Tantos acontecimentos estavam deixando Laura desesperada, ela não sabia mais o que fazer, sua vida estava tão agitada nos últimos dias que a cada vez que ela respirava era como se mil facões estivessem atravessando seus pulmões. As batidas de seu coração causavam diversas sensações para os seus conhecidos, e às vezes ela se sentia culpada por tudo o que estava acontecendo nos últimos dias. Tudo estava lhe fazendo mal, mas ela queria e precisava esconder o que sentia das pessoas, para não causar mais preocupações do que já tinham.
Seus sentimentos estavam se tornando um mar de escuridão, ela precisava encontrar a luz, precisava encontrar a felicidade que tanto ansiava, mesmo que por um pouquinho. Estava tudo dando tão errado em sua vida, era a lei de murphy se cumprindo mais uma vez e a perturbando, como ela sempre costumou pensar. Sua vida nunca tinha passado de tristezas e arrependimentos, e ainda estava como antes.
As pessoas ao seu redor eram acostumados a fazê-la se sentir cada vez pior, julgavam suas ações e a fazia se sentir uma completa estranha em meio à sua família, conhecidos e colegas. Laura tinha a constante sensação de que sempre seria infeliz, sensação essa que as pessoas colocavam em sua cabeça.
Ela queria sua mãe ao seu lado, a ajudando a superar os momentos difíceis, queria ter o ombro de alguém livre para chorar e ouvir palavras reconfortantes, palavras de que tudo ficaria bem. Queria ouvir de sua mãe que seu olho não possuía problema algum, que era apenas um problema que as pessoas viam para atormentá-la, mas que podia ser uma característica muito bonita também.
Ela tentava entender os motivos que seu pai tinha para ter se casado com Marianna, a mulher estelionatária e criminosa que tanto chamava de "Querida". Laura detestava tudo o que tinha a ver com aquela mulher baixa e manipuladora, a menina sabia que aquela mulher estava planejando algo maior contra aquela família, estava na cara, Daniel também tinha a mais complexa noção daquilo. Marianna planejava roubar todo o dinheiro de seu marido, dinheiro este, que era da herança da mãe de Laura, e a garota não deixaria a mulher levar nada que não a pertencia. Seu pai poderia ir à falência que ela não via importância, pois o homem sequer parecia demonstrar interesse e preocupação consigo; era o que ela pensava.
E de certa forma, era o que ele demonstrava na maior parte do tempo.
Em noites escuras de solidão, Laura ficava tristes e sentia saudades de sua mãe, principalmente nas épocas comemorativas, como seu aniversário, festas de fim de ano e etc. Ela imaginava como seria se tivesse sua mãe ao seu lado durante todos os anos em que se passaram e nos novos que viriam, ela imaginava sua mãe ao seu lado, a consolando nos momentos difíceis e dizendo que tudo ficaria bem. Tudo aquilo não passava de uma imaginação fértil e cheia de mágoas, ela sabia que os dias seriam difíceis e que precisava encarar aquilo como uma pessoa madura, pois do contrário, estava sozinha. Ter Jake e Daniel ao seu lado era bom, mas não era algo que ela conseguiria ver tanta vantagem, ela queria uma garota, uma amiga, alguém para contar outros segredos e tentar esquecer as coisas ruins que a cercava, queria somente esquecer tudo.
Sua meta seria apenas acompanhar a vida, viver todos os dias como se fossem o último, tentar uma vida mesmo sem um significado coerente, mesmo que estivesse em um poço de acontecimentos incertos e sem fim.
Jake sempre esteve ao seu lado nos bons e nos maus momentos, inclusive Laura sabia que ainda não houve um dia bom o suficiente ao lado do jovem rapaz. Ele sempre a salvava das coisas ruins, pensamentos, momentos, maus bocados. Aquele homem sempre esteve à sua disposição, de braços abertos, esperando-a falar o que tanto a incomodava, ele realmente tinha um coração de ouro e era muito paciente.
Agora, ele sabia de todos os seus segredos, seus medos, suas vontades, suas metas, e ele apoiava com todo o coração, apoiava e sabia até mesmo das coisas que não era muito importante para a garota, mas que para ele, eram informações úteis sobre a garota que tanto gostava, que sabia que não era um simples gostar, pois a cada dia chegava a gostar mais e mais daquela garota, sentia que iria se sufocar em seus sentimentos se caso não fosse correspondido. Laura se sentia feliz em saber que tinha alguém como Jake ao seu lado, ele ajudava a amenizar seus dias difíceis.
Mesmo que se conhecessem em tampouco tempo, era como se eles tivessem passado toda a vida juntos, parecia que já se conheciam há séculos. Laura não queria se iludir ao gostar tanto de Jake, sabendo que ele namorava Larissa, e não importava se ele amava sua ex-amiga ou não, ainda assim, estava em um relacionamento e Laura não podia criar expectativas.
