CAPÍTULO 14

🪐🪐🪐

Wallis.

   A caverna é absurdamente enorme, com rampas que levam para outros andares e quartos espalhados por todos os lados. Yuki passa quase uma hora me mostrando cada parte do lar de sua tribo. Nesse tempo também percebi que não são apenas 18 alienígenas, já que vi mais quatro homens andando para lá e para cá.

    Agora Yuki está me conduzindo por outra série de corredores, me puxando pela mão. Ele está mais alegre do que nunca e cada vez que encontrava um dos seus amigos/familiares, era parabenizado por ter conseguido um parceiro. Na verdade eu também estou sendo muito bem recebido, um tipo de hospitalidade que os humanos nunca dariam para outra espécie, caso a situação fosse ao contrário.

     — por aqui, Wallis. — nós viramos numa esquina e entramos num cômodo bem espaçoso e iluminado, com várias prateleiras escavadas na pedra das paredes, onde há diversos potes (também de pedra) com algumas coisas que não sei identificar dentro.

    — essa é Nagh. — ele aponta para o canto, onde pela primeira vez avisto uma Alienígena de idade um pouco avançada, mexendo em uma tigela sobre uma mesa. — ela é a curandeira da tribo.

     — ah. — sem entender direito, deixo Yuki me levar até lá e espero em silêncio enquanto ele explica para ela toda a história sobre mim (sobre nós) desde o começo.

    — que bom, meu filho! — ela exclama, quando ele termina de falar. Fazendo como todos os outros: me encarando por mais tempo do que é confortável para mim.

    — você poderia examina-lo? Ele tem um corte profundo na lateral da cabeça. — o cara grandão ao meu lado explica, e como se isso liberasse a dor, a minha cabeça começa a latejar instantaneamente. Não havia sentido mais nada desde que nós ficamos juntos... E o frio da viagem pode ter mascarado um pouco também.

    — sente aqui, rapaz. — Nagh diz, apontando paga a mesa de pedra que para mim é absurdamente alta, mas para os da espécie de Yuki são perfeitamente proporcionais. Vou até lá e sento na mesa com a ajuda dele, que me levanta pela cintura. 

    Ajeito a minha roupa para não deixar nada de revelador ser visto entre minhas pernas e espero. A mulher Alienígena com o cabelo cinza toca a minha cabeça com ponta dos dedos, se aproximando um pouco mais para ver a ferida camuflada entre meus cabelos.

    Assim como o pai de Yuki, apesar dela ter cabelos quase brancos e aparentar ter certa idade, sou corpo ainda é musculoso e no seu rosto tudo que é perceptível são pequenas rugas ao redor dos olhos. Ela é o que os humanos chamariam de "bem conservada". Muito bem conservada.

    — parece ser bem profundo mesmo, mas a cicatrização já está bem evoluída e não há nenhum sinal de infecção. — ela explica. Na verdade eu só entendi a maioria do que ela disse porque nunca tinha ouvido algumas dessas palavras na língua deles (evoluída/infecção/cicatrização), mas suponho que seja isso que ela disse.

     — então está tudo bem? — Yuki pergunta, colocando as mãos na minha cintura e me dando um abraço apertado.

    — está sim. Ele está muito saudável. Só tome cuidado para não machuca-lo quando estiverem...

    — okay, okay! — interrompo-a antes que ela termine a frase.

    — eu nunca machucaria meu Wallis.— Yuki diz, antes de me dá um beijo na testa. Abro um pequeno sorriso e devolvo o beijo, corando um pouco por estarmos sendo observados.

    — ótimo. Agora tome isso e passe no ferimento antes de dormir até que esteja totalmente cicatrizado. — Nagh pega um pequeno recipiente de pedra e me entrega. Nele há uma espécie de seiva verde, grudenta e nada atrativa aos olhos, mas confirmo levemente com a cabeça e deixo Yuki me pegar pela cintura e colocar no chão.

      — obrigado. — digo para ela quando começamos a andar em direção a saída. Ela assente com a cabeça e abre um pequeno sorriso para nós, antes de se voltar para os unguentos e continuar  o que quer que estava fazendo antes da gente chegar.

