Nina
Caminhei pelo condomínio por algum tempo, ontem quando chegamos a noite nao percebi como é bonita a area externa. No playground haviam algumas crianças acompanhadas pela pais e no salão de festas estava acontecendo uma festinha infantil.
Um dúvida paira em minha cabeça, será que ele se esqueceu de me dar a chave ou fez de propósito? Pelo pouco que conheço dele, ele é uma pessoa sincera, acho que não faria esse tipo de coisa.
Que dia esse meu. Pelo menos comi o suficiente para não ficar com fome enquanto Henry não volta. Pensei em ligar para uma das irmãs dele e pedi o número de telefone dele mas desisti dessa ideia, não quero incomodar, e ele não quer que eu me aproxime de sua família... Se ao menos eu tivesse alguma amiga poderia ir para a sua casa e conversar, mas nós últimos anos me concentrei apenas em estudar, tenho apenas colegas na faculdade. Talvez isso tenha acontecido por causa do que Anne fazia no passado. Anne sempre dava um jeito de acabar com minhas amizades, sempre roubava as minhas amigas com presentes, passeios, com tudo que o dinheiro poderia oferecer. Pelo visto não eram amizades verdadeiras...
Têm três horas que estou dando voltas pelo condomínio, e agora escutei um forte trovão e pelas nuvens que vejo no céu, sei que vai chover como na noite anterior.
Olho para a tela do meu celular, nenhuma chamada, nenhuma mensagem, meu pai não se preocupou em saber como eu estou, eu sinto que não faço falta para ninguém, e que fui esquecida por todos.
A chuva começou a cair mais forte do que ontem e junto com ela veio o frio que eu não esperava. Peguei o elevador e fui para o andar que fica o apartamento do Henry, resolvi esperar por ele perto do seu apartamento, imagino que ele já deve estar voltando pois ja escureu faz tempo. Encosto minhas costas na porta do apartamento, as janelas do hall desse andar tem uma fresta aberta que eu não consegui fechar. estou sentindo frio, minha jaqueta é fina e está jogada sobre o meus ombros e ela não esquenta quase nada. minhas pernas estão doendo, deixo meu corpo deslizar na porta me sentando no chão tentando fugir do frio que entra pelas janelas. Fecho os meus olhos, quero pensar em algo bom enquanto espero ele chegar.
Não sei quanto tempo se passou desde que me sentei no chão, acabei cochilando e fui acordada por Henry que estava abaixado perto mim. Abri os olhos um pouco atordoada pelo sono.
_ Nina você está bem? Perguntou Henry parecendo preocupado. _ Me perdoe esqueci que tinha que te dar a chave do apartamento.
_ Está bem. Respondo sem olhar para ele, estou chateada com ele, esquecer tudo bem, mas não lembrar que eu estava aqui por mais de quatro horas, é demais para mim. Estou com raiva, sinto vontade de chorar, mas não vou fazer isso na frente dele.
_ Se eu tivesse lembrado mais cedo já teria voltado. Por que você não me ligou?
_ Porque eu não tenho o seu número. Respondo olhando para ele.
_ Verdade, vamos resolver isso agora. Diz desbloqueando o celular e me entregando.
_ Para que? Pergunto pois não entendo o seu interesse em ter o meu contato.
_ Para evitar que situações como está não se repita. Fala com cara de tedio.
_ Poderia ter esperado eu me levantar. Digo digitando o meu número para ele. Entrego o seu telefone e ele se levanta mexendo no celular, e no mesmo instante, sinto meu telefone vibrar
_ Esse é o meu número, depois voce salva na sua agenfa. Diz colocando o telefone no bolso._ Precisa de ajuda para se levantar? Pergunta estendendo a mão para mim.
_ Não Obrigada. Digo recusando sua ajuda, mas quando eu vou me levantar sinto uma forte cãibra na panturrilha direita. Era de se esperar que isso acontecesse depois de ficar tanto tento em pé e depois sentada toda torta no chão. _ Aí aí aí... gemi de dor tentando alongar a perna para me livrar desse incômodo. Henry se abaixou novamente ao meu lado.
_ Deixa eu te ajudar. Diz fazendo massagem no local da cãibra ajudando a aliviar a dor que eu sentia. _ Melhor? Pergunta me olhando nos olhos parecendo me hiponotizar. Balanço a cabeça confirmando que sim.
_ Agora e melhor você sair desse chão, esta frio. Novamente ele estende a mão para mim, e dessa vez eu aceito sua ajuda. Quando seguro a sua mão sinto um choque percorrer o meu corpo me deixando totalmente desconcentrada a ponto de não reagir a força que ele usou para me puxar do chão. Acabo me chocando com força contra o seu corpo. Sinto ele suspirar, nós olhamos e sinto que meu rosto se aqueceu ao sentir a sua respiração tocar a pele do meu pescoço. É normal querer que ele me abrace nesse momento? Seu corpo sempre está quente.
_ Vamos entrar, você está fria, precisa se aquecer, não quero que fique doente e coloque a culpa em mim. Fala me fazendo voltar a realidade, somos apenad dois estranhos que se casaram obrigados pelos pais.
_ Não finja se importar quando na realidade você não se importa. Digo perdendo a paciência, ele não está preocupado comigo pelo visto. Entro rapidamente no apartamento indo direto para o quarto. Achei que conseguiria arrumar minhas roupas a tarde, mas fiquei sem as chaves do apartamento. Procuro na mala uma roupa quente para vestir depois do banho, estou tão chateada que só depois percebi que estou jogando todas as roupas no chão. Junto tudo em um abraço e coloco dentro da mala que agora não quer mais fechar.
_ Idiota!
_ Eu estou escutando. Fala Henry entrando com um copo de leite quente. _ Toma, você precisa se alimentar.
_ Eu não quero! Digo pegando a roupa que escolhi para vestir depois do banho, nao estou recusando o leite para irrita-lo, mas sim porque quando fico chateada, acabo perdendo a fome.
_ Você tem que se alimentar no seu estado...
_ Eu já disse que não quero, vamos chegar a mais uma acordo, não se preocupe comigo, não precisa fazer nada por mim, está bem?! Digo entrando no banheiro e trancando a porta. Só assim deixo as lágrimas fluírem, só elas podem me acalmar.
Tomei um banho quente w demorado e vesti uma camisola de malha com mangas compridas. Voltei ao quarto e sobre a minha mala havia uma chave presa a um chaveiro de guitarra. Acredito que seja a chave da porta do apartamento que ele agora lembrou de me dar. Guardo a chave no bolso da minha mochila, amanhã eu tenho que sair cedo para a faculdade. Pego o colchonete e coloco no chão, pego o travesseiro e o edredom e me deito, não quero olhar para a cara dele outra vez hoje.
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Atualizado até capítulo 72
Comments
Doraci Bahr
não entendo como não descobrem que ela não é quem imaginam
2024-12-23
3
Andreia Carla
🤔🤔🤔
2024-12-17
0
Ana Lúcia
eu também
2024-12-16
0