capítulo 3: O Instinto Desperto

Capítulo 3: O Instinto Desperto

Emily acordou com o coração acelerado. O cheiro da padaria já invadia o ar, mas ela não tinha forças para enfrentar o dia. A noite anterior parecia um borrão, mas a lembrança de Sofia e Layla permanecia tão vívida quanto o calor que ainda percorria seu corpo.

Ela tentou afastar os pensamentos, convencendo-se de que tudo não passava de um sonho. Talvez estivesse exausta, e sua mente pregara uma peça. No entanto, a clareira, os uivos e o olhar penetrante das duas mulheres eram impossíveis de ignorar.

— Emily! Vai ficar aí o dia todo? — Alessa gritou do outro lado da porta.

Engolindo a angústia, Emily levantou-se e se arrumou rapidamente. Ela sabia que precisava agir normalmente, mas algo dentro dela estava diferente.

Quando entrou na cozinha, Alessa a encarou com uma expressão azeda.

— Você parece pior do que o normal. Alguma coisa aconteceu?

— Não — respondeu Emily, desviando o olhar.

Alessa bufou, voltando sua atenção para o forno. Emily começou a trabalhar mecanicamente, amassando pães e arrumando os ingredientes, mas sua mente estava longe dali. O calor que sentira na floresta agora parecia pulsar em suas veias.

Conforme o dia avançava, pequenos detalhes começaram a chamá-la a atenção. O cheiro de cada ingrediente parecia mais intenso, o som das conversas na rua estava mais alto do que o normal, e até mesmo a textura da massa parecia diferente sob seus dedos.

“Isso é loucura”, pensou, tentando ignorar as mudanças.

Quando Alessa mandou que ela fosse até o mercado buscar farinha, Emily obedeceu, aliviada por sair dali. No caminho, tentou respirar fundo e se acalmar, mas o caos em sua mente não cessava.

Foi então que sentiu.

O cheiro.

Era algo tão distinto que a fez parar no meio do caminho. Doce e ao mesmo tempo selvagem, como madeira queimada misturada ao perfume de flores frescas. Emily olhou ao redor, mas não havia ninguém próximo.

Seu coração disparou.

— Não pode ser...

O aroma parecia atraí-la, puxando-a para uma rua lateral que dava em direção à floresta. Ela hesitou, mas seus pés começaram a se mover sozinhos. Cada passo parecia guiado por algo que ela não conseguia controlar.

Quando finalmente chegou à entrada da floresta, viu uma figura de pé entre as árvores. Era Layla.

— Eu sabia que você viria — disse a alfa, sua voz baixa, mas firme.

Emily sentiu as pernas tremerem.

— O que você está fazendo aqui? Por que está me seguindo?

Layla deu um passo à frente, mas manteve a distância.

— Não estou te seguindo. Você sentiu o nosso vínculo, não sentiu? Foi ele que a trouxe aqui.

Emily recuou, balançando a cabeça.

— Isso não faz sentido! Eu... eu não pertenço a nada disso!

Layla suspirou, cruzando os braços.

— Emily, você pode continuar negando, mas não pode fugir do que é. A cada dia, sua verdadeira natureza ficará mais forte. Logo, não será capaz de escondê-la de ninguém.

Emily abriu a boca para responder, mas antes que pudesse dizer algo, o som de passos atrás dela a fez congelar. Ela se virou rapidamente, vendo Sofia sair da sombra das árvores.

— Layla, você está assustando a garota. Dê um tempo — disse Sofia, sorrindo levemente.

Emily se sentiu cercada, e o calor em seu corpo ficou mais intenso, quase insuportável.

— O que vocês querem de mim? — gritou, as palavras escapando antes que pudesse contê-las.

Layla e Sofia trocaram olhares antes de Sofia dar um passo à frente, sua expressão mais suave.

— Queremos protegê-la, Emily. Você está em perigo, mesmo que ainda não perceba.

— Em perigo? Por quê?

Layla foi quem respondeu desta vez.

— Porque sua presença aqui não passou despercebida. Outras alcateias já sabem que a Suprema Luna está despertando, e não são todos que aceitarão isso de braços abertos.

Emily sentiu o mundo girar. Suprema Luna. Aquelas palavras ecoavam na sua mente, mas ela ainda não conseguia acreditar.

— Eu sou só... eu. Ninguém se importa comigo. Não posso ser essa pessoa que vocês acham que sou.

Sofia se aproximou mais, parando a poucos passos de Emily.

— Você acha que é insignificante porque é isso que te fizeram acreditar. Mas olhe ao seu redor. Sinta o que está acontecendo com você. Isso é o despertar, Emily. E, quando o despertar começa, não há como voltar atrás.

O calor que percorria seu corpo agora parecia tomar conta de tudo. Emily caiu de joelhos, ofegante.

— O que está acontecendo comigo? — ela sussurrou, assustada.

Layla se ajoelhou ao seu lado, colocando a mão no ombro dela. O toque era firme, mas reconfortante.

— Sua essência está se revelando. Está sentindo o chamado, o vínculo que nos une. É a sua conexão com nós duas e com a lua.

Emily ergueu os olhos para Layla, lágrimas escorrendo por seu rosto.

— E se eu não quiser?

Sofia se ajoelhou do outro lado, tocando delicadamente a outra mão de Emily.

— Não se trata de querer ou não. Você nasceu para isso. Mas saiba que estaremos com você, não importa o que aconteça.

Emily sentiu uma onda de energia percorrer seu corpo, como se algo dentro dela estivesse se libertando. Sua mente, mesmo confusa, foi tomada por uma sensação de pertencimento que ela nunca havia experimentado antes.

Mesmo assim, o medo ainda dominava seu coração.

— Eu... preciso de tempo — ela murmurou, sua voz quase inaudível.

Sofia e Layla assentiram, afastando-se um pouco.

— Teremos paciência — disse Layla. — Mas não demore, Emily. O mundo está se movendo, e precisamos de você.

Antes que Emily pudesse dizer mais alguma coisa, elas desapareceram entre as árvores, deixando-a sozinha novamente.

Ela voltou para a vila em silêncio, mas, desta vez, algo dentro dela havia mudado.

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Comments

Maria Luísa de Almeida franca Almeida franca

Maria Luísa de Almeida franca Almeida franca

que covarde

2025-02-08

0

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