eita

(Maria Mercedes)

Sempre pedia permissão para ir a praça central da cidade, onde todos os jovens se confraternizavam, mas o senhor José Ferreira tinha um ciúme extremo por sua filha, não permitia de forma alguma que ela saísse das cercas de sua pequena fazenda, a atitude do pai deixava a jovem maria em profunda tristeza

Em um sábado pela manhã chegou na pequena fazenda dos Ferreira uma prima da capital, seu nome era Júlia

— Oi tio! Oi, tia! Quanto tempo hein, estava morrendo de saudade de vocês, e Maria cadê? Tenho muita saudade de maria

Os Ferreira não tinham muita simpatia por Júlia, pois corriam boatos na família que ela tinha reputação duvidosa e aquela forma a qual chegou na residência dos Ferreira, toda bem vestida em seu automóvel mostrando uma mulher moderna, os Ferreira não estavam acostumados com as modernidades e não viam aquelas coisas com bons olhos

— Que bom ter você aqui minha sobrinha, seja bem vinda, maria está no campo plantando algodão

— Algodão! Credo tio! A maria é uma menina linda, não deveria estar plantando algodão, ela tem que ir para capital ganhar o mundo

— Não minha sobrinha, nós somos da roça, eu e meu velho, gostamos de maria Mercedes aqui conosco, a vida dela é essa e ela gosta do campo

Júlia percebendo que sua fala estava constrangendo seus tios, tratou logo de mudar de assunto, seus tios eram pessoas muito boas e ela não queria magoá-los

— O que tem de bom pra comer tia, a senhora sempre foi uma ótima cozinheira, bem diferente de minha mãe (risos)

E quando estavam conversando sobre os não dotes culinários da mãe de Júlia, eis que chega maria

— Oi Maria! Quanto tempo prima.......

Ao encontrar maria Mercedes Júlia faz uma grande festa

— Maria! Minha prima querida que saudades, como você está bonita maria, olha mais parece uma modelo

— Calma meu velho, ela é assim mesmo, é gente da cidade

— Sei não! Não gosto dela

— Fala baixo...

Na verdade Júlia nutria um gostar diferente por maria, ela sentia uma sensação pela prima, um gostar pouco conhecido pra época, ainda mais no agreste onde os Ferreira habitavam, ninguém conseguia ver as investidas de Julia, mas seu José Ferreira era um matuto desconfiado

— Oi Júlia! Nossa menina quanto tempo, você também está muito formosa, aquele automóvel lá fora é seu?

— Sim! Aqui no sertão mulher não dirige, mas na capital sim, vocês aqui são muito atrasados

— Nós somos assim Júlia! Você é igual seu pai, pensa longe, meio destrambelhada, mas maria Mercedes é como nós da roça, ela nasceu na roça e vai morrer como nós na roça, e aí dela se me desobedecer

A fala do senhor Ferreira já estava em um tom diferente, mesmo matuto já estava percebendo algo diferente no olhar de Júlia para a pura maria Mercedes

— Vocês são muito diferentes de nós! Vocês gostam da modernidade nós não, ué nós vive feliz muito feliz

— Desculpa tio, não quis ofender, o senhor é o tio que eu mais gosto

Assim os Ferreira ficaram conversando por toda a tarde, relembrando tempos em que toda família ainda morava na roça, mas o senhor Ferreira, não gostava nadinha das atitudes de Júlia, ao contrário da senhora Maria, o senhor Ferreira era bem esperto e logo percebeu que Júlia não era uma boa companhia para sua filha

— Olha! A noite já tá caindo e já é hora de nós ir dormir, Júlia durma no quarto de Maria e você Maria durma no sofá, amanhã vamos acordar cedo pra ir pra roça

O senhor Ferreira na verdade já estava querendo que Júlia fosse embora, mas por ser da família, aguentou

No cair da noite, Júlia ouvindo a sinfonia de roncos de seus tios, de pontinha de pé vai até a sala e convence Maria Mercedes a sair com ela para se divertirem no centro da cidade, e maria que nunca em sua vida tinha desobedecido seus pais, mas por influência de Júlia, desobedeceu

No carro......

