Capítulo 2- Um jogo perigoso

Os dias se passaram, mas Ethan não conseguia tirar aquele alfa da cabeça. Damian. O nome combinava com ele—curto, imponente, difícil de esquecer.

E o pior? Ele continuava aparecendo.

Toda manhã, no mesmo horário, Damian entrava na cafeteria, pedia seu café preto e sentava-se em uma mesa próxima ao balcão. Sempre discreto, sempre observando, mas nunca invadindo o espaço de Ethan. Isso deveria tranquilizá-lo, mas o incomodava ainda mais.

Ethan sabia que algo estava errado, que ele deveria estar em paz com a presença de Damian, mas a cada novo dia ele se sentia mais desafiado, mais atraído e, por algum motivo, mais irritado. O que deveria ser uma simples rotina se tornava um jogo perigoso.

Certa manhã, a paciência de Ethan se esgotou. Quando Damian se aproximou do balcão, ele cruzou os braços, encarando-o com uma intensidade que nem ele sabia que possuía.

— Você realmente gosta desse café ou só está vindo aqui para me irritar?

Damian ergueu uma sobrancelha, pegando o copo que Ethan acabara de entregar.

— Talvez os dois.

— Metido — Ethan resmungou, seus olhos estreitos, uma tentativa falha de esconder a frustração que borbulhava por dentro.

Damian riu baixo, e Ethan odiou como aquele som soou agradável, como se tivesse sido feito para seduzi-lo, para tirar-lhe o foco.

— Você trabalha demais, Ethan — o alfa comentou, casualmente, como se estivesse observando algo além do simples movimento de Ethan atrás do balcão.

Ethan travou.

— Você anda me observando?

— Difícil não notar quando alguém está sempre por aqui, correndo de um lado para o outro.

O tom de Damian era enigmático, leve, mas as palavras pareciam um jogo—um jogo que Ethan não sabia como jogar.

O ômega bufou, tentando se livrar da sensação de desconforto que tomava conta dele. Sem pensar, pegou o pano de limpeza e o jogou sobre o balcão com mais força do que o necessário.

— Não sou do tipo que precisa de um alfa para dizer como devo viver — ele disse, tentando manter a compostura, mas sua voz traiu o leve tremor de insegurança.

Damian inclinou a cabeça levemente, os olhos cinzentos avaliando-o de uma forma que fez Ethan se remexer desconfortável. Ele era bom nisso—não apenas em observar, mas em desestabilizar quem estivesse à sua frente. E Ethan era o alvo, o ponto fraco, e ele sabia disso.

— Eu disse que você precisava? — Damian respondeu, o sorriso tênue, quase imperceptível, mas ali, naquele simples movimento dos lábios, havia algo que causava uma sensação difícil de descrever.

Ethan abriu a boca para responder, mas parou. Droga, ele tem razão. Ele não precisava de Damian, mas a presença do alfa fazia o mundo ao seu redor se tornar mais... interessante, mais vivo, mais desafiador. Algo dentro de Ethan queria mais. Ele não podia admitir isso, não podia deixar que o alfa soubesse, mas isso o incomodava ainda mais.

O alfa deu um gole no café e sorriu de canto, como se tivesse visto algo que Ethan não queria que fosse visto.

— Pensei que ômegas fossem bons ouvintes.

— Pensei que alfas fossem menos irritantes — Ethan retrucou, forçando um sorriso que parecia mais uma careta.

Damian riu novamente, e pela primeira vez Ethan percebeu que o som não era zombeteiro. Ele estava... gostando disso. Cada palavra trocada entre eles parecia um desafio, uma provocação, e o coração de Ethan batia mais rápido a cada segundo que passava.

O resto do dia seguiu normalmente, mas algo mudou. Pela primeira vez, Ethan percebeu que não queria que Damian fosse embora tão cedo.

Mas ele não admitiria isso.

Nunca.

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Comments

Ludmyla Fernanda

Ludmyla Fernanda

tô amandoooo continua assim eu quero mais cap

2025-03-22

1

Paula Assunção

Paula Assunção

tô amando a história 😜

2025-03-22

0

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