***Dez anos depois.***
“Palmas/Tocantins”
Um dos esportes mais implantados por aqui é o Rally, todos os anos vem gente de todo o país disputar os prêmios, eu visando isso comprei uma casa grande e adaptei para uma pensão, para que as pessoas que venham no Rally tenham onde passar a semana, fiz enfermagem e trabalho no hospital da cidade, para não ficar arriscando encontrar alguém do meu passado, tenho uma pessoa que trabalha para mim e faz às vezes de dona da pensão em caso de alguém querer falar com o proprietário.
Mas mesmo se alguém me ver, dificilmente vai me reconhecer.
Tingi meu cabelo de castanho, uso lente castanha, sou uma morena perfeita, só a cor da pele que não tem jeito, a única pessoa que sabe disso é minha mãe, nem meu filho me viu sem lente.
Minha mãe sempre está preocupada de que alguém venha para o Rally e me descubra, já faz dez anos e não aconteceu, acho que não tem perigo.
_ Filha, o Rally é na próxima semana, você já organizou tudo?
_. Sim, mãe, fica tranquila, a Mazé vai ficar em meu lugar como todo ano, recebendo os hóspedes.
_ Você já viu o nome dos finalistas?
_ Só apareceu o nome de duas duplas, parece que a última teve um problema, e vai entrar uma dupla reserva.
_ Isso é muito perigoso, quem será a dupla que virá?
_ Mãe, nesses dez anos ele não apareceu aqui, por que iria vir agora?
_ Você deve ter razão, eu é que sou preocupada demais.
***Enquanto isso, do outro lado do país.
_ Vamos, Caleb, eu preciso de alguém para pilotar, sempre fui copiloto.
_ Douglas faz dez anos que não participo de um Rally.
_ Por isso mesmo, faz dez anos que ela faleceu e você morreu junto, é hora de renascer, e nada melhor que a adrenalina de um Rally.
Suzy entra na sala e dá um beijo em Douglas.
_ Do que vocês estão falando?
_ Estou sem piloto para o Rally de Palmas–TO, estou chamando Caleb para ir comigo.
_ Nossa, Douglas, o Rally de Tocantins é tão longe, não acho que Caleb deve ir.
_ O que você está falando, Suzy? Você está pálida, amor, você está doente?
_ Não, querido, deve ser o calor.
Caleb ficou me olhando, pensativo, ele nunca aceitou a morte de Léa, sempre me pergunta se não sinto falta de minha amiga, sei que desconfia de alguma coisa.
_ Douglas pode confirmar nossa presença, eu vou nesse Rally e vamos levar a Suzy também.
_ Caleb, eu não gosto muito desse tipo de evento, vocês saem comer poeira e eu fico lá sentada sozinha.
_ Pensa que é uma lua de mel, eu prometo arrumar um tempo para que vocês fiquem sozinhos.
_ Vamos, amor, o Caleb precisa sair daqui, um pouco, vai ser divertido.
_ Você não sabe o tanto que pode ser divertido, querido.
_ Do que você está falando? Não entendi.
_ De nada não.
Caleb não tirou o olho de mim e perguntou.
_ Você foi visitar a campa de sua amiga? Hoje faz dez anos.
_ Não fui, não acho necessário ir lá ver um monte de pedras, sendo que ela não está lá.
_ Onde ela está então?
_ Nossa, Caleb, acho que no céu, quem sabe!
_ Porque toda vez que falamos disso, você fica nervosa?
_ Porque não gosto de falar de morte, só de vida, e Douglas tem razão, você deveria refazer sua vida.
_ Tudo bem, vamos parar esse assunto. Vou recomeçar e vocês vão comigo.
Paramos o assunto, mas continuo desconfiado de que a Suzy sabe mais daquele dia do acidente do que diz, uma hora ainda descubro o que ela esconde.
Após o enterro, ao chegar em casa, senti o cheiro do perfume de Eleanor por todo lugar. O armário de roupas estava aberto e as peças antigas de Eleanor haviam desaparecido. Sei que ela pensou que eu não tinha percebido que ela guardava as roupas antigas. Levantei-me e perguntei ao mordomo se havia visto algo. Ele disse-me que o monitoramento do alarme havia sido acionado e que o sensor de movimento indicava que havia alguém andando pela casa.
Mas ele esteve na casa e não viu nada.
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Atualizado até capítulo 99
Comments
Sandra Pereira
Caleb desconfiou esse tempo todo...10 anos...agora vai encontrar ela e o filho.
2024-11-22
2
Ameles
ele não é tão burro, será que ele deu um jeito nas cobras
2024-11-30
2