Laura acordou-se com seu celular vibrando e percebeu que já era o dia seguinte. A garota rapidamente atendeu sem ao menos olhar quem era, como sempre fazia.
— Alô?
— Oi amor, há quanto tempo, não?
Ao ouvir aquela voz, os olhos da garota saltaram ligeiramente para fora e encheram-se de lágrimas. Por um instante ela sentiu que seu órgão batendo contra a caixa torácica poderia explodir imediatamente, e com sua respiração ofegante e meramente afetada ela desligou o celular no mesmo instante e correu para o banheiro, preparando-se para um banho rápido.
Seu coração ainda batia de maneira acelerada e ela sentiu o sentimento de medo depois de muito tempo.
Quando saiu do banho, a garota vestiu-se com o uniforme do colégio e desceu as escadas correndo para tomar o café da manhã. Na cozinha, Daniel já comia seu sucrilhos com leite, enquanto ouvia música em seu headphone.
— Daniel, hoje eu recebi uma ligação.— Disse a garota, com a voz trêmula.
— Todos recebem ligações, celular serve pra isso, não é mesmo? — O rapaz tirou o headphone.
— Mas era meu ex, Daniel. — Laura cruzou os braços, inquieta.
— Não minta para mim.
— Eu tenho cara de quem está mentindo? — Indagou a menina, um pouco nervosa.
— Não. Desculpe, vou te levar ao colégio hoje e logo depois irei direto para a Faculdade.— O rapaz suspirou, levando a sério.
— Não é preciso, eu gosto de ir sozinha.— Laura suspirou.— eu só...estou um pouco abalada por essa ligação repentina. Por que será que ele me ligou?
— Certo...toma cuidado com isso. Não dá muito bem pra saber o motivo da ligação dele, mas tente não ligar muito e se o mesmo número ligar outra vez, não atenda.
A garota assentiu e começou a comer também. Ao terminar, voltou para o banheiro e escovou os dentes, terminando e indo para o colégio de skate.
No atalho rumo ao colégio, a garota andava distraída e olhando para o chão, até que olhou para a frente e parou ao ver um rapaz aparecer em sua frente. Ele tinha cabelos castanhos escuros, era alto e possuía um olhar diferente. Seus olhos escuros eram carregados de más intenções, e somente de olhar fixamente para aqueles olhos ele pôde se lembrar rapidamente.
— Oi meu amor.— O rapaz ladino.— O mundo é tão pequeno, não é mesmo?
Um arrepio percorreu pelo corpo da garota e a mesma recuou aos poucos, sentindo o início de uma tremedeira se instalar em seu corpo, juntando-se com os calafrios que percorreram sua alma.
— Hyuri.
— Laura.
— Eu não quero que você me pare em qualquer lugar onde esteja, não quero que você me ligue também.
— Nossa, e o que você quer então? — Ele colocou as mãos no bolso da calça.
— Para ser bem sincera, eu quero que você morra.— Laura falou em um tom firme.
— Uh, o nosso filho deve ter uns... Três anos não é? Qual é o nome? É menino ou menina? — Ele ignorou as palavras da garota e se aproximou.— Você está mais linda do que antes, sabia?
— Eu perdi o bebê. Era um menino, agora vai se ferrar e me deixa em paz! — A garota esbravejou, virando-se para sair dali.
Entretanto, o rapaz segurou o braço da mesma, a impedindo de sair dali.
— Me solta.— Laura o encarou com desdém.— Ei, solta!
— O que você vai fazer se eu não soltar? — Um sorriso macabro apareceu no rosto do rapaz.
— Como um dia eu fui capaz de gostar de uma pessoa tão nojenta como você?
— As aparências enganam, linda.
— Não me chama assim, e eu disse para me soltar!
No mesmo instante, Jack entrou no atalho e os viu ali. Não demorou um segundo para ele sacar o que estava acontecendo e se aproximar cada vez mais.
— Ei, deixa ela em paz.— Disse o rapaz, com sua expressão calma e serena de sempre.
— Meu camarada, fica na sua que eu não estou conversando com você.— O rapaz encarou Jack com desdém.— Nós dois nos conhecemos.
— Você conhece ele, Laura? — Jack encarou a garota, que praticamente pedia ajuda com o olhar.
— Jack, bate nesse louco, ele está me segurando aqui! — Laura tentou puxar o braço, mas não conseguiu de imediato.
— Como quiser.