Olhar estranho, mão na perna, rosto com rosto, mordida na pontinha da orelha com a mão já a tocar a calcinha, Maria grita abrindo a porta entrando dentro da mata

— O quê foi isso meu Deus? O que ela é? Ela é maluca, isso é pecado, isso é pecado, Jesabel dos infernos

Ela chorava copiosamente no meio do imenso matagal apenas com o enorme céu negro de estrelas na sua cabeça, Ela Anda! Anda! Anda, com o medo sendo sua companhia, não podia acreditar em quanta besteira tinha feito, sabia que seus pais jamais iriam perdoar

— Diacho, o que foi aquilo? Porquê ela me tocou?

Depois de passar o matagal, entrou num lugar inóspito, com o chão rachado e sem nenhuma vegetação por perto, apenas uma velha árvore doente com um velho baú ao seu lado

Uma coisa muito estranha em um primeiro momento, pensou em mexer no baú mas desistiu, mas quando passou por perto da velha árvore sentiu uma terrível sensação, uma sensação do mal, uma coisa que ela não podia explicar

— Meu Deus me proteja, o que é isso? que sensação horrível

Ela passa pela árvore rapidamente e consegue avistar um grupo de rapazes que estavam em uma caminhonete, eram eles

Mariano Gago, Julião, João marreta e José Cipriano, o último filho do coronel gregório, José Cipriano recém chegado dos Estados Unidos era o jovem mais polêmico da cidade, aprontava o que queria protegido por seu pai

Maria se aproximou pedindo ajuda, ela mal sabia que tinha saído do fogo para cair na fogueira, agora sim ela estava em tremendo perigo

— Por favor! Me ajudem, socorro, eu estou perdida, estou com muito medo

Maria Mercedes estava chorando com seu vestido rasgado no meio do nada, e ainda com 4 jovens delinquentes, sua inocência não lhe permitia ver o tamanho da encrenca

— Sim claro! Vamos lhe ajudar meu anjo

O olhar de José Cipriano e os risos dos rapazes deixavam claro a real intenção

Maria como sempre muito ingênua não conseguiu ver maldade na atitude dos jovens

— Vejo que precisa de ajuda, vem entre na caminhonete, vamos lhe ajudar pode confiar

— Muito obrigado

Assim ela entra na caminhonete com os rapazes

Eles saem dali e entram em uma pequena rua de terra! Maria perguntou o porquê daquele caminho, mas acabou sendo convencida que seria um atalho, mas quando viu onde estava, desconfiou

— Uai! Eu já passei aqui

Neste momento os rapazes começaram agarrar maria Mercedes, ela começou a gritar

— Parem com isso! Me soltem

Quanto mais ela pedia para eles soltarem, mais a agarravam e assim foi durante toda a noite, abusaram sexualmente de maria por toda a madrugada, quase ao amanhecer jogaram a pobre jovem ao lado do baú embaixo da velha árvore, sem compaixão os jovens entram na caminhonete indo embora

Quase morta de exaustão, vendo que sua respiração estava à fraquejar, vendo que seu coração ia batendo cada vez mais lentamente, gritou por socorro

— Socorro, me ajudem! Estou morrendo, eu quero viver

Neste momento estranhamente apareceu uma senhora do lado do baú, de unhas negras e face de terror se apresentando como Eloá

— Minha jovem, você quer viver? Meu mestre pode lhe ajudar

Sem saber o que estava acontecendo, qual força sobrenatural lhe perguntava, maria Mercedes aceitou sem saber as consequências

— Sim! Sim eu aceito, quero viver, não importa o preço a pagar, eu quero viver, me ajude

Ela estava destinando sua vida à escuridão, Maria não sabia que Eloá era uma mensageira do mal

— Então você aceita, ela aceita mestre

Neste momento Eloá pôs a mão no ombro de maria é uma coisa muito estranha aconteceu, ela apareceu sentada no sofá de sua própria casa, sem marcas de violência, sem seu vestido estar violado, sem nada

Em um certo momento Maria Mercedes achou que estivesse sonhando! Correu no quarto e viu que sua prima não estava, olhou no quintal e percebeu que o automóvel de Júlia também não estava

Mesmo assim o "sonho" era o mais provável, no sofá, já com o dia a clarear olhou para sua sandália e viu que estava suja de lama

mas ela sorriu........

Aquela garota doce, ingênua de outrora não existiria mais, um mal cobriu sua alma, as sandálias sujas de lama e a lembrança da violência confirmavam o terrível acontecimento, o pai saiu do quarto

— Quem é você que está aí com ela? O que você fez com minha filha?

