Laura chegou no ginásio e novamente o professor anunciou que jogariam queimada. Aquilo era muito estressante.
— Professor, eu não quero jogar hoje.— Laura suspirou.
— Ótimo, assim poupa burrices.— Disse uma garota, a encarando com desdém.
— Ninguém aqui é burro, e...Laura Johnson, você jogará sim, só não poderás jogar se estiveres doente.— Disse o professor.
— Por favor, eu não estou me sentindo muito bem, eu... não quero jogar.— Laura pediu.
— Ué, você não disse que estava bem há dois minutos? Atrás? — Indagou Jake, a encarando.
— Você está sentindo alguma dor? — Perguntou o professor.
— Sim.
— Onde?
— Aish, são problemas pessoais.— Laura explicou.— Não estou doente, não vou ficar mentindo.
— Ok, então vá para a arquibancada. De qualquer forma não poderei obrigar os alunos a participar da aula.
(...)
No pátio, Laura olhava para as paredes brancas, quando um garoto loiro chegou e sentou-se ao seu lado e ficou a observando.
— Por que estás chorando? — Perguntou.
— Nada, quem é você? — Laura suspirou, limpando as lágrimas.
Ela sequer percebera que estava a chorar.
— Eu me chamo Joseph, e você deve ser a Laura, certo?
— Sim, como sabes?
— Todos falam de você por aqui, a garota dos olhos sinistros.— Ele sorriu.— Eu não estou ajudando né?
— Tecnicamente não, e...eu quero ficar sozinha.— Laura suspirou pesadamente.
— Tudo bem, como quiser. Espero que tenhamos a oportunidade de conversar novamente, você parece legal.
O rapaz levantou e saiu dali, deixando-a sozinha. Minutos depois, Jake chegou ao seu lado e sentou-se no banco, passando a observá-la.
— O que ele queria com você? — Perguntou.
— Te interessa?
— Você está choramingando desde a primeira aula.— O rapaz comentou.— Por que estava conversando com O Joseph?
— Porque sim, não importa. Por que você quer saber?
— Ele não é muito confiável. Você deveria tomar cuidado com quem anda conversando por aí.
— Está bem. Eu quero ficar sozinha.
— Minha mãe sempre me dizia que quando alguém está triste e quer ficar sozinha, é o momento em que mais precisa de alguém ao seu lado.— Disse o rapaz.
— Está bem.— Laura assentiu e fechou os olhos.
(...)
No horário da saída, Laura caminhava lentamente, presa em seus devaneios.
— Vamos amiga! — Disse Larissa, já estranhando a lerdeza de Laura.
— Não vou no carro do Jake.— Laura cruzou os braços.
— Vai sim.— Ambos falaram em uníssono.
Larissa obrigou Laura a entrar no carro e logo saíram dali. Durante todo o caminho, o silêncio tomou conta do carro e o rapaz colocou uma música para descontrair.
Ao chegar em casa, Laura abriu a porta e entrou, vendo o vazio. Todos estavam em seus devidos quartos. A garota suspirou e subiu para o quarto, logo tirando seu uniforme e indo tomar um banho relaxante. Pouco tempo depois acabou por adormecer em sua cama quentinha e acolhedora.
Acordou-se somente com uma mensagem vibrando em seu celular, ligou o celular e viu as mensagens.
— Amiga, eu passei o seu número pro Jake, e eu percebi que você está estranha, aconteceu alguma coisa? — Recebida.
— Não aconteceu nada, está tudo bem.— Enviada.
— Certeza? — Recebida.
— Sim.— Enviada.
Bate-papo com Jake.
— Oi Laura, sou eu, o Jake.— Recebida.
— E? — Enviada.
— E...não sei.— Recebida.
— Eu preciso saber isso... Por que choravas hoje? — Recebida.
— Porque não tive tempo pra chorar ontem e amanhã eu não terei tempo também.— Enviada.
— Engraçadinha, fala sério.— Recebida.
— Vou jantar.— Enviada.
— Jantar às duas horas da manhã? — Recebida.
— Eu não jantei ainda, tchau.— Enviada.
(...)
Na cozinha, Daniel bebia sua água tranquilamente e virou-se, vendo Laura em sua frente.
— Fez o que eu mandei? — Laura perguntou.
— Fiz, está aqui.— Daniel sussurrou, entregando o cartão SD para a irmã.
— Vou apagar sua foto.— Laura sorriu.
(...)
QUARTA-FEIRA DIA 5. (06/03)
Laura acordou-se às 09:00h da manhã, com o sol refletindo em seu rosto. Levantou-se e caminhou até o banheiro, logo fazendo suas higienes matinais. Ao terminar de tomar banho, a garota se vestiu e abriu a janela, logo descendo para a sala de jantar. Tomou seu café e arrumou tudo, subiu para o quarto e pegou o Cartão SD, logo pegando o pen drive e colocando no Notebook.
Daniel caminhou até sua mãe e sentou-se ao seu lado, suspirando irregularmente.
— Mãe.
— Oi querido.
— O que você pensa à respeito da Laura? — Perguntou.
— Por que você quer saber?
— Estou entrevistando todos como exemplo para um TCC, claro que não vou mostrar o que vocês disseram uns dos outros, mas preciso pegar como base uma entrevista sobre todos nessa casa.
