Fernanda saiu do banho, aproveitando o calor do dia, vestindo um short e uma blusinha leve que escorregava de seus ombros. Ela aplicou uma maquiagem discreta, deixando os cabelos molhados soltos e, em seguida, desceu para almoçar. Ester estava arrumando a mesa, e Fernanda se juntou a ela. Enquanto arrumavam, Vitor também apareceu para o almoço. Fernanda ria das brincadeiras do avô, mas a alegria desapareceu quando Henrique chegou.
— Boa tarde, vejo que você já está se acostumando, Fernanda.
— Comigo ela já está, boa tarde, meu neto.
Assim que viu Henrique, Fernanda rapidamente fechou a cara e silenciou.
— Fui resolver um assunto e decidi almoçar em casa.
— Que bom, meu neto. Já faz tempo que você não vem almoçar.
— Vamos parar de enrolar porque estou com fome. Ester, pode servir o almoço?
O almoço prosseguiu silencioso para Fernanda, que parecia perdida em seus pensamentos.
— Henrique, avisei a todos os membros da família e à sua mãe sobre o seu casamento.
— Eu já sei, avô. O Meireles foi à empresa hoje e me contou. Você sabe que não pede tempo.
— Exatamente. Quero um casamento perfeito, e sua mãe e sua irmã chegam na próxima semana.
Fernanda arregalou os olhos, sem entender. Não fazia ideia de que Henrique tinha mãe e irmã.
— Ela não reclamou?
— Por que ela iria reclamar?
— Porque nunca aceitou essa tradição familiar sobre as mulheres.
— Você precisa parar de culpar sua mãe por bobagens. Ela te ama, Henrique. Só foi embora para afastar a Bia disso tudo, e eu concordo com isso. Não quero ver minha neta passando pelo mesmo que a Juliane, que é falada por todos, menos pelo seu pai, que não vê a verdade.
— Falando em Juliane, amanhã é a festa dela. Você vai comigo, Fernanda. Quero te apresentar como minha noiva.
— Já tô até vendo…—dizia o Vítor, por saber como Juliane amava Henrique.
Juliane, assim como todos os outros, já sabia que Henrique ia se casar e que sua noiva estaria na festa. Ela começou a arquitetar um plano para fazer Henrique mudar de ideia sobre o casamento. Para ela, ninguém mais podia ter Henrique—só ela, mesmo que ele já não quisesse nada com ela após seus deslizes com Lucas, o braço direito de Henrique. No entanto, Juliane não estava preocupada: na cabeça dela, Henrique nunca seria feliz, pois ela não poderia ser.
Depois do almoço, Fernanda saiu para o jardim. Henrique conversou um pouco mais com Vitor antes de se dirigir a ela.
— Quero saber mais sobre essa história de você cantar na minha casa de shows.
— O que senhor Henrique? Eu cantei lá só uma vez, e foi ontem. Fiz de tudo pra ser selecionada e fui naquele dia.
— Pois pode esquecer, porque você nunca mais vai cantar lá.
Fernanda ficou desanimada. Tinha gastado suas economias para fazer uma identidade falsa, pois só tinha dezessete anos e só faria dezoito no próximo mês. Agora, não poderia mais cantar. Mas, como já havia decidido que a sonhadora Fernanda havia morrido, respirou fundo para não chorar.
— Quero que você esteja linda amanhã. Então vamos escolher um vestido.
Fernanda ficou animada, mesmo que a companhia fosse Henrique. Ele abriu a porta do carro, e ela entrou. Henrique se sentou ao seu lado e pediu ao motorista para ir ao shopping. Dentro do carro, Fernanda pensava enquanto observava Henrique:
"Ele está tão perto de mim, mexendo no celular. Queria poder fugir, mas para onde? E se ele me achasse? Mudando de ideia, percebo que guardou o celular e está olhando pra mim."
— Então você está me admirando? Não se preocupe, logo serei seu, bela menina.
Fernanda virou o rosto, franzindo a testa e pensando:
"Vai ser meu. Pense o que quiser, mas não conto que vou gostar de você. Você vai se arrepender de ter me conhecido."
— Chegamos, vamos.
Eles desceram e entraram em uma loja sofisticada onde Fernanda ficou fascinada com os vestidos.
— Pode escolher qualquer um que você quiser.
Fernanda, empolgada, decidiu pegar o mais caro, só para ver a reação dele.
