“EU VI O CONDE DRÁCULA”
Há que se ter em mente que alguns fenômenos sobrenaturais se justificam pelo lugar, crenças locais, atmosfera de época, dentre outros fatores, pois em suma, a única realidade é a percepção, tudo o mais é mera ilusão.
São perto de 21h00, estamos no dia 31 de outubro de 1975, jardim da casa de menino Reinaldo, na Rua Padre Francisco Barreto, esquina com a antiga Rua Gustavo de Lacerda, Vila Nova Jaguara.
Acampados numa barraca, estão eu, meu irmão Gilberto Domingos de 9 anos de idade, o Nenê de 10 anos e os Irmãos Dudu de 11 anos e Carlinhos de 9 anos, após uma breve negociação com minha mãe, que permitiu acampamento até as 23h00.
Em verdade, nosso acampamento tinha como objetivo comprovar que ali naquela esquina, todas últimas sexta-feira do mês, aparecia o Conde Drácula, segundo relatos locais.
Estamos equipados com faroletes de Pilha, 3 estacas de madeira, pipoca, refrigerante e algumas bombinhas nº 20, caso o Conde Drácula realmente aparecesse e tivéssemos que enfrentá-lo.
A Rua ainda é de terra e não há iluminação pública e por volta das 21h30, quando já não se via mais viva alma na rua, os irmãos Dudu e Carlinhos abandonaram o acampamento, alegando que estavam com sono.
Já perto das 22h00, quando o silêncio era quase absoluto, surgiu da escuridão da rua um homem alto, usando cartola e capa, camisa vermelha, fumando charuto, junto de 2 mulheres de cabelos longos com vestidos brancos. Só poderia ser o conde Drácula e suas esposas!
Eles pararam do outro lado da esquina, colocaram pratos de barro no chão, acenderam velas pretas e vermelhas e fizeram algo que soltou uma fumaceira danada, seguido de cheiro de pólvora.
Á essa altura, nós já tínhamos nos borrado todos e estávamos bem quietinhos, tremendo e esperando o melhor momento de entrar correndo para casa.
Drácula e suas esposas ficaram apenas alguns minutos ali e logo sumiram na escuridão da noite, foi quando Nenê se levantou, pulou a grade e sem dizer tchau, foi correndo para sua casa que ficava do outro lado da rua.
Na sequência, eu e meu irmão, também, abandonamos o acampamento correndo, entremos pela porta lateral da sala, trancamos com a chave e os 2 trincos, fomos direto para nosso quarto, fechamos a porta, acendemos a luz, juntamos as camas de solteiro e dormimos com as cabeças cobertas.
No dia seguinte, após meu relato em detalhes para minha mãe, ela tentou me explicar, que aqueles não eram o Conde Drácula e suas Esposas e sim pessoas normais como nós, que apenas foram ali naquela esquina, realizar um tipo de ritual religioso.
Seguramente, naquela época aquilo me deixou muito confuso, com medo e preocupado, pois, as evidências eram claras e aquele só poderia ser mesmo o conde Drácula.
Ainda naquele mesmo ano, as Ruas da Vila foram asfaltadas e logo foi instalada a iluminação pública, para nossa alegria geral, pois poderíamos jogar golzinho, taco, brincar de esconde-esconde até mais tarde e nunca mais vimos o Conde Drácula e suas Esposas naquela esquina.
Pois bem, passados quase meio século, a pergunta que não quer calar é a seguinte: se aquele que vimos não era o Conde Drácula, quem era então?
Conto baseado numa das aventuras de Menino Reinaldo. Algumas fotos são meramente ilustrativas.
**Menino Reinaldo – outubro de 2022**
**VILA JAGUARA – DISTRITO DA LAPA – ZONA OESTE – CAPITAL- SÃO PAULO.**
**VILA DO CORAÇÃO.**
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Atualizado até capítulo 137
Comments
Mara Souza
eu adoro lê esses contos .rápidos e práticos.
2024-02-15
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