O rapaz assentiu e no mesmo instante se aproximou de ambos. Olhou por um segundo para o rosto de Hyuri e socou o rosto do rapaz. Imediatamente ele soltou a mão da menina e encarou Jack com uma certa fúria no olhar.
— Obrigada Jack.— Laura soltou-se do rapaz e viu quando eles começaram a sair no soco.— Cuidado!
— Pode ir embora, eu resolvo isso aqui rapidinho.— Jack sorriu para s menina.
— Certo, então estou indo para o colégio, boa sorte aí!
Dito isso, a garota pegou o skate e saiu correndo, deixando-os brigarem.
Não demorou muito e ela finalmente chegou no local, guardou seu skate e pegou os livros, logo caminhando em direção a sala de aula. O professor entrou logo atrás e a menina sentou-se em seu lugar, sentindo Jake a cutucar como sempre fazia.
— Não posso falar com você.— Ela resmungou.
— Larissa, não é? Ah, qual é! Podemos ser amigos...— Jake suspirou pesadamente.
— Outra hora conversamos. Eu quero assistir à aula sem interrupções.
(...)
O dia se passou voando e logo chegou o horário de ir embora, e mesmo assim a garota não falou com Jake no horário da aula.
Em cima de seu skate, Laura andava e fazia algumas manobras completamente distraída. Estava escurecendo, porém ela não queria chegar e ir diretamente para sua casa, pois precisava espairecer um pouco e relaxar a mente. Aquilo fora um erro completo;– demorar para chegar em casa apenas para andar de skate e espairecer na rua. Após um tempo andando de skate e fazendo manobras na praça, a garota finalmente decidiu ir embora.
A rua já não estava tão movimentada e o silêncio pairava sobre o local. Ela pensou mil vezes antes de pegar o atalho de mais cedo, porém respirou fundo e entrou ali, pensando apenas em chegar em casa rápido e ignorando a lição que a vida tentou lhe ensinar mais cedo.
“Nunca frequente o mesmo lugar que lhe trouxe azar por mais de uma vez. Uma vez é sorte, duas vezes uma maldição.”
Ela respirou fundo e entrou onde mais cedo Jack e Hyuri brigavam à parte por sua causa. Quando estava quase no fim, a garota avistou 5 pessoas entrando ali. Eram homens estranhos, e dentre eles, Hyuri e Larissa estavam ali, encapuzados. Ela os reconheceu no mesmo instante e viu a garota a encarar e sorrir ladino.
— Larissa...?
— Oi, Laura.
— O que você está fazendo aqui, com ele? — Apontou para o rapaz nojento ao lado, mesmo que estivesse desesperada por dentro.
— Ah, eles são só uns conhecidos.— A garota sorriu e saiu, olhando-a com uma expressão nada boa.— Até mais, amiga.
— Espera! — Ela tentou seguir a outra, mas fora interrompida quando um dedo indicador tocou em sua barriga.
— Você fugiu e me deixou aqui com aquele intrometido, não foi? — O rapaz gargalhou.— Você vai pagar bem caro por isso. Olha só como está o meu rosto!
— Por que você voltou? De uma hora pra outra você está vindo sempre para o meu caminho. Pare de blefar, você não precisa ficar me ameaçando desse jeito, isso é baixo.— Disse a garota, vendo-os se aproximarem.— Se afastem de mim.
— É uma pena que você é uma maldita ingrata. Você continua a mesma de antes, sabia? — Hyuri a empurrou, fazendo-a cair perto de uma caçamba de lixo.
Um dos homens pegou o skate que havia caído e o quebrou sem dificuldade alguma, enquanto Hyuri sorriu e a puxou bruscamente, pegando-a pelo pescoço e a levantando sem pena alguma, apertando sua garganta com uma certa força.
A garota tentou sair das mãos do rapaz, porém sua respiração falhava e sua garganta já doía como o inferno. Seu coração batia fortemente, suas veias saltavam para fora e seu rosto já estava mostrando o tom vermelho, indicando que em breve ela ficaria completamente sem ar. Quando sentiu que seus pés não tocavam mais no chão, a garota entrou em desespero e se debateu, porém ainda não conseguiu sair dos braços do rapaz.
— Você é a pessoa mais deprimente que eu já conheci em todos os meus anos de vida.— Ele riu mais uma vez.
— Nós não vamos fazer o que a Larissa pediu? — Um dos homens sorriu, esperando Hyuri tomar uma atitude.
— Ah, não. Eu não quero me meter em problemas maiores. Por mais que seja tentador, eu não cometo o mesmo erro duas vezes.— Ele riu, olhando para a garota, que chorava e tossia.
