Capítulo Extra 4 – Entre o Instinto e a Razão
A noite estava fria, e o silêncio na sala só era interrompido pelo som suave da respiração de Ethan, deitado na cama. Sua mente estava um turbilhão, seus pensamentos se chocando uns contra os outros, como ondas batendo em rochas. Havia uma luta acontecendo dentro dele. O instinto estava sempre lá, pronto para ser despertado, chamando-o para Damian. Mas a razão, a parte mais racional e cautelosa de Ethan, continuava tentando afastá-lo dessa tentação.
Ele se sentia como um homem em conflito com o próprio corpo. Por um lado, ele queria Damian mais do que tudo, sentia uma atração tão profunda que sua pele ardia, esperando o toque dele. Por outro, algo dentro dele gritava para se afastar, para não ceder ao desejo.
Damian sempre foi claro com ele. O alfa não estava ali apenas para satisfazer o corpo de Ethan, para responder ao cio, mas também para ajudá-lo a entender o que o desejo realmente significava. Damian queria mais do que uma relação impulsiva; ele queria algo real, algo sólido. E Ethan sabia disso.
Mas a dúvida persistia. Será que ele estava pronto para isso? Será que podia confiar completamente em Damian e se entregar, não apenas ao corpo, mas também ao seu coração? As feridas do passado de Ethan ainda estavam muito frescas, e o medo de se machucar novamente era uma constante.
A porta do quarto se abriu silenciosamente, e Damian entrou. Ele estava mais uma vez sem pressa, sem qualquer sinal de impaciência. Seu olhar era suave, mas havia algo nos seus olhos, uma intensidade que Ethan não conseguia desviar. O alfa estava sempre atento, sempre consciente dos limites, mas havia algo mais. Algo que fazia Ethan se perguntar se ele realmente poderia confiar em alguém como Damian.
— Você está bem? — a voz de Damian cortou o silêncio da noite. Seu tom era calmo, mas havia uma preocupação evidente.
Ethan tentou desviar o olhar, mas não conseguiu. O magnetismo de Damian o atraía de forma irresistível. Ele simplesmente não sabia como resistir. No entanto, ele precisava.
— Eu... não sei. — A resposta de Ethan foi honesta, embora falha, pois ele sabia que a situação estava mais complicada do que ele queria admitir.
Damian se aproximou da cama, mas não tocou em Ethan de imediato. Ele ficou ali, observando-o, como se estivesse aguardando que Ethan tomasse a decisão.
— Você não precisa decidir agora. — Damian sentou-se ao lado de Ethan, o peso de sua presença calmante, mas também desconcertante. — Não quero que você faça nada por impulso. Só... se você for fazer algo, que seja porque você quer, Ethan.
O rosto de Ethan se contorceu com a luta interna. Ele queria tanto. Queria mais do que qualquer coisa. Mas, ao mesmo tempo, o medo de se perder o paralisava.
Damian, percebendo a dor e a confusão de Ethan, estendeu a mão e tocou suavemente o braço dele. Aquele toque, simples e direto, foi o que fez a última resistência de Ethan desmoronar. Não era o toque quente e impetuoso de um alfa em cio. Era o toque de alguém que respeitava Ethan, que compreendia sua luta interna.
Ethan fechou os olhos, sentindo a leve pressão da mão de Damian em sua pele. Algo se aquietou dentro dele. O medo ainda estava ali, mas não mais com a força de antes. Ele não queria ser prisioneiro do seu próprio corpo ou da sua mente. Ele queria viver. Viver com Damian. Viver essa experiência, mesmo que fosse nova e cheia de inseguranças.
— Eu... não sei como fazer isso. — A confissão escapou de seus lábios, baixa, quase como se fosse um sussurro de desespero.
Damian se inclinou mais perto, agora tão próximo que Ethan podia sentir o calor do corpo dele irradiando. Ele não disse nada de imediato, apenas acariciou o rosto de Ethan com a ponta dos dedos, com uma ternura que desarmava qualquer resistência. E então, com uma suavidade que parecia perfeita para aquele momento de vulnerabilidade, Damian falou:
— Você não precisa saber tudo, Ethan. Só precisa confiar.
E então, sem mais palavras, ele beijou Ethan. O beijo não era urgente, nem dominador. Era suave, como se Damian estivesse dizendo a Ethan que, independentemente do que acontecesse a seguir, ele não precisava ter medo. O toque de Damian era um convite para se abrir, para se entregar, mas sem pressa.
Ethan, sentindo o beijo, percebeu algo dentro de si começar a ceder. Ele não precisava entender tudo. Não naquele momento. Ele só precisava se permitir sentir, sem pressa, sem medo. E, pela primeira vez em muito tempo, ele se entregou.
A luta interna cessou, e Ethan, ao contrário de sua natureza habitual, não se afastou. Ele se entregou ao momento, se entregou ao toque, ao carinho de Damian. Ele não estava mais temeroso. Ele estava pronto.
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Atualizado até capítulo 23
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