Ela chamou uma vendedora que estava dando em cima de Henrique. Fernanda logo percebeu que ela era interesseira.
— Olá, boa tarde. Quero ver o vestido mais caro que meu noivo vai pagar. Ele quer ver sua noiva ainda mais linda.
Henrique observou como Fernanda falou com a vendedora, admirando cada gesto dela enquanto Fernanda se mostrava ciumenta. Ele fez questão de fazer de conta que nada estava acontecendo, focando no celular.
Nem mesmo Fernanda sabia por que tinha falado daquela forma com a vendedora. Sem graça, a vendedora trouxe o vestido mais caro da loja e Fernanda imediatamente foi experimentá-lo.
Era um vestido rosa claro, sexy ao mesmo tempo que elegante. Com alças finas que deixavam os ombros à mostra e um decote discreto, realçava a beleza de Fernanda. Ela ficou se admirando por longos minutos antes de chamar Henrique, que ainda estava no celular.
— E aí, senhor, gostou desse? — perguntou, exibindo o vestido.
Henrique a olhou de cima a baixo, admirando seu corpo.
— Pode ser esse. Você ficou linda, todos vão admirá-la.
Fernanda voltou ao provador e tirou o vestido, entregando à vendedora que trocou a expressão para uma feição de desdém ao colocar o vestido na sacola.
Fernanda apenas sorriu e Henrique pagou o vestido sem perguntar o preço, passando o cartão.
— Você gostaria de comprar mais alguma coisa?
Fernanda ficou surpresa com o comportamento de Henrique. Novamente, seus pensamentos a atormentaram:
"O que deu nele? Ele está perguntando se quero mais alguma coisa... só pode ser um sonho, já que ele sempre está mandando em tudo."
Ela avistou uma sorveteria e, sendo louca por sorvete, pediu a Henrique para levá-la até lá.
— Sim, quero mais uma coisa.
— O que é?
— Quero ir naquela sorveteria ali. — apontou com a mão.
Henrique sorriu ao vê-la agir como uma criança pedindo um desejo.
— Ok. Você se comportou bem hoje, então ganhará um prêmio. Espero que se comporte bem amanhã também.
Ele dizia isso porque sabia que Juliane provavelmente faria um escândalo e poderia até humilhar Fernanda. Ele não queria que os membros da família soubessem que ela era obrigada a casar com ele, pois isso seria uma piada para um homem tão poderoso.
Ao deixá-la comer o sorvete, Fernanda ficou feliz.
— Obrigada, senhor. Vou me comportar.
— Então, pare de me chamar de senhor na frente dos outros. O que vão pensar se minha noiva me chama de senhor? Pode deixar isso pra me chamar de senhor na nossa cama, depois do casamento.
Fernanda, ao pensar que teria que se casar com ele e perder sua virgindade, se entristeceu. Em sua mente, nunca imaginou que acabaria na cama com um homem tão rude e malvado.
Henrique escolheu uma mesa para eles se sentarem. Ele puxou a cadeira para Fernanda, que ficou confusa, mas acabou sentando. Ela o observava enquanto ele se acomodava na cadeira à sua frente. Um atendente apareceu para atendê-los, e Fernanda pediu seu sorvete favorito: chocomenta, uma mistura de chocolate com menta. Ela olhou para Henrique, que não havia pedido nada.
— Você não gosta de sorvete?
— Não! Mas fique à vontade.
Quando o sorvete chegou, Fernanda começou a comer de um jeito bem provocante, e Henrique a observava, com uma expressão que dizia que ele estava se divertindo, mas, ao mesmo tempo, não. Ele parecia estar se excitando com aquela cena.
— O que foi? Se você não gosta, eu gosto e está uma delícia.
Henrique se levantou, puxou-a pelo braço e deixou uma boa quantia em cima da mesa, até mais do que o sorvete custava, antes de se dirigir ao carro. Ele a colocou no veículo e pediu ao motorista que os levasse de volta para casa.
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Atualizado até capítulo 161
Comments
Silvana Schuwanz bernardo
@suelen😍 como é que eu fasso pra parar de ler, preciso trabalhar mulher 🤭
2024-12-27
1
Ivanilde T. Serra
kkkkkkk edtou nesse mesmo lema, não consigo parar de ler.
2025-02-11
1
Silvana Schuwanz bernardo
tô me divertindo com esse joguinho deles😆
2024-12-27
1