— Mas-
— Mas nada! Não vamos fazer o que ela mandou e pronto!
— Você é um estraga prazeres.
— Sou mesmo.
De repente, Laura sentiu as mãos do rapaz soltarem sua garganta e caiu no chão, passando a tossir sem cessar. Sua respiração ainda não tinha voltado cem por cento, e sua visão estava turva, além da tontura que a fazia manter-se no mesmo lugar, na mesma posição, sem forças para mover.
Mesmo com a visão embaçada, Laura viu alguém derrubar Hyuri, viu os outros homens serem derrubados um por um e por último, sentiu uma forte pancada em sua cabeça, fazendo-a sentir uma dor aguda e finalmente ficar inconsciente.
Não entendia por que depois de tantos anos, aquele rapaz voltara a perseguir do nada. Ainda mais junto de sua amiga revoltada.
(...)
Na manhã seguinte, quando a garota acordou, mal abriu os olhos e já passou a sentir uma forte dor de cabeça, que ia das têmporas até sua nuca, especificamente do lado direito.
Ignorou aquela maldita dor e olhou o ambiente em que estava, vendo que era um quarto estranho. Vestia uma blusa estranha, que não a pertencia.
Estava em um lugar desconhecido. Podia estar em perigo, porém preferia não pensar naquilo.
Levantou-se e saiu andando pelo quarto mesmo descalça. Era um belo quarto, por via das dúvidas. Era aconchegante, a pintura era acinzentada e as cortinas que tampavam a janela eram brancas.
A garota seguiu até um banheiro que havia ali e se olhou no espelho, vendo seu rosto vermelho. Sua bochecha estava ainda mais vermelha, tinha uma enorme marca de mão que se destacava no pescoço da garota, em seu queixo e em suas bochechas. Seus olhos bicolores pareciam sem vida, pareciam confusos e perdidos.
Ela estava perdida em meio à tudo aquilo e mais uma vez seu brilho estava sendo roubado por pessoas que não queriam vê-la feliz.
Suspirou pesadamente e lavou o rosto, logo secando-se na toalha e abrindo a porta do corredor, vendo Jake passando por um acaso.
— Oi, você está bem? — Indagou o rapaz, preocupado.
— Eu não me lembro muito bem do que aconteceu, por que eu estou na sua casa? — Indagou a menina.
— Depois eu te explico o que aconteceu.— O rapaz suspirou.— Está com fome?
— Eu estou morrendo de dor de cabeça...
— Vou pegar remédio para dor de cabeça, mas...estás com fome?
— Estou sim, obrigada.— A garota assentiu.
O rapaz caminhou até a cozinha e a garota o seguiu também, vendo-o pegar um comprimido e encher um copo com água.
— Prontinho, aqui está.— Ele a entregou.
A garota agradeceu e tomou a cápsula no mesmo instante, logo bebendo água e colocando o copo no balcão, sentando-se ali e observando o rapaz preparar panquecas, omelete e bacon.
— Você cozinha muito bem.— Laura sorriu minimamente.
— Obrigado. São comidas simples, na verdade. Qualquer um sabe fazer.
Ambos comeram em silêncio e logo depois o rapaz colocou os pratos na pia, guiando Laura até o sofá da sala.
A garota sentou-se de frente para o rapaz e suspirou pesadamente, prestando atenção no que ele tinha para dizer.
— Eu vou te contar o que aconteceu.
— Certo. Eu lembro de...estar andando de skate e meu skate foi quebrado pelos...
— Então... Eu estava passando ontem, estacionei o carro de frente para a minha casa e ouvi o Jack e o Daniel comentarem sobre algo que havia acontecido mais cedo, entre você e aquele cara. Uma possível briga. O Daniel comentou que estava preocupado porque você não tinha chegado ainda, então eu resolvi ir até a loja de conveniências para ver se te encontrava no caminho assim, por um acaso, sabe. Passando pelo atalho, eu a vi sendo enforcada por aquele idiota e os outros quatro que estavam apenas observando sem fazer nada. Eu bati em todos eles, mas um deles te atacou e você desmaiou.— Disse o rapaz, enquanto Laura apenas ouvia.— Eu ia te levar para para a sua casa, mas seu irmão tinha saído pra te procurar, então te trouxe pra cá e coloquei minha camisa em você, já que seu uniforme estava sujo. Avisei ao seu irmão logo depois e ele achou melhor você dormir aqui, para não acordar no meio da noite confusa.
