Na manhã seguinte, os pais de Nick chegaram mais cedo do que ele esperava, interrompendo qualquer possibilidade de ele refletir mais. O som da porta se abrindo e das vozes familiares ecoando pela casa o fez se levantar às pressas. Eles entraram na cozinha e, ao perceberem o cheiro de bebida e o estado da sala ainda bagunçada da festa, o sermão seria inevitável, já que ele deu a festa sem avisar.
_ Uma festa Nicolas? Enquanto estávamos fora? A voz firme do pai de Nick reverberou, enquanto a mãe dele apenas olhava com desaprovação.
Nick tentou se defender, mas seus argumentos foram rapidamente silenciados.
_Você vai passar o restante do final de semana em casa, sem celular, sem amigos, sem nada. E pode esquecer de sair por um bom tempo. Decretou o pai.
Com um suspiro pesado, Nick subiu para o quarto, sentindo-se ainda mais preso, não apenas pelas paredes da casa, mas pelos próprios sentimentos. Ele queria desesperadamente falar com Rafaela, mas o castigo tornava tudo ainda mais difícil.
Nick se jogou na cama novamente segurando a câmera fotográfica que ela havia gostado escrevendo o nome dela na lateral. A lembrança da noite anterior continuava a atormentá-lo, e ele sabia que não poderia simplesmente fingir que nada tinha acontecido. Por mais que estivesse preso fisicamente, precisava encontrar uma maneira de consertar as coisas, e o restante do dia ele pensava como fazer isso.
Na segunda, Nick acordou com uma determinação incomum. Ele não conseguia parar de pensar em Rafaela desde a noite da festa.
“Hoje eu resolvo isso”, pensou, enquanto pegava sua mochila e saía de casa apressado. Talvez Rafaela o evitasse mas ele a procuraria, pois precisava conversar com ela e dizer que não estava arrependido oubtentando esconder a primeira noite dos dois.
Enquanto isso, Rafaela já estava acordada havia horas. Ela havia passado a noite em claro, pensando no que estava por vir.
_ Bom dia princesa, não vai ir na aula hoje? Perguntou Carlos ao ver Rafaela de pijama.
_ Bom dia pai, não estou com vontade...
_Tem certeza? Perguntou o pai, enquanto organizava alguns documentos na mesa.
_ Tenho, pai. Melhor assim. Não quero despedidas.
_ Então podemos antecipar nossa viagem.
A decisão do pai de antecipar a viagem pegou Rafaela desprevenida, mas ela não quis discutir. Quanto mais rápido fossem embora, melhor. Ela não sabia se teria coragem de encarar Nick ou os colegas de classe novamente.
_ Bom, então vamos embora, a nossa mudança já está pronta mesmo.
_E você não vai avisar a Ava?
_ Vou enviar uma mensagem para ela
Rafaela ficou pensativa por um momento e, em silêncio, pegou o celular. Ava era a única amiga que ela sentia que devia uma explicação. Com os dedos trêmulos, digitou:
"Ava, estou me mudando hoje. Meu pai foi promovido no trabalho e estamos indo morar em outra cidade. Não vou voltar mais na escola, nem quero me despedir. Obrigada por tudo. Se cuida, e por favor, não dê meu numero para ninguem, so quero ter contato com você".
Após enviar a mensagem, Rafaela desligou o telefone sentindo um peso enorme no peito. Ela largou o celular de lado e olhou pela janela, tentando gravar cada detalhe daquele lugar que, apesar de tudo, ainda era seu lar.
Chegando à escola, Nick entrou na sala e olhou ao redor, com o olhar atento e inquieto. Seu coração acelerou ao notar que o lugar onde Rafaela costumava se sentar estava vazio. Ele franziu o testa e virou-se para Ava, que mexia no celular, um tanto chateada.
_Cadê a Rafaela? Perguntou Nick, tentando soar casual, mas o tom de urgência era evidente.
