Capítulo 6: O Primeiro Passo
A clareira estava em silêncio quando Emily se levantou, ainda sentindo o calor residual que parecia emanar de dentro de si. Os olhares da alcateia ainda estavam sobre ela, mas agora eram diferentes – não havia julgamento, apenas expectativa.
Sofia deu alguns passos para o centro da clareira, chamando a atenção de todos.
— Hoje marcamos o início do despertar da nossa Suprema Luna. Este é um momento de esperança, mas também de perigo.
Layla ficou ao lado de Sofia, sua expressão séria enquanto observava Emily.
— O treinamento precisa começar imediatamente. Não podemos nos dar ao luxo de esperar.
Emily sentiu um frio na espinha.
— Treinamento? Do que exatamente vocês estão falando?
Sofia olhou para ela, seus olhos prateados brilhando.
— Você precisa aprender a controlar sua força, seu vínculo com a lua e sua conexão com a alcateia. E, acima de tudo, precisa saber se defender.
Emily olhou para suas mãos, a ideia de ter alguma força ou poder ainda tão estranha quanto surreal.
— Eu não sei como fazer nada disso.
Layla cruzou os braços, um sorriso leve surgindo em seu rosto.
— É para isso que servem os treinamentos.
Antes que Emily pudesse protestar, Sofia levantou a mão.
— Layla, deixe-me começar. Ela ainda está se adaptando.
Layla suspirou, mas assentiu.
— Tudo bem, mas não pegue leve demais.
Emily franziu a testa, olhando de uma para a outra.
— O que exatamente vocês querem que eu faça?
Sofia aproximou-se, parando a poucos passos dela.
— Primeiro, vamos testar seus sentidos. Agora que sua essência está emergindo, eles devem estar muito mais aguçados.
Emily engoliu em seco.
— E como eu faço isso?
— Feche os olhos — instruiu Sofia, sua voz suave, mas firme.
Hesitante, Emily obedeceu.
— Concentre-se na sua respiração. Sinta o ar entrando e saindo. Agora, tente ouvir além do som óbvio. Escute a floresta.
Por um momento, tudo que Emily ouviu foi o som de sua própria respiração e o murmúrio distante do vento. Mas, gradualmente, outros sons começaram a se destacar. O farfalhar das folhas, o movimento de pequenos animais no subsolo, até mesmo o ritmo das respirações dos outros na clareira.
— Eu... eu consigo ouvir coisas que não ouvia antes — disse Emily, surpresa.
— Ótimo — respondeu Sofia, com um sorriso. — Agora, tente sentir o cheiro ao seu redor. Identifique cada aroma.
Emily franziu a testa, mas obedeceu. Inspirou profundamente, e uma enxurrada de cheiros a atingiu. A terra úmida, o perfume da vegetação, até mesmo a essência única de cada pessoa ali. Mas havia dois aromas em particular que chamaram sua atenção – o doce e amadeirado de Sofia, e o intenso e picante de Layla.
Seu rosto corou involuntariamente.
— Eu sinto... vocês.
Layla riu levemente, cruzando os braços.
— Isso é natural. O vínculo está se fortalecendo.
Sofia assentiu, mantendo o foco.
— Esses sentidos serão essenciais para sua sobrevivência. Eles podem te alertar sobre perigos antes que você os veja.
Emily abriu os olhos, ainda processando tudo.
— E... o que mais eu preciso aprender?
Layla deu um passo à frente, sua expressão mais séria agora.
— Defesa. Você precisa saber como se proteger.
— Eu nunca lutei na vida! — Emily exclamou, recuando instintivamente.
— É para isso que servem as lições — disse Layla, aproximando-se ainda mais.
Antes que Emily pudesse dizer qualquer coisa, Layla se moveu em um piscar de olhos, atacando-a com um movimento rápido, mas calculado. Emily gritou e ergueu os braços, mas, para sua surpresa, seu corpo reagiu por conta própria. Ela desviou para o lado, e sua mão instintivamente tentou bloquear o golpe.
Layla recuou, sorrindo.
— Viu? Está em você, mesmo que não perceba ainda.
Emily respirava com dificuldade, seu coração disparado.
— Como eu fiz isso?
— Instinto — respondeu Sofia, com um leve sorriso. — Você está conectada à lua, e essa conexão é parte de quem você é.
Layla deu mais um passo para trás, ajustando sua postura.
— Vamos tentar de novo. Mas, desta vez, confie em si mesma.
Emily hesitou, mas assentiu. Layla avançou novamente, e, desta vez, Emily conseguiu desviar mais facilmente, sua mente começando a se adaptar aos movimentos.
— Muito bem! — disse Layla, genuinamente impressionada. — Você aprende rápido.
Emily parou, tentando recuperar o fôlego.
— Isso é... muito.
Sofia se aproximou, colocando uma mão em seu ombro.
— Nós sabemos. Mas você é mais forte do que imagina.
Emily olhou para as duas, sentindo uma mistura de medo e determinação.
— Então, o que acontece agora?
Layla sorriu.
— Agora, continuamos. Isso foi só o começo.
Enquanto os outros da alcateia observavam em silêncio, Emily sentiu, pela primeira vez, que talvez pudesse encontrar seu lugar.
Sob a luz da lua, ela deu o primeiro passo para aceitar a força que estava dentro dela.
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Atualizado até capítulo 27
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