Mesmo o senhor José Ferreira sendo um matuto, logo percebeu que um mal pairava sobre sua filha

— Não sei do que o senhor está falando, para com isso, venha, pegue o café

Assim começaram uma grande discussão na sala, o senhor José Ferreira afirmava que sua filha tinha profanado sua casa, e diante da confusão a mãe de Maria acordou e não conseguiu notar diferenças alguma em sua filha

— O que foi homem! Deixe Maria em paz, e cadê Júlia? Foi embora sem se despedir, o que você fez homem?

Em meio uma grande confusão familiar eis que entrou na sala um vento frio que arrepiou a todos, os olhos de Maria Mercedes ficaram negros confirmando tudo o que o pai tinha dito, Maria mudou radicalmente seu semblante

— Vá embora! Aqui você não terá mais morada, me corta o coração falar isso, mas você não é minha filha, é o demônio

— O quê é isso? Que loucura é essa que tu tá falando homem

— Não vamos conviver com o mal, vá de reto e não olhe para trás espírito impuro

Assim Maria Mercedes foi embora de casa desgraçada por seu próprio pai, o choro de sua mãe implorando que ela ficasse foram as últimas reações familiares que Maria deixava pra trás

Agora Maria Mercedes tinha uma outra companhia, a vingança

Andando pela pequena estradinha de barro maria olha o seu reflexo no chão exposto pela luz do sol e se apavora

Lá estava refletida a imagem de um homem de chapéu, confirmando as palavras de seu pai

— Meu Deus, o que é isso?

Neste momento, o mestre apareceu para ela, um homem grande, esguio, com pele pálida e olhos negros e um chapéu

— Jamais fale essa palavra, "Ele" nada tem haver com isso, o seu pacto agora é comigo, você fará tudo o que eu mandar, ouça agora com atenção minha filha

Maria Mercedes fica apavorada vendo a figura daquela criatura em sua frente

— Mas porque? Aquela senhora não me explicou o que iria acontecer, não quero fazer nada de mal, por favor me deixe em paz

— Mas você não quer se vingar? Não quer se vingar do seu pai que lhe expulsou e lhe jogou na rua à própria sorte? Não quer se vingar dos homens que lhe violentaram? Nem de sua prima que desestruturou toda sua vida?

— Sim quero....

2 dias depois

A mãe de Maria Mercedes ainda muito chorosa, com a saída de sua filha de casa, e decepcionada com seu marido pois não conseguia ver nele nenhum tipo de remorso, muito pelo contrário o ódio por sua própria filha tomava conta do senhor José Ferreira

Já era noite e a senhora Maria Ferreira foi repousar com seu semblante triste, já o senhor José foi à varanda fumar seu charuto como era de costume muito diferente de dona maria, José Ferreira não tinha nenhum arrependimento

— Maldita seja maria que desgraçou minha família

"Um barulho"

Ele olha para o canto da varanda em meio às imensas samambaias, vê que Maria Mercedes estava de pé, mas totalmente diferente, uma figura diabólica

— Já falei que não lhe quero mais aqui, não sei que espírito lhe possui, mas aqui você não fica, Saia! Saia agora demônio

No dia seguinte a senhora Maria Ferreira acordou com barulhos de urubus brigando, uma coisa que ela nunca tinha ouvido, ela sai na varanda e grita

— Meu Deus o que é isso José, O que fizeram com meu José, mataram meu marido

Era José Ferreira decapitado, com sua cabeça cravada em uma estaca de madeira e seu corpo no chão sendo devorado por urubus

Mas era só o começo...

Praça central noite de são João

A morte do senhor José Ferreira de forma tão brutal fez com que todos na cidade acreditasse que um fantasma pairava sobre as fazendas

A histeria foi geral uns diziam ter vistos lobisomens, outros diziam ver vampiros, mulas sem cabeça, todo tipo de seres do mal, era o medo do povo depois da morte do senhor José Ferreira

Era o primeiro dia da tradicional festa de São João, todos se reuniram na praça da igreja onde se fazia uma enorme fogueira

Por volta das 19:00 a turma de José Cipriano estava na festa a fazer algazarras, todos eram grossos e inconvenientes, o padre da igreja com medo que a festa se tornasse uma bagunça foi a José Cipriano

— José! Pare com essa bagunça! Você e seus amigos estão estragando a festa, comportem-se

— Olha ali! Ali! É ela! É ela

— Ela quem? Diga diacho! Quem? Quem? Fala gago......Fala seu peste

— A moça! A moça daquele dia!