    — vou lhe mostrar nosso quarto agora.— ele explica enquanto caminhamos. Sua cauda balança alegremente para os lados e roça meus tornozelos. É um pouco inacreditável que em pouco menos de mês eu estava na fazenda dos meus avós, no Alabama, cuidando de ovelhas e galinhas, e agora estou em outro planeta, praticamente namorando com um alienígena absurdamente gato e sexy.

     Quando chegamos no corredor principal, depois de algum tempo, um cara azul passa por nós com um enorme arco preso nas costas. Ele é ligeiramente menor do que os outros (talvez uns 2,05 metros) mas é tão musculoso quanto. O cabelo dele não é longo como o da maioria, mas sim curto e raspado dos lados, como os humanos geralmente cortam.

    — irá caçar também?— Yuki pergunta casualmente, indicando que eles provavelmente são amigos.

    — sim. Vou atrás de Warley. Só Izar sabe o quanto aquele idiota é imaturo quando está aborrecido. — explica ele, coçando atrás de um dos chifres curvados para trás enquanto abre um sorriso gentil (e um pouco triste) para a gente.

    — boa sorte com ele. — Yuki diz, antes de soltar uma risadinha e dá um pequeno soco no ombro do outro. O cara confirma com a cabeça e volta a andar pelo corredor numa direção oposta a que estamos indo.

    — qual o nome dele?— pergunto quando voltamos a caminhar sozinhos pela caverna novamente.

    — Razke. — ele responde. O nome é bem... Diferenciado e soa mais ou menos como "Rêzki" quando é pronunciado.

     — ele também não tem parceiro, não é?— digo, então Yuki nega levemente com a cabeça. Sinto um pouco de pesar por Razke. Viver sozinho a vida inteira por escolha é algo, mas querer ter uma família e ser impedido disso por circunstâncias tão ruins é totalmente diferente. deve ser... Desesperador.

🪐🪐🪐

    O quarto de Yuki é super espaçoso. Observo impressionado o cômodo circular com uma enorme cama feita de alguma coisa que eu não consigo indentificar e coberta de peles contra uma das paredes. Também há algumas armas presas contra a rocha. Arcos, punhais feitos de ossos, lanças e alcovas repletas de flechas.

    Meu olhar recai sobre o buraco meio triangular da parede da direita, por onde entra um pouco de luz. Vou até lá e olho para fora, Percebendo que estamos mais ou menos na metade do enorme paredão, e a janela nos dá uma bela visão lá de fora (Tirando o fato de que tudo que vejo é neve, neve, neve e mais neve), mas pelo menos isso deixa o ar mais fresco.

    — como vocês conseguiram esse lugar? — pergunto, ainda olhando para fora. Sinto duas mãos envolverem a minha cintura e um corpo musculoso ser pressionado contra minhas costas.

    — minha espécie o encontrou algumas gerações atrás. Vivíamos divididos em pequenas cavernas por aí, mas quando a população começou a diminuir, eles resolveram se unir em um só lugar. — seu hálito quente provoca arrepios na minha nuca. Consigo sentir seus lábios roçando minha orelha. Ele provavelmente está fazendo isso de propósito só para me provocar!

   Mordo o lábio e faço questão de também roçar a bunda nele, que solta um grunhido de lamento e aperta mais ainda minha cintura.

    — V-você gosta de provocar, não é?

    — você que começou! — exclamo com um sorriso torto no rosto. Viro-me para ele e coloco as mãos no seu peitoral duro, sentindo uma coisa grande cutucar acima do meu umbigo. A capa impede que a brisa gélida que entra pela janela toque minha pele enquanto abraço Yuki, dando um pequeno beijo um pouco acima do seu mamilo, onde é o máximo que eu consigo alcançar caso ele não se abaixe.

     — vamos até os largos termais lá embaixo, quero mostra-los pra você. — ele diz, antes de começar a me puxar para fora do quarto. Pelo tom excitante de sua voz e o pau duro, não é bem os lagos que ele quer me mostrar... Não que eu tenha alguma objeção sobre isso.

   

    

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