— Uma garota estranha e tola, que pensa que cortar os pulsos ajuda em alguma coisa. Mas realmente ajuda, ajuda a se livrar dela. Aquela louca de olhos bizarros, em breve irei interná-la em um colégio interno ou num manicômio se ela continuar agindo tão estranhamente, eu a quero longe de nossas vidas para não passarmos vergonha por aí.
— Wow...b-bom, eu também...
— Não senti firmeza em sua voz.
— Eu também quero.
— Melhorou.
A garota riu das palavras de sua madrasta e logo limpou as lágrimas. Precisava estar plena para ir ao colégio.
(...)
No dia seguinte no colégio, Laura caminhava lentamente até sua sala de aula, enquanto segurava seus livros.
— Oi.— Jake surgiu do além, mantendo-se ao lado da garota.
— Oi, Jake.
— A Larissa me contou tudo sobre você. Eu sinto muito, de verdade.— Disse o rapaz.
— O que!? você não sabe de nada.— Laura resmungou.
— Sei que se conheceram quando você tinha 5 a 6 anos, sei da sua gravidez e sei que você entrou em depressão após um acontecimento trágico em sua vida, sei dos seus pulsos, da sua mãe e sei do Hyuri.— Jake falou rapidamente.
Aquelas palavras encheram a garota de ódio e vergonha.
— Não, você não sabe de nada, você não vai contar pra ninguém! A Larissa me prometeu que guardaria segredo, ela prometeu não contar pra ninguém nunca e ela quebrou a promessa! — Laura se irritou.
— Ficar calma, eu sou confiável.— O rapaz arregalou os olhos, surpreso.
— Não é! Nem a Larissa foi! — Laura gritou.— Vocês são todos iguais!
A garota pegou sua mochila e saiu correndo para fora da escola, indo em direção ao parque. Ao sentar-se no banco, a garota lembrou-se de seu passado.
— Mãe, promete nunca me deixar?
— Sim meu bem, a mamãe te ama muito, muito mesmo! Mas agora a mamãe vai surfar, ok?
— Ok, eu também te amo muito! Me ensina a surfar?
— Claro meu anjo, deixa só você crescer mais um pouquinho e nós faremos isso juntas todo final de semana.
(...)
— Ah meu amor, vamos, por favor!
— Nem pensar, não estou preparada e não estarei tão cedo, ainda tenho 14 anos, entenda isso de uma vez por todas.— Laura cruzou os braços.
— Eu já esperei tempo demais!
— Continuará esperando, ou então pode procurar outra garota.— Laura suspirou, magoada.
— Você não me ama??
— Amo, mas...
— Se me amasse de verdade você faria o que estou pedindo. Eu não quero outra pessoa, eu quero você.
— Você está sendo muito imaturo, Hyuri.
— Não, não estou, você é quem está sendo irritante e chata!
As próximas cenas foram de mágoas e dor. E após um crime gravíssimo, o rapaz fora embora e nunca mais apareceu. Já faziam 2 míseros anos, e diante de um acontecimento tão trágico, surgiu uma gravidez indesejada e a garota engravidou daquele monstro que costumava amar. Com tudo acontecendo tão de repente a garota ficou louca, porém um certo dia Marianna a empurrou da escada acidentalmente e a garota perdeu seu filho, que seria um lindo menino, se caso não nascesse com o rosto do pai. Sim, Marianna o matou de propósito.
Houveram tantas desgraças em uma só vida, mas a garota tentava continuar de alguma forma, mesmo tendo falhas ou deslizes com lâminas e outros métodos que foram falhos. Ela era uma guerreira, mas se odiava por ser tão ingénua quando menor.
(...)
Ao chegar em sua casa, Laura subiu rapidamente para o quarto e pegou uma pequena lâmina que Marianna a presenteou. É, a mulher queria a todo custo manipular a garota para que ela continuasse a fazer aquelas coisas e acabasse de um jeito não muito bom, e ela continuava. Ela não queria fazer aquilo, não queria ultrapassar aquelas barreiras novamente, mas precisava, ou não conseguiria esquecer. Já não doía mais, pois a verdadeira dor estava em seu psicológico.
A porta fora aberta e Thomas apareceu e arregalou os olhos, encarando a irmã.
— Mãe! — Gritou.
— O que foi meu amor?! — A mulher apareceu.
— Ela se cortou novamente, olha! — Disse o garoto.
— Laura, se você continuar assim eu serei obrigada a interná-la em um hospital, isso é coisa de louco, você deve estar instável psicologicamente e precisa de ajuda profissional.— Disse a moça.— Você quer chamar a atenção? Conseguiu.
— Sai daqui! — Laura gritou e fechou a porta.
Ela queria chorar e gritar, mas estava presa em uma realidade falsa e com pessoas falsas, naquela família falsa. De repente, Daniel pulou a janela de seu quarto e entrou calmamente.
— Laura pare com isso. Eu estou te falando...olha, eu vou te ajudar, ok? Minha mãe é uma louca golpista, ela não ama o seu pai, ela pensa em dinheiro, só quer a fortuna. — O rapaz sussurrou.— Se você fizer isso ela vai conseguir convencer ele a te internar em um hospital psiquiátrico e vai ser muito difícil de você sair de lá, ela pode forjar um diagnóstico falso e te prender lá por muitos anos, então por favor, não faça essas coisas, solte.
— Obrigada, Dan.— Laura suspirou aliviada.
— Não há de quê. Eu vou consertar tudo, eu prometo.
— Não me prometa nada.
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Atualizado até capítulo 44
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