Mesmo que não houvesse sentimentos do rapaz para Larissa. Ele estava em um relacionamento forçado e não podia sair daquele relacionamento para não prejudicar a pessoa que gostava.
Seu maior medo era perder as pessoas, era ser abandonada, e ela temia muito que Jake ou Daniel fossem se cansar de tudo aquilo e a abandonasse em seu mar de problemas. Mal ela sabia que Jake queria fazer parte de toda a sua vida, o rapaz queria poder ajudá-la a resolver seus problemas e queria poder estar em sua vida para todo o sempre.
Enquanto a garota pensava, em sua casa, Jake arrumava a cama da garota para que ela pudesse se sentir mais a vontade.
Ele sentia o seu amor por Laura crescendo mais durante todos os dias de sua vida, sentia uma felicidade inexplicável por saber que a garota tinha passado por tantas coisas e aprovações, e mesmo assim parecia simpática e alegre, os dias calmos eram os mais avassaladores para a menina. Como Laura podia não perceber que o rapaz a amava? Simples, porque estava sempre tão imersa em seus pensamentos e com tantos problemas, acabava não focando nas coisas importantes, nos sentimentos alheios, na reciprocidade e no amor do rapaz.
Somente ao ver o olhar da garota Jake conseguia prever todas as emoções que ela sentia no momento. Ele via tristeza em seu olhar, via uma garota que queria fugir da realidade, alguém que estava assustada com as pessoas que tanto se importava, via uma garota frágil. Frágil como uma folha de papel, que ao mínimo de esforço acabaria rasgando.
Via uma garota batalhadora, que mesmo em momentos difíceis e cruciais, sempre tentava sorrir perto das pessoas, mesmo que um pouco. Ah, ele sabia o quanto aqueles sorrisos eram falsos, agora ele sabia de tudo. Aquela família parecia perfeita, mas era a definição total de horrível. Jake sabia que; Um dia Laura conseguiria cortar o mal pela raíz, e então, eles iriam namorar em paz e aquele relacionamento já não seria proibido, pois ele tentaria tirar todas as barreiras de seu caminho, e daria um novo sentido à vida de Laura.
Nos tempos escuros de Laura Johnson, Jake Smith seria sua luz eterna.
Quando a garota chegou, Daniel tocou a campainha e o rapaz foi atender. Os irmãos eram vizinhos, mas tinham demorado tanto.
— Oi, você está bem agora? — Indagou Jake, visando animar a garota, que parecia triste.
— Estou bem, só estou cansada.
— Venha, sente-se um pouco e tome uma água para se hidratar.
(...)
A noite estava fria e chegava a ventar bastante. O céu estava estrelado, decorados por milhares de estrelas pequeninas, médias e muito brilhantes. A lua também decorava o céu, que Laura olhava através da Janela da sala. Jake estava passando por ali e encontrou a garota distraída em meio aos seus pensamentos, então o rapaz cogitou a ideia de se aproximar.
— O céu está lindo, não é mesmo? — Disse o rapaz, parando ao lado da garota.
— Está, sim. Eu sempre observava o céu ao lado da minha mãe, ela gostava de ver o sol se pôr e o cair da lua...— Laura sorriu minimamente.
— Hmm, qual é o seu maior sonho?
— Eu não sei, acho que...eu tenho muitos sonhos, objetivos, coisas que eu quero realizar. Mas como você sabe, eu estou presa à essa vida. Um dia eu conseguirei realizar todos os meus objetivos, queria poder voltar a ser criança, também. Crianças podem ser inocentes, só se preocupam em correr e brincar, já adultos, fogem das coisas e complicam tudo. Adultos conseguem estragar as coisas, mesmo que alguns. É melhor um joelho ralado do que um coração partido.— Disse a garota.— E você, qual é o seu?
— Quero a garota dos meus sonhos comigo.
— Uh...espero que você consiga.
— Nem todo mundo brinca com os sentimentos alheios, nem todo adulto é irresponsável, é questão de convivências e caráter.— Jake falou, e a garota assentiu.— Nem todo homem é ruim, nem todas as amigas podem ser malvadas, nem todos são iguais. Acontece que vivemos em uma sociedade imunda, as pessoas de hoje em dia só pensam nelas mesmas, estamos designados ao azar de viver nessa época tão cheia de ódio, rica em mentiras e pobre de amor.
— Você fala coisas tão verdadeiras, tão boas e confortantes, eu gosto disso.— Laura sorriu minimamente, e o rapaz retribuiu o sorriso.— Você...pode começar a falar mais sobre você, o que acha? Eu quero muito saber sobre a sua vida também, Jake Smith.
— Eu sou como uma âncora. Uma âncora pesada e profunda, e posso sim te levar para a profundidade da minha vida. Vou te contar sobre mim.
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Atualizado até capítulo 44
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