Decidida a nunca mais usá-las, Laura finalmente jogou suas lâminas no lixo e Daniel saiu, assim a garota seguiu para a farmácia, determinada a comprar pomada para cicatrizes e esquecer tudo o que estava lhe acontecendo durante todos aqueles anos. Não seria fácil, contudo ela queria tentar esquecer e queria conseguir, ela tinha que conseguir, não queria se mostrar tão fraca porquê não era legal se sentir fraca e incapaz de superar algo.
Enquanto caminhava em direção à farmácia, a garota se assustou ao ter alguém a puxando de repente. Jake estava ali, segurando seu braço e a impedindo de caminhar. Isso a deixou um pouco incomodada, já que ela não queria mais ter intimidade com o rapaz.
— Laura, a gente precisa conversar, sério.— Disse o rapaz.
— Não Jake, nós não temos nada para conversar.— Ela falou suavemente, continuando a caminhar.
Enquanto ela caminhava, Jake a seguia discretamente, até que a garota entrou na farmácia e o rapaz estranhou.
— Laura.— Jake a chamou novamente, entrando na farmácia.
— Por favor, quero uma pomada para cicatrizes.— Laura pediu para o atendente.
— Ei, me escuta! — O rapaz bufou, com raiva.— Pare de me ignorar, eu não sei o que eu fiz, mas eu quero garantir que você não está brava comigo, e eu sequer sei o motivo se caso você esteja mesmo!
Depois que a garota pagou a pomada, pegou o produto e saiu da farmácia. Ambos caminharam até a sorveteria, compraram sorvete e sentaram em uma mesa, prontos para conversar.
— O que você quer? — Indagou a garota.
— Olha, eu posso garantir que sou confiável.— Disse o rapaz.
— Como? — Indagou a garota, confusa.
— Eu sei que não há motivos para acreditar em minhas promessas porque mal nos conhecemos, mas...eu te garanto que sou 100% confiável. Você pode me contar tudo o que aconteceu direitinho, eu não vou te julgar e nem falar coisas precipitadas ou que possa te deixar mal.— Jake suspirou.— Eu fui muito incoveniente quando comentei que a Larissa havia me contado sobre um pouco da sua vida, e ela também foi, eu sei disso, mas quero que saiba que eu estou aqui para o que precisar.
Laura suspirou pesadamente e olhou nos olhos do rapaz, pensativa.
— Tudo bem, você quer saber e não para de me encher o saco com coisas sobre a minha vida então eu vou contar logo de uma vez pra você parar de me infernizar. Minha mãe morreu quando eu tinha 12 anos, ela era uma surfista muito bonita e inteligente.— Disse a garota, lembrando-se de sua mãe.
— Wow...eu sinto muito mesmo. Sério, eu sei que muitas pessoas falam isso sem compromisso algum e somente por respeito, mas eu realmente sinto muito. Mãe é sagrado e eu sei o quão importante elas são em nossas vidas, viver sem nossas mães é muito triste.— Disse o rapaz.— E então...ela se afogou?
— Não, ela foi atacada por um tubarão. Pelo menos foi o que disseram, e... Eu não fui no enterro dela porque eu estava em um colégio interno na Inglaterra.— Disse a garota, com lágrimas nos olhos.
— Mas você deveria ter ido, eu sinto muito por isso.
— E o pior de tudo é que meu pai não esperou nem um mês e já se casou com outra.— Laura gritou de repente, atraindo olhares dos clientes que ali estavam.
— Fala baixo, estamos em uma sorveteria! Então foi algo um pouco planejado, mas... prossiga.
— Com 14 anos comecei a namorar um rapaz de 17 anos, que se chamava Hyuri.— Laura voltou a explicar.
— E...?
— E com 4 meses de namoro ele me encheu o saco para...aish, você sabe. Como eu tinha apenas 14 anos e não estava confiante naquilo, não queria tão cedo e etc, ele não aceitou minha decisão e insistiu durante muito tempo, mas no fim acabou usando a força. Depois de tudo, ele me deixou igual um lixo e foi embora, eu nunca mais o vi.— Disse a garota, com ódio no olhar.
— Eu sinto muito por isso.
— E depois de três meses eu descobri que estava grávida, mas não contei para ninguém, só pra Larissa. O Daniel, meu irmão acabou descobrindo porque ouviu atrás da porta. Ele era bem curioso e irritante nessa época.
— Nossa...então você tem um filho? A Larissa não me contou essa parte.
— Não tenho filhos. Com 4 meses o Daniel e a Larissa me levaram para fazer a ultrassom e eu soube que o bebê era um menino, mas... No mesmo dia, o meu pai e a Mariana ficaram sabendo e aquela estrupício me empurrou da escadaria da antiga casa, eu caí de mal jeito e depois de um tempinho comecei a sangrar. O Daniel me levou pro hospital e o bebê... Acabei sofrendo um aborto espontâneo, ele acabou morrendo com tudo aquilo, bem mais por conta do estresse que eu passei durante os 4 meses de gestante.— A garota limpou as lágrimas e suspirou pesadamente.
— Meu Deus! Eu sinto muito por tudo isso...— O rapaz falou, cabisbaixo.— Desculpe por não ter palavras o suficiente pra argumentar quanto a isso...é muita informação.
