Nilza apontou a arma para ele e disse: "Sim, você não vai mais me perturbar!". Em seguida, apontou a arma para sua própria cabeça e disparou, enquanto o homem dava risadas e batia palmas. Nilza caiu no chão com a cabeça sangrando. O sangue escorreu, tomando conta de toda a sala. Embora a bala tenha atravessado sua cabeça de um lado ao outro, seus olhos permaneceram abertos e arregalados.

Essa foi a história de Nilza, uma mulher deprimida pela morte do marido e do filho, que não saía de casa. Os dias eram vazios para ela e, ao se entregar à depressão, desistir de seguir em frente, ela facilitou o trabalho de alguém. Agora, aproxime seus olhos da tela... sim, você, leitor deste conto. Certamente sabe quem perturbou Nilza, mas você já se questionou quem está narrando essa história desde o início? Sim, sou eu. Nilza facilitou meu trabalho ao me permitir perturbá-la até ela se entregar à morte. Muitos me chamam de capiroto, diabo, sei lá quantos nomes! Hoje, trabalhei na vida de Nilza, mas essa história ainda não tem um fim. Ao escutar um barulho na cozinha ou no quintal na calada da noite pode ser eu fazendo uma visita. Quem sabe hoje à noite eu faço uma visita à sua casa, tudo bem? Hahahahaha...

Autor: Joabe Campos

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