Ethan despertou lentamente, sua mente oscilando entre o torpor e a realidade. Seu corpo parecia pesado, quente, mas não com febre. Era um calor diferente, profundo, algo que vinha de dentro e pulsava sob sua pele como uma corrente elétrica incontrolável.
Ele abriu os olhos com esforço, piscando algumas vezes para ajustar a visão ao ambiente ao seu redor. As luzes estavam baixas, lançando sombras suaves pelo cômodo. O lugar era simples, mas aconchegante—paredes em tons neutros, poucos móveis e uma janela parcialmente aberta, deixando entrar uma brisa refrescante que aliviava um pouco o calor sufocante dentro dele.
Foi então que percebeu.
O cheiro.
Era limpo, fresco, mas havia algo a mais. Uma nota amadeirada, cítrica, marcante. Um aroma que seu corpo reconhecia antes mesmo de sua mente processar a informação.
Damian.
O nome veio como um sussurro em seus pensamentos, e seu peito apertou. Ele tentou se sentar, mas um peso em seu corpo o fez hesitar. Seu cio ainda estava ali—não tão avassalador quanto antes, mas latente, à espreita, pronto para retomar sua força a qualquer momento.
Um arrepio percorreu sua espinha quando uma voz grave cortou o silêncio:
— Você está acordado.
Ethan virou a cabeça rapidamente, encontrando Damian encostado na porta, os braços cruzados sobre o peito. Ele estava ali, observando-o, sua expressão indecifrável. O olhar cinzento capturava cada detalhe, atento, como se avaliasse sua condição.
— Onde… onde eu estou? — Sua voz saiu rouca, mais do que gostaria.
— Meu apartamento.
Ethan arregalou os olhos.
— O quê?!
Damian não demonstrou surpresa com sua reação. Ele apenas inclinou a cabeça levemente antes de responder:
— Você desmaiou na cafeteria. Não achei que seria uma boa ideia deixar um ômega no cio vulnerável em um lugar público.
A palavra vulnerável foi como um estalo, despertando algo dentro de Ethan.
Raiva.
Ela veio rápido, queimando qualquer outro sentimento.
— Eu não sou vulnerável! — retrucou, seu tom mais afiado do que pretendia.
Damian ergueu uma sobrancelha, mas não respondeu de imediato. Em vez disso, afastou-se da porta e caminhou lentamente até a cama. Seus passos eram firmes, medidos, como se quisesse evitar qualquer gesto que pudesse ser interpretado como uma ameaça.
Ele se abaixou, ficando na altura de Ethan, e seus olhos se fixaram nos dele.
— Eu sei — disse, sua voz surpreendentemente calma. — Você é forte, independente… e teimoso.
Houve uma pausa, uma tensão pairando no ar entre eles antes que ele completasse:
— Mas até ômegas teimosos têm limites.
Ethan abriu a boca para rebater, mas as palavras não vieram. Ele queria negar, queria gritar que não precisava da ajuda de ninguém, mas seu corpo o traía. Estava quente, cada fibra sua gritava pelo cheiro de Damian, e ele odiava isso. Odiava como o instinto tentava tomar o controle, como se fosse uma marionete de sua própria biologia.
Ele cerrou os punhos, tentando lutar contra a onda de sensações que ameaçava engoli-lo.
Damian suspirou.
— Eu não vou tocar em você, Ethan.
A declaração fez Ethan travar.
— Você precisa confiar em mim — Damian acrescentou, seu tom baixo, quase um sussurro.
Ethan o encarou, buscando qualquer sinal de mentira. Mas os olhos cinzentos do alfa eram firmes. Sinceros.
Isso não fazia sentido. Alfas não resistiam a um ômega no cio. Eles cediam ao instinto. Eles tomavam o que queriam, o que precisavam.
Mas Damian… Damian estava se segurando.
O silêncio se estendeu entre eles até que Ethan finalmente murmurou:
— Por quê?
Damian franziu a testa.
— O quê?
Ethan umedeceu os lábios, hesitante, mas forçou-se a perguntar:
— Por que você não está… fazendo o que qualquer alfa faria?
O ar entre eles ficou pesado. Damian desviou o olhar por um breve instante, sua mandíbula se contraindo levemente, como se ponderasse a resposta. Quando finalmente falou, sua voz veio firme, sem hesitação.
— Porque você merece escolher.
As palavras o atingiram como um soco.
Ethan esperava arrogância. Esperava um tom presunçoso, uma provocação ou um jogo de dominação típico dos alfas. Mas não aquilo. Nunca aquilo.
Seu peito apertou, e, pela primeira vez em anos, ele se sentiu realmente seguro perto de um alfa.
E isso era perigoso.
Confiar em Damian significava abrir mão do controle.
E isso, Ethan jurou que nunca faria.
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Atualizado até capítulo 23
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