...Meu chefe parecia bem e saudável, mas após o diagnóstico, tudo isso mudou drasticamente. Sua aparência ficou cada vez mais frágil e seu vigor já não era mais o mesmo. Até o dia que cheguei para trabalhar e soube da sua internação....
...Senti um aperto no peito como se adivinhasse o que viria pela frente. Procurei o contato de sua esposa e liguei para saber se ela se importaria se eu o visitasse de vez em quando. Ela disse que até seria bom para ele, já que sempre demonstrou grande apreço por mim....
...O visitava pelo menos três vezes durante a semana, ele sempre queria saber tudo sobre a empresa, e na última vez que consegui vê-lo com vida, me pediu que não deixasse sua empresa desmoronar, que ajudasse seu filho a cuidar de tudo quando ele já não estivesse mais nesse mundo....
...Eu disse que não pensasse nisso e que ficaria tudo bem. Mas naquele momento senti meu coração, que ainda estava frágil, se partir novamente em mil pedaços. Seu corpo frágil e sua voz fraca deixavam bem claro que sua partida estava cada vez próxima....
...Dois dias depois, cheguei para visitá-lo e me deparei com mãe e filha chorando abraçadas, tinham acabado de receber a notícia do seu falecimento....
Carlota Rossini, a viúva
Pietra Rossini, 20 anos, a filha
...Sai daquele hospital desnorteada, nem consegui voltar para a empresa. Fui para casa e tentei colocar toda aquela dor para fora em forma de choro, chorei desesperadamente até pegar no sono....
...Mais uma vez estava me sentindo sozinha no mundo e comecei a pensar se o problema não estava em mim, talvez não devesse me aproximar tanto das pessoas... Elas sempre partem e me deixam só....
...Acordei após horas, sem saber se era dia ou noite. Peguei meu celular na bolsa, que ainda estava jogada perto da porta e vi inúmeras mensagens. Algumas eram de colegas de trabalho, outras da Tati, minha melhor e única amiga, e uma informava oficialmente o falecimento do Sr. Rossini....
...E é por ele que estou aqui hoje, nesse lugar que quase me impede de respirar e faz meu coração parecer uma bomba relógio. Infelizmente, despedidas fazem parte da minha vida....
...Tentei me aproximar do caixão, tremia dos pés a cabeça, lágrimas silenciosas escorriam por baixo dos meus óculos escuros, quando alguém apressado esbarrou em mim e nem ao menos me olhou para se desculpar....
...O apressado usava óculos escuros e um terno preto feito sob medida, mas consegui reconhecê-lo, mesmo sem nunca tê-lo visto pessoalmente. E agora eu entendia a sua pressa, não queria perder o enterro do pai, já que já tinha perdido todo o resto....
...Em uma das visitas que fiz ao Sr. Alfredo, ele me confessou que tudo que queria era um abraço do filho antes de partir. Minha vontade era de ir buscá-lo pessoalmente e arrastá-lo pelas orelhas até o hospital, só para proporcionar essa alegria a um pai saudoso que amava seu filho incondicionalmente....
...Pensei por diversas vezes nos motivos que ele poderia ter para não voltar imediatamente e ficar ao lado do pai pelo resto de vida que tinha. Mas não consegui pensar em nada plausível, eu só queria ter a chance que ele teve de se despedir com calma e não aproveitou....
...Voltei para o meu lugar, próximo aos outros funcionários e observei a uma certa distância o choro sentido do filho debruçado no caixão do pai. Por mais que tenha sido um filho desnaturado nos últimos anos, tenho certeza de que está sofrendo....
...Murilo, gestor de compras da empresa, estava ao nosso lado, mas ao ver o estado do amigo, se aproximou para ampará-lo com um abraço. Lembrei de quando o Sr. Rossini contou que os dois eram amigos de infância e só se separaram quando o Vicente decidiu estudar fora....
...O Murilo se formou por aqui mesmo e começou a trabalhar na empresa do pai do amigo pouco depois de mim. Antes não tínhamos muito contato, mas depois que fui promovida, passamos a nos falar um pouco mais, o meu setor depende do dele....
...Assim que tudo terminou, voltei para casa pensando em tudo que vivi nos últimos anos e em como seria voltar a empresa sabendo que ele nunca mais voltaria....
...Chegando em casa, tomei um banho, preparei uma xícara de chá e me sentei na escrivaninha pensando que conseguiria por tudo que estava sentindo para fora enquanto desenhava modelos para a nova coleção, porque era assim que eu costumava lidar com a minha dor, trabalhando. Mas tudo que consegui, foram apenas alguns rabiscos que de nada serviram....
...— Como você está?...
...Vim direto do trabalho, você não respondeu minhas mensagens. — Sou bombardeada pela minha amiga ao sair arrastada da escrivaninha para abrir a porta....
...— Não quer entrar primeiro?— Falo saindo da frente da porta. Ela revira os olhos e passa por mim....
...— Passei o dia preocupada com você, queria ter te acompanhado, mas como sabe, estou bem próximo da minha promoção, não posso dar motivos para que desistam....
...Como se sente?— Se jogando no sofá enquanto fala....
...— Eu vou ficar bem Tati, mas obrigada pela preocupação. — Só pelo jeito como me olha, sei que não acreditou em minhas palavras....
...—Manu, sei que o assunto é delicado para você, mas sabe que te amo, e é por isso que vou falar. — Me deito no sofá com a cabeça apoiada em suas pernas e espero opara ouvir o que tem a dizer....
...— Sem rodeios, Tati, não estou raciocinando muito bem hoje.— Recebo um cafuné e fecho os meus olhos relaxando....
...— Eu estava pensando......
...Não seria o momento de tirar uns dias de férias e visitar seus pais?— Abro meus olhos e encaro o teto, ficando pensativa por alguns minutos....
...— Ainda não estou pronta!...
Continua...
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Atualizado até capítulo 93
Comments
Amélia Rabelo
eita e esse filho desnaturado
2024-09-23
0
Cristina Santos
Esse vai dar trabalho para a Manuela na empresa .
2024-09-11
0
Wilma Lima dos Santos
😭😭😭😭😭😭😭😭😭
2024-07-24
2