— Desculpa pelo incômodo e obrigada por isso, eu não queria causar tantos problemas. Se não fosse você, eu nem imagino o que teria acontecido, então...obrigada mesmo! — A garota o agradeceu.— Acho que aqueles malditos iam me manter em um cativeiro? É bem a cara deles.
— Descobri por um deles que...a Larissa quem os contratou, para que eles te dessem um susto e fizessem coisas ruins com você. Ela ligou para o seu ex e começou tudo isso, o trouxe para a sua vida novamente. Isso deve ter despertado todas as suas más lembranças com ele, não é? — Disse o rapaz.— Quero que saiba que eu sinto muito por isso. Eu precisava falar pra você, não foi só ela, foi a sua madrasta também. Eu não sabia que sua madrasta te odiava, essa parte você nunca me contou.
A campainha tocou e o rapaz levantou-se para atender. Daniel entrou rapidamente na casa e sentou-se no sofá, observando-a de um jeito estranho, como se estivesse procurando algo.
— Que bom que você não se machucou. Seu rosto em breve ficará bem.— O rapaz suspirou em alívio.— A Larissa foi longe de mais, ela não pode fazer isso. É um crime grave!
— Precisamos sair de perto deles. Temos que sair daqui o mais rápido possível, podemos nos afastar o quanto antes.— Jake comentou.
— Pra onde nós iríamos? — Indagou a menina.
— Pra qualquer lugar longe dessas pessoas que querem nos destruir, te destruir.— Daniel suspirou pesadamente.— Estou desapaixonando dessa cobra que você chamava de amiga, sério, que decepção.
— Que tal para Nova Jersey? — Jake sugeriu.
— É! Por mim tudo bem, não parece ser tão longe. É uma boa viagem, mas nem tão boa assim.— Laura sorriu minimamente.
(...)
Laura e Daniel iriam para Nova Jersey fugindo de Larissa e seus planos ruins. Annabell se encontrava internada no hospital psiquiátrico de Trenton state, o que poderia trazê-los cada vez para mais perto da mulher que era dada como morta.
— Eu posso faltar no colégio por alguns dias, mas terei que voltar logo.— Jake comentou.— Infelizmente eu reprovei verão passado, isso não pode se repetir.
— Você pode nos acompanhar.— Daniel sugeriu.
— E quando iremos? — Laura perguntou, despertando de seus devaneios.
— Iremos amanhã cedo. Podemos passar em torno de um mês por lá, será tempo o suficiente para tudo voltar ao normal, eu acho.— Daniel suspirou.— Não posso trancar a faculdade, o Jake não pode reprovar e você precisa ir ao colégio também, pra não reprovar.
— Certo. Vamos pra casa, eu vou buscar algumas roupas.— Disse a garota, levantando-se e abrindo a porta.— Obrigada, Jake.
O rapaz assentiu e os observou saindo dali e atravessando a rua. Daniel abriu o portão de sua casa e a garota correu para o andar de cima rapidamente. Laura pegou uma mala e colocou apenas as roupas que precisaria para um mês, logo indo para os acessórios e os objetos.
Quando terminou, seguiu para o quarto de Daniel e o ajudou a terminar sua mala. Ambos desceram e foram para a sala, onde o rapaz pegou mais algumas coisas e seguiram para a casa de Jake, que ficava do outro lado da rua.
A garota tão triste. Não teve um minuto de paz nos últimos dias, nos últimos meses e nem nos últimos anos. Tudo mudou em sua vida desde que sua mãe a deixou e cada dia parecia estar ficando pior. O mundo era cruel, ela não tinha muitas pessoas para protegê-la, não conseguia se proteger bem o suficiente e nem sempre enxergava o mal nas pessoas. Às vezes ela era sua própria auto sabotagem, pois pensava que todas as pessoas eram boazinhas e acabava entrando em problemas.
Por um lado, Laura se sentia extremamente culpada por se apaixonar pelo vizinho. Haviam tantos homens no mundo, por que ela tinha que se apaixonar justo pelo namorado de sua melhor amiga? Agora haviam se tornado grandes inimigas.
Ela não gostava de brigas, intrigas e não gostava de inimizade. Tudo aquilo era um combo tóxico e perturbador em sua vida. Ela só queria se manter distante de tudo aquilo que a deixava tão mal, mas Larissa não permitia e estava disposta a trazer a tona todos os demônios que assombravam a vida de Laura.
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Atualizado até capítulo 44
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