—• Greenwich
Preparação da Mavis para sair da cidade do interior:
A ansiedade e a empolgação se misturavam enquanto eu olhava para a mala aberta sobre a cama. Cada peça de roupa que eu colocava ali parecia carregar um pedaço da minha história, da vida no interior que eu estava prestes a deixar para trás.
Minha mãe entrou no quarto com uma expressão meio triste, tentando disfarçar.
— Tem certeza, filha? A cidade grande… é um mundo diferente.
— Eu sei, mãe. Mas eu preciso correr atrás dos meus objetivos, e lá é a melhor opção. — Eu respondi, tentando manter a voz firme. No fundo, o medo também se acomodava dentro de mim, mas a vontade de descobrir mais, de viver algo novo, era maior.
Ela suspirou, colocando a mão no meu ombro.
— Eu sei… Só que você vai fazer falta. — Ela abaixou o olhar, e eu sabia que segurar o choro era tão difícil para ela quanto para mim.
Então meu pai apareceu, parando na porta com aquele olhar carinhoso e orgulhoso.
— Você vai fazer algo incrível, Mavis. — disse ele. — E quando precisar, estamos a uma chamada de distância. Mesmo de longe, nós sempre vamos estar aqui.
Eu não consegui responder. Só assenti, abraçando-os com força, gravando aquele momento na memória. Sabia que eles estavam torcendo por mim, e que, no fundo, também desejavam que eu tivesse coragem de seguir meu caminho.
—• Dia seguinte
Na manhã da partida, acordei antes do sol nascer. O silêncio na casa era pesado, quase triste, como se as paredes soubessem que eu estava prestes a partir. Coloquei a última muda de roupa na mala e respirei fundo, tentando conter o aperto no peito.
Enquanto descia as escadas, encontrei minha mãe na cozinha, já preparando o café da manhã. Seus movimentos eram lentos, cuidadosos, como se estivesse absorvendo cada detalhe daquela rotina pela última vez.
— Está tudo pronto, mãe. — Minha voz soou baixa, como se eu não quisesse quebrar aquele momento.
Ela se virou, um sorriso tímido no rosto, mas com os olhos brilhando de emoção.
— Fiz suas panquecas favoritas. E um pouco mais, para você levar no caminho. Nunca se sabe quando vai ter tempo de comer direito na cidade grande, né?
Sorri, tentando disfarçar a emoção. Minha mãe era o tipo de pessoa que cuidava dos detalhes para que tudo parecesse fácil. Sabia que a saudade ia bater forte.
Meu pai entrou logo depois, com aquele ar tranquilo que sempre me acalmava. Ele colocou a mão no meu ombro e disse:
— Quando precisar de um conselho, não hesite em ligar, tá, Mavis? A gente sempre vai estar aqui para você. Longe, mas sempre por perto.
Assenti, sentindo o peso daquelas palavras. Meu pai não era de falar muito, mas cada palavra sua tinha um impacto profundo.
Enquanto tomávamos café, ouvimos uma batida na porta. Era Katrina, com sua mala nas mãos e um sorriso largo, já pronta para a viagem.
— Bom dia, família! — disse ela, com seu jeito espontâneo, tentando animar o ambiente. — Que cheirinho bom! Não sabia que a dona Helen estava preparando um banquete de despedida.
Minha mãe riu, mas o olhar dela era de puro carinho. Sabia o quanto ela também gostava da Katrina, como se ela fosse parte da nossa família.
Depois do café, finalmente pegamos as malas e fomos para o carro. Meus pais nos acompanharam até a calçada, cada um tentando segurar as lágrimas.
Quando estávamos prestes a entrar no carro, minha mãe me puxou para um último abraço, longo e apertado.
— Cuida de você, tá, Mavis? E cuide bem da Katrina também. Vocês têm que se cuidar juntas, agora que vão estar longe de casa.
— Prometo, mãe. — Sussurrei, tentando não deixar minha voz tremer. Era uma promessa que eu sabia que ia carregar comigo.
Katrina e eu entramos no carro, e enquanto dirigíamos até a estação de ônibus, o silêncio caiu entre nós, até que ela o quebrou, sempre com seu jeito leve.
— Tá preparada, garota? Porque agora não tem volta. Daqui a pouco a gente vai ser oficial “gente da cidade grande” — ela disse, piscando para mim.
Ri, mas a ansiedade ainda estava ali.
— É… acho que sim. Mas, pra ser honesta, estou com um frio na barriga enorme. — Admiti, rindo nervosa.
Katrina me olhou e sorriu com seu jeito encorajador.
— Ah, vai dar tudo certo, Mavis. Estamos indo juntas, e é só o começo. Lembra, você sempre quis isso. Agora é a sua chance de fazer acontecer.
Quando chegamos à estação, cada detalhe começou a parecer real demais. Descemos do carro e pegamos as malas. O ônibus já estava estacionado, esperando por nós, e senti um aperto no peito ao olhar para ele.
Katrina me puxou para um abraço rápido e apertado.
— Vai dar certo. Essa é a nossa aventura, Mavis. Eu estarei do seu lado, como sempre. — A voz dela era firme, mas senti a emoção naquelas palavras.
— Obrigada, Katrina. Por estar comigo, por tudo. — Respondi, com um sorriso que tentava esconder a saudade que já sentia de casa.
Ela apenas riu e me deu um leve empurrão para o ônibus.
— Bora lá antes que eu mude de ideia e arraste você de volta!
Subimos no ônibus e nos acomodamos nas poltronas. Olhei pela janela uma última vez, vendo meus pais, a casa e a pequena cidade que sempre conheci ficando para trás. Segurei a mão de Katrina, e naquele momento, tive certeza de que, por mais assustador que fosse, eu estava exatamente onde deveria estar.
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Atualizado até capítulo 46
Comments
Agatta
Vontade de fazer a mesma coisa que elas 🥹❤️ Boa sorte meninas, uma grande futuro as aguarda
2024-11-18
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