— E o resto da minha vida foram só desgraça, eu gostava do Hyuri e depois de tudo o que ele me fez eu fiquei em choque, ele poderia simplesmente ter esperado o meu tempo, mas não esperou. Ele me deixou com um ódio profundo dele e mostrou sua verdadeira face, ele é um monstro! — Laura gritou novamente, assustando algumas pessoas.
— Ei, shhh...— O rapaz colocou o dedo indicador sob os lábios.— Vamos pra casa!
— Espera, eu preciso ir ao banheiro.— Laura suspirou e saiu.
Alguns minutos se passaram e a garota voltou ao local onde estavam, logo Jake se levantou e pagaram os sorvetes. Jake a levou para casa e ambos se abraçaram no portão, completamente unidos.
Larissa chegou no mesmo instante e olhou sua amiga com uma expressão nada boa, buscando motivos para não gritar com eles.
— O que é isso?!
— Eu vim procurar a Laura pra nós dois virarmos amigos novamente, e viramos amigos em sinal de paz.— Jake deu de ombros, a encarando.
— É verdade, ele quer virar meu amigo e eu aceitei para não ficarmos em clima tenso.— Laura deu de ombros, assim como o rapaz.— Por quê?
— Eu pensei que estivessem me traindo.— Disse a garota.
— Estaríamos nos beijando se caso isso acontecesse, mas foi apenas um abraço.— Laura encarou sua amiga.— E eu não sou esse tipo de pessoa, estou chateada por você não confiar em mim. Quem deveria estar brava com você era eu, e não o contrário.
— Desculpe.— Larissa suspirou, ainda com sua expressão séria.
(...)
DANIEL A NARRAR...
Eu queria muito ajudar Laura a conseguir desmascarar minha mãe. Aquela moça é tão antipática e nojenta que eu me assusto com aquela personalidade. Quando Laura retornou à nossa casa, a chamei para o meu quarto e voltamos a conversar sobre os assuntos anteriores, cujo aqueles que eu ajudaria a serem desmascarados. Logo minha mãe estaria perdida, porém eu também precisava da ajuda de Laura e só podia contar com ela para o que eu queria.
— Laura, eu preciso que você também me ajude, quero que me ajude a conquistar o amor da Larissa.— Falei, totalmente confiante de que receberia sua ajuda.
— Não posso.
— Por que não? — Perguntei, confuso.
— Porque ela está namorando faz aproximadamente uma semana, e... Com o garoto dos olhos verdes que mora em frente à nossa casa e com sua janela de frente para a minha. E eu não quero me envolver nisso...— Ela suspirou.
— Por favor! — Insisti.
— Está bem, eu vou tentar, mas será na hora certa. Por enquanto não vou fazer isso porque ela está comprometida.
JAKE A NARRAR...
Eu não sei, mas acho que estou passando a gostar da Laura. Sinceramente, desde o primeiro dia em que a vi, meu coração disparou e eu senti inúmeros sentimentos diferentes, quando não a vejo eu sinto sua falta e quando a vejo chorando meu coração dói, eu fico triste junto com ela sem ao menos perceber isso.
Ela é bonita, eu gosto de estar perto dela e me sinto bem assim.
Eu não deveria estar namorando com a Larissa, mas também não pude responder que não queria quando ela pediu para ficar comigo. A garota passou dias me enchendo o saco nas festas em que eu frequentava e me cercava no colégio como uma maluca, prometeu que seríamos apenas amigos e de repente disse que poderíamos ficar sem compromisso, agora diz que estamos namorando para cada pessoa que encontra.
Ficar é completamente diferente de namorar e ela deveria entender isso. Não tenho sentimentos por ela e isso me deixa tão frustrado. Até hoje guardo aquela cena na cabeça, a cena em que eu conheci a outra garota, aquela que me fez conhecer o amor de verdade.
~Flash back~
Estava saindo da lanchonete quando começou a chover. Eu deveria ter esperado por alguns minutos até que ela passasse, porém não sou de açúcar então saí correndo na chuva mesmo. Virando a esquina acabei por esbarrar em uma garotinha. De começo pensei que fosse uma criança, mas ao ver direito e com mais detalhes, era uma garota, uma moça. Uma moça muito linda por sinal, e sua pele branca como a neve realçava seu belo rosto com gotículas de água, seus cabelos longos e castanho claro até o quadril fixavam seu jeito de uma forma tão estranhamente bonita.
O que mais me fascinou naquela garota, eram seus olhos que eu não conseguia decifrar a cor, eu tive a maior experiência da minha vida por tê-la conhecido assim, de uma hora para outra. Quando ela estava prestes a cair no chão, eu não consegui me controlar e foi praticamente no automático, pois em um piscar de olhos nossos corpos se colaram como em um filme romântico e ela logo se afastou com vergonha, assim eu pude ver seus olhos. Olhos bicolores e um tanto chamativos, um pouco bizarro talvez, por existir mais animais com olhos como aqueles do que pessoas. Humanos eram mais raros e vê-la com aqueles olhos fora impressionantemente estranho... Eram verdes e amarelados, como a cor âmbar. Naquele momento eu estava tão encantado com aquela garota que me apaixonei tão rápido. Ela era a vizinha nova, muito linda e eu iria adorar tê-la por longos anos.
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Atualizado até capítulo 44
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