Ava olhou para ele surpresa, como se não esperasse aquela pergunta. Depois de um momento, ela soltou um suspiro.
_ A Rafa foi embora… Disse Ava chateada. Nick sentiu como se o chão tivesse sumido sob os seus pés. _ O aniversário dela foi sábado e hoje eu ia entregar o presente, mas ela sequer veio buscar
_ Aniversário no sabado? E como assim ela foi embora? Perguntou, mais para si mesmo do que para Ava.
Ava deu de ombros, com uma expressão de tristeza.
_ A Rafa se mudou por causa do trabalho do pai dela, e ela não disse nada porque não quis se despedir de ninguém. Só mandou uma mensagem.
Nick não disse nada. Frustração e arrependimento se misturavam dentro dele. Ele deixou a sala de aula sem olhar para trás, ignorando os chamados do professor.
Do lado de fora, ele sentou-se no banco do pátio e passou as mãos pelos cabelos, sentindo um peso no peito que ele não sabia explicar. Rafaela tinha partido, e ele sequer teve a chance de falar com ela, de explicar o que realmente queria dizer naquela noite.
_Ela foi embora … E eu não fiz nada…
Nick não conseguiu se concentrar em nenhuma aula. Durante os intervalos, ele continuava a olhar para para a porta da sala como se Rafaela pudesse chegar. Talvez um último "adeus" ou um sinal de que aquilo não era definitivo.
No fim da manhã, ele não suportou mais e foi direto até a casa de Rafaela. Ele sabia que era loucura, mas não conseguia ignorar a sensação de que ainda poderia alcançá-la.
Ao chegar, ele encontrou a casa vazia. As janelas estavam fechadas, e a pequena varanda parecia mais fria e distante do que ele já tinha visto lembrava.
_Não, não é possível…
Nick deixou a mochila jogada no chão e subiu os degraus da varanda. Bateu na porta, mas nada. O som ecoou pelo silêncio da rua. Ele bateu mais uma vez, com força.
_Rafaela?! Gritou, mesmo sabendo que não obteria resposta.
Tudo o que ele podia ouvir era o som distante do vento soprando. Sentou-se no primeiro degrau, sentindo uma onda de impotência tomar conta dele. Pela primeira vez, Nick percebeu o peso do vazio que Rafaela havia deixado.
Ele pegou o celular do bolso mas não tinga o número dela que também não fazia parte do grupo de mensagens da turma.
O celular permaneceu inerte em suas mãos.
Nick fechou os olhos e encostou a cabeça no batente da porta. Tudo o que conseguia pensar era na última vez que estivera com ela, naquela noite em seu quarto. Lembrou-se do cheiro dos cabelos dela, do nervosismo que ele tentou disfarçar, e das palavras que não teve coragem de dizer.
_ Idiota, idiota idiota...
Ele ficou ali, parado por alguns minutos, até que finalmente se levantou, derrotado. Nick voltou para casa, sem pressa. A rua parecia mais longa, o dia mais cinza.
Naquela noite, deitado na cama, Nick encarou o teto do quarto. Uma parte dele ainda esperava que a partida de Rafaela fosse um sonho, que no dia seguinte ela estaria sentada em seu lugar na sala de aula, revirando os olhos para as provocações dele.
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Atualizado até capítulo 75
Comments
IJBitt🧚
A adolescência traz com ela a imaturidade, então eles não têm noção de que a vida é encontros e desencontros, nada é definitivo, pra sempre.Até nós seres humanos, somos finitos.A vida vai continuar para Nick e Rafaela. . .
2025-03-26
2
Lucinéia Lucizano
o caso eles são adolescentes de 17 anos não tem maturidade ainda,muitos nem continua o namoro.
2025-02-12
0
Maria Gomes
Nick vc foi um idiota mesmo, mas suas palavras mal interpretadas feriram a Rafaela e agora vc ficou com suas frustrações 🤔🤔🤔🤔🤔🤔🤔🤔
2025-01-22
1