Capítulo 15

Quando me empenhei em contratar a melhor equipe para encontrar o Elian, mesmo que fosse rastreando seus equipamentos, eu não esperava encontrar um lugar como este.

É uma clínica especializada, pensei que tivessem errado o endereço, mas quando disse o nome dele à recepcionista e mencionei o meu, ela me indicou um número de quarto e pediu a uma das enfermeiras que me levasse.

"Que bom que o senhor Montenegro mudou de ideia, a intervenção dele é de alto risco e a estabilidade mental e emocional desempenham um papel muito importante. Com você o apoiando, será mais fácil para ele." Do que essa mulher está falando? Vão intervir no Elian? Por quê? Sobre o quê? Ele mentiu para nós para não nos contar o que realmente estava acontecendo?

— O que acontece com meu irmão?

"É melhor se ele mesmo te contar." Ela abriu a porta e entrei. Ele estava sentado na cama, digitando no seu computador.

"Nós dissemos para ele se manter tranquilo, não deve enfrentar níveis de estresse ou teremos que adiar a intervenção." — Ele sequer levantou os olhos da tela, é assim que ele sempre foi, muito responsável no trabalho, mas nem tanto em sua vida pessoal.

Elian: Um segundo, estou terminando. — A enfermeira fechou o computador, repreendendo-o severamente, parece que se conhecem há muito tempo. Quanto tempo ele está aqui?

Elian: Ainda tenho uma semana até a minha ope... — E finalmente notou minha presença, ficou pálido instantaneamente.

"Ah, é verdade, seu irmão já chegou, vou deixá-los a sós. Certifique-se de que ele não use aquele coisa novamente." Ela saiu e ele ainda me encarava como se estivesse vendo um fantasma.

Elian: O que você faz aqui? Como me encontrou? — Eu o abracei, estava bastante preocupado e agora ainda mais do que antes.

Se algo tenho certeza é que ele estava mal e não nos contou. Em vez disso, preferiu fingir e agir como se estivesse indo fazer algo bobo. Eu sei que fui um idiota, mas acaso não mereço a confiança do meu próprio irmão? Eu quero que ele me explique, mas ele não diz nada e isso me frustra.

— Eu sempre me preocupo por sua culpa, você nunca pensa nem considera as consequências de suas ações quando algo entra na sua cabeça. Sempre me afasta, confiando em você mesmo, sem contar com ninguém mais, como se estivesse sozinho nesse maldito mundo, mas mesmo que você se sinta assim, você não está, eu estou aqui. Por que você não entende? Você não pode confiar apenas em mim.

Elian: Desculpe, não soube o que fazer, ainda estou confuso e sem acreditar. — O que está acontecendo? Sua expressão é igual àquele dia, quando ele me fez aquela confissão e recebeu minha resposta. Não, é ainda pior.

— Elian, o que você tem? Do que eles estão falando sobre operação?

Elian: Vou morrer. — Isso não pode ser verdade! Ouvi errado, sim, deve ser isso.

— Não é verdade! Diga que é uma de suas brincadeiras.

Elian: Não é! Eu tenho um tumor. — E de repente minhas pernas falharam e minha calma me abandonou.

— Você não pode! Não pode morrer! Não posso te perder também... — Senti suas mãos em meu cabelo, sua voz soava tão calma. Eu sei que ele está com medo, assustado. Eu também estou com medo. Como ele consegue se manter tão tranquilo?

Elian: Eles disseram que talvez se me operarem, eu possa viver. Mas também posso não sair daquela sala. Eu não queria contar a eles, por isso só saí. Era mais fácil se eles pensassem que...

— Eu vou ficar com você...

Elian: Não, você é responsável pela empresa, você é o presidente...

— A empresa que se dane! — Ele não esperava minhas palavras, eu também não pensei em dizê-las, mas é a verdade. Todas as pessoas que me importaram foram embora sem que eu pudesse fazer nada. Eu não vou viver isso de novo.

— Você acha que eu consigo administrá-la sabendo que você está aqui? Eu não vou embora, não vou te deixar sozinho.

Elian: Mesmo se você ficar, não vai poder mudar o curso das coisas. Se meu destino é morrer... — Nem pensei, ouvir ele falar assim, não suporto. O segurei, o obrigando a calar-se, e o beijei. No começo, ele sequer reagiu ao meu gesto e eu não sabia que ficaria louco apenas por beijá-lo.

— Entenda isso, Elian, eu sou o seu maldito destino. Não se atreva a desistir. — Seu rosto ficou vermelho e ele se escondeu de mim.

— Elian?

Elian: Esse é suposto ser um confissão? Não foi você quem disse que isso era um absurdo e uma confusão? Você se afastou durante todos esses anos, me tratando como um estranho, e agora... —ele está chorando.

—Elian, me perdoe, eu não queria machucar papai nem você, nunca fui indiferente aos seus sentimentos, mas você era muito jovem.

Elian: Tinha 18 anos, idade suficiente para saber o que ou quem eu quero.

—Crescemos como irmãos...

Elian: Mas nós não temos o mesmo sangue, e há muito tempo que sinto isso por você. —Por que não falamos sobre isso antes? Certo, eu construí uma parede entre nós.

—Há algo mais, eu desaprovo suas ações porque sei o que é estar nesse mundo, sei que uma vez seduzido, é impossível escapar.

Elian: Não sou assim de verdade, a única vez que fiz uma besteira foi quando você me tirou do carro daqueles caras, ou melhor, eu tentei, só finjo porque parecia que era o único momento em que você realmente me via, ou quando algo acontecia na empresa, depois se tornou um hábito te deixar irritado. —Nunca pensei nisso dessa maneira, era muito convincente.

—Talvez não seja o seu estilo, mas é o meu.

Elian: O que você quer dizer com isso?

Kilian: Isso não é importante agora, você é, preciso saber tudo, em detalhes —Eu sei que ele quer continuar fazendo perguntas, mas não quero falar mais sobre isso, não é o que me importa agora.

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Comments

Vilma Gerônimo

Vilma Gerônimo

capítulo lindo 😍😍😍

2024-01-27

7

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