Manuela
Chegando em casa, coloquei as flores que ganhei do Vicente em um jarro e fiquei algum tempo olhando para elas e pensando em tudo que me disse. Não foi fácil ouvir, algumas palavras foram duras, mas sei que está certo, só não sei se algum dia vou conseguir ser a mesma Manuela de antes, alegre, aventureira e que amava tanto a vida que agradecia por ela todos os dias ao acordar.
Após descarregar minhas dores emocionais durante o banho, fui até a pia escovar os dentes e lembrei do que o Vicente disse sobre o Danilo quando minha mão tocou a sua escova. Fechei meus olhos e lembrei de todas às vezes em que fui pega de surpresa por ele invadindo o meu banho.
Tenho medo que um dia eu não consiga mais lembrar de seu rosto, por isso não tem um dia que eu não olhe a sua fotografia. Só queria acordar um dia pela manhã e descobrir que tudo não passou de um pesadelo vívido.
No dia seguinte, chegando na empresa, encontrei um bilhete do Vicente em minha mesa, dizendo que me levaria para almoçar e que nem adiantaria tentar fugir.
Primeiro fiquei satisfeita em saber que chegou cedo e que realmente está levando a empresa a sério, depois achei graça da sua ousadia de achar que pode decidir alguma coisa por mim.
Abri a gaveta para guardar o bilhete e me deparei com o envelope da carta do Sr. Alfredo, junto da caixa com o conjunto que me deixou. Abri a carta e reli alguns trechos, agora com mais calma e raciocinando melhor, não quero interferir na decisão do Vicente, agora falta pouco tempo e para ele decidir o que fazer, mas espero sinceramente que ele continue cuidando de tudo que o pai construiu ao longo dos anos.
Já perto do horário de almoço, lá estava o Vicente batendo na porta. Disse que chegou cedo para não me dar a chance de fugir da sua companhia. — Me fazendo revirar os olhos com a sua insistência.
Ainda me surpreendeu dizendo que não almoçaríamos em um dos restaurantes que estávamos acostumados, que me apresentaria um lugar que tinha certeza que eu iria gostar.
Entramos em seu carro e ele dirigiu por vinte minutos, devido ao trânsito intenso do centro, até um restaurante que fica no alto de um prédio chique e com uma bela vista do mar, onde já tinha reservado uma mesa, sendo reconhecido imediatamente ao chegar pelo funcionário que nos recebeu.
Desconhecia o lugar, mas confesso que ele tem bom gosto. Além de calmo e agradável, é muito bonito e a comida maravilhosa. Estava me sentindo a vontade ouvindo suas traquinagens na faculdade, e era impossível não rir de sua forma cômica e animada de contar.
Mas fomos interrompidos por uma voz feminina que se aproximava.
— Almoço de negócios?
Estão um pouco longe da empresa, não acham? — D. Carlota, acompanhada de uma senhora que não me parece estranha.
— Mãe, a senhora por aqui?— Vicente diz e cumprimenta sem ânimo a senhora que acompanha sua mãe.
— Como vai à senhora? — Cumprimento, e ela me responde com indiferença, me deixando incomodada.
— Tenham um bom almoço, já estávamos de saída. — Vicente, chamando o garçom para pedir a conta, parecendo incomodado com a presença da mãe.
— Ainda pretendem voltar para a empresa? — Percebo sua insinuação e só não respondo em respeito ao Vicente e a memória de seu pai.
— Claro, mãe, alguém precisa se sacrificar pelo patrimônio da família.
Vamos Manuela, diz ao terminar de pagar a conta.
Nos levantamos e caminhamos até a saída sob o olhar julgador de sua mãe. Percebi o constrangimento do Vicente assim que entramos no elevador, mas não disse nada porque não estávamos sozinhos. Mas enquanto caminhávamos pelo estacionamento, ele resolveu falar.
— Me desculpe pela minha mãe, Manu, ela agora deu para querer controlar a minha vida, o que não fazia nem quando eu era adolescente.
— Está tudo bem Vicente, ela acabou de perder o companheiro de uma vida inteira, deve estar com os sentimentos bagunçados, tenha paciência com ela. — Falo ao me colocar em seu lugar, pois conheço bem a dor de perder um amor.
— Eu amo a minha mãe, e tenho sido paciente, mas não vou permitir que insinue nada que ofenda você.
— Não ofendeu, está tudo bem.
Mas, tive a impressão que já vi a senhora que estava com ela. — Disse enquanto tentava forçar minha memória para saber de onde a conheço.
— Você a viu no jantar lá em casa, ela é mãe da Cintia. Elas são amigas de longa data, ficaram estremecidas na época em que tudo aconteceu, mas agora parece que voltaram com tudo.
— Manu! — Uma voz masculina chama o meu nome e quando me viro, vejo o Pedro, um colega da época da faculdade.
— Pedrinho! Quanto tempo!— Ele se aproxima e me cumprimenta com um abraço apertado.
— Que bom rever você Manuela, e está ainda mais linda! — Fico sem jeito e agradeço o elogio.
— Esse é o Vicente, meu chefe.
— Vicente, esse é o Pedro, um ex colega de faculdade. — Olho para o Vicente e seu rosto está sério e seu corpo tenso. Mas é educado e retribui o aperto de mão do Pedro.
*
*
Pedro, 25 anos
— Muito prazer, Vicente! Tenho certeza que a Manu deve ser uma das suas melhores funcionárias, ela sempre foi a melhor em tudo.
— É sim. — Vicente responde sem ânimo.
Podemos ir Manuela? — Abrindo a porta do carro para que eu entre.
— Claro. — Respondo.
— Foi um prazer rever você Pedro.
— Contínua com o mesmo número?— Ele me pergunta e eu respondo que sim. Ele diz que vai me ligar para combinarmos algo, fui simpática e disse que tudo bem, ele ainda não sabe a pessoa que me tornei.
Vicente não disse nada por todo caminho até a empresa, e eu aproveitei o silêncio do carro para relembrar o quanto a minha vida já foi animada, tudo era motivo de piada com o Pedro e quando se juntava com a Tati, a diversão era garantida.
Talvez seja bom juntar os dois novamente qualquer noite dessas e rir um pouco.
Continua...
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Atualizado até capítulo 93
Comments
Fatima Vieira
a mãe dele vai dar trabalho
2024-12-03
0
MARIA RITA ARAUJO
a mãe dele deve tá com ciúmes de perder o filho para a Manuela
2025-01-01
1
Amélia Rabelo
será que essa mãe dele vai ser chata
2024-09-24
0