— Que moça? De quem vocês estão falando?

— Ninguém seu padre, Mariano Gago tá ficando louco, não esquenta com isso, o senhor pode ir, não vamos mais bagunçar nada por aqui, fica tranquilo

— Oi! Cadê o Julião? Estava aqui do meu lado, sumiu

De repente uma gritaria em volta da fogueira, todos corriam parecendo ter visto uma assombração, a turma de José Cipriano correu até a fogueira pra ver o que tinha acontecido

Era Julião com seus olhos arrancados ao lado da fogueira, uma cena tenebrosa

— Eu falei! Eu falei! Foi aquela moça, aquela que agarramos, lembra? Ela virou um fantasma, Eu vi! Eu vi!

— Aquela moça frágil? Não é possível! José Cipriano cadê o Mariano Gago? Estava aqui agora, sumiu

João marreta e José Cipriano dão por falta também de Mariano Gago, mas ao olhar para a caminhonete estava o que era Mariano Gago em cima do capô, apenas a parte inferior de seu tronco, as tripas a cair pelo para-choque, o sangue ainda a jorrar

A histeria foi geral na praça, gritavam " é o demônio "

José Cipriano olha para seu lado direito e vê João marreta já caído no chão sem a parte de sua mandíbula, era tudo em frações de segundos, o sangue tomou conta da praça da igreja parecia ser o fim do mundo

José Cipriano correu incansavelmente e entrou no milharal fugindo do meio da multidão, mas no milharal onde achava estar seguro, olhou para seu lado e viu Maria Mercedes totalmente desfigurada com sua boca cheia de sangue de seus amigos

— Por favor! Não me machuque! Quem é você? No que se transformou? E quem é esse aí ao seu lado! Meu Deus! Quem são vocês Não! Não! Não......

O agreste tinha visto o capítulo mais sangrento de sua história! Pedaços de José Cipriano foram encontrados por toda parte da cidade, o cheiro de sangue impregnou a praça da igreja

Mas a vingança de Maria Mercedes ainda teria mais um capítulo......

São Luís do Maranhão capital

Na boate nefertiti, uma famosa boate da capital, Júlia e sua paquera Estela, estavam a curtir mais um sábado típico década de 70 com bastante dança e bebida, mas aquele sábado não seria como de costume, a paquera de Júlia foi ao banheiro e voltou assustada

— Nossa Júlia, acabei de ver no banheiro uma moça estranha! Um rosto sofrido, um vestido surrado, estava procurando por Júlia, por um momento pensei ser você

— Deixa de bobeira, aqui é uma boate, tem gente de todo jeito, e deve ter uma dezena de Júlia aqui

— Não! Aquela moça era diferente, fiquei com uma sensação muito ruim

As duas ficaram sem dar muita importância a aparição da moça estranha no banheiro

— Há! A moça disse que seu nome era Maria Mercedes

— Como? Qual era o nome?

— Maria Mercedes, mas porquê você está assim? Quem é ela? Você conhece?

— Acho que sim! Vem, vamos embora agora! Acho que é minha prima

Júlia chama sua namorada para ir embora, mas antes que pudesse chegar na porta da boate as luzes se apagaram causando uma imensa gritaria no salão

As luzes voltaram e Julia estava no chão sangrando, ferida na garganta

— Socorro! Socorro! Júlia está ferida! Está perdendo muito sangue

E mais uma vez as luzes se apagam misteriosamente, e ao ascender Júlia está com mais um ferimento, mas dessa vez no braço direito, e mais uma vez perdendo muito sangue

— Meu Deus o que é isso! Socorro minha namorada está ferida, ajudem

E pela terceira vez as luzes se apagaram, mas ....

— Quem é a senhora?

— Meu nome é Eloá, eu vejo que você está perdendo muito sangue, logo entrará em coma, e você vai morrer, mas posso mudar isso, você quer viver?

— Não fale nada Júlia, essa mulher é estranha

— Qual a sua resposta Júlia?

— Sim! Eu aceito

Fim

Texto de : João Damaceno Filho

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