Cap 17

—• Londres

Primeiro dia de trabalho – Mavis

O céu ainda estava cinza quando saí de casa naquela manhã. O bairro parecia pacato, como sempre, mas eu sabia que minha vida havia mudado para sempre. A casa para onde eu ia trabalhar era grande e imponente, algo que eu nunca havia visto de perto. Os muros altos, as portas de madeira antiga e as janelas com cortinas pesadas me deixaram nervosa. Eu mal podia acreditar que seria ali que eu passaria meus dias agora.

Fui recebida pela empregada, que me conduziu até o interior da casa, com suas paredes elegantes e móveis luxuosos. O cheiro de madeira polida e café fresco pairava no ar, criando uma sensação de sofisticação que me fez sentir ainda mais deslocada. Cada passo que eu dava ecoava nos pisos de mármore, e parecia que a casa estava me observando, esperando para ver o que eu faria.

Funcionaria•“Seu chefe já a espera no escritório”, disse a mulher, sem sorrir, apontando para uma porta imponente ao fundo do corredor.

Meu coração deu um salto. Meu chefe. Eu não sabia o que esperar dele, mas sabia que ele já tinha dado instruções claras sobre onde eu deveria ir. O nervosismo apertava no meu peito à medida que me aproximava da porta, que parecia ser a entrada para um novo mundo, um mundo do qual eu ainda não fazia parte.

A porta estava entreaberta. Respirei fundo e, sem mais hesitação, entrei.

A sala onde entrei era ainda mais impressionante do que o restante da casa. As paredes eram adornadas com quadros clássicos, e o mobiliário parecia escolhido a dedo: poltronas de veludo, mesas de madeira escura e uma enorme lareira em um dos cantos, ainda apagada. Era uma mistura de conforto e autoridade, e eu me sentia menor a cada passo.

No fundo da sala, uma grande mesa de escritório estava voltada para a janela, de onde a luz da manhã iluminava a figura sentada atrás dela. Ele não se virou ao ouvir a porta se abrir; o único som que eu podia ouvir era o suave raspar de uma caneta sobre o papel. A tensão no ar parecia crescer a cada segundo, mas havia algo na postura dele que parecia familiar.

Respirei fundo e dei um passo à frente. “Bom dia”, minha voz saiu quase como um sussurro, mas o suficiente para romper o silêncio.

Então ele levantou o olhar e, no instante em que nossos olhos se encontraram, meu coração deu um salto. Era ele. O homem da boate. O estranho que tinha me intrigado naquela noite, e que eu não conseguia tirar da cabeça.

Ele percebeu minha expressão surpresa, mas não demonstrou reação alguma. Levantou-se da mesa, caminhando em minha direção com a mesma confiança enigmática de antes.

• Você deve ser Mavis”, disse ele, com a voz calma e firme.

Eu mal consegui disfarçar o choque.

Mavis•“Sim… sou eu.”

Ele esboçou um leve sorriso, formal e contido.

Ethan• “Sou Ethan. Sr. Ethan, para você.”

O tom autoritário me trouxe de volta à realidade — ele era meu chefe. O homem misterioso que tinha despertado minha curiosidade era o mesmo para quem eu estaria trabalhando. Ainda atordoada, senti meu rosto corar, mas me esforcei para manter a compostura.

Ethan• “Por favor, sente-se”, disse o Sr. Ethan, indicando uma cadeira próxima. “Vamos conversar sobre suas funções antes de começarmos.”

Tirei meu casaco e me sentei, sentindo o peso do olhar dele sobre mim.

Ethan•: “Gosto de saber com quem estou lidando”, ele disse, sem desviar o olhar. “Conte-me um pouco sobre você.”

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