Christina também chegou quase na hora do jantar naquela noite. Passava as tardes fazendo o curso extra que sua professora arrumou. Estava sugando suas energias, mas precisava fazê-lo. Tinha conseguido o tão sonhado estágio no jornal. Foi difícil passar na seleção e a indicação de Leni foi decisiva. A professora era uma pessoa maravilhosa e Christina seria eternamente grata por ajudá-la a caminhar profissionalmente. Na verdade, Leni era quem tinha despertado o interesse da garota nessa área. Pasme, Christina antes de querer ser redatora queria ser médica. Como isso se daria, se ela desmaiava ao ver sangue, não sabemos. Mas seria interessante assistir à sua reação diante de um cadáver na aula de Anatomia.
Leni era professora de Christina desde o Ensino Fundamental. Mas foi no Ensino Médio que se aproximaram, mais precisamente quando Leni a pegou colando. Ela deixou a aluna perceber que tinha visto e fez questão de ficar em frente à sua carteira durante a prova inteira. No final recolheu a folha, mas antes de sair da sala pediu ao outro professor licença para conversar com a garota. – O que foi isso hoje, Christina? É sério que tentou colar em uma prova minha? Indagou com surpresa.
- Professora, entenda, eu estava nervosa e acabei escrevendo algumas coisas aqui, disse mostrando a mão esquerda, mas isso não quer dizer que eu usaria. – Juro que não farei mais isso, por favor não me mande para a coordenação.
- Certo, Christina. Com certeza você não vai mais colar nas minhas provas, mas para garantir e para a coordenação não ficar sabendo, você vai ter que me ajudar em algumas coisas daqui para frente.
- Eu ajudo no que precisar, professora. Só não posso ter mais uma denúncia de cola contra mim na coordenação, disse colocando a mão no peito e fazendo que não com a cabeça.
- Me encontre no final da aula na sala dos professores e conversamos. Agora vá lavar essa mão com bastante sabonete antes de voltar para a aula.
Depois desse dia, Christina virou o braço direito de Leni. Fazia pesquisas na biblioteca pública que a professora pedia, digitava os longos textos que ela usava nas aulas, organizava os materiais para outras turmas, até que um dia Leni pediu sua ajuda para corrigir algumas redações do Simulado do Terceiro Ano.
Christina ficou surpresa, mas não disse nada, baixou a cabeça e começou as correções. Ali nascia no peito de Christina o sonho de ser redatora.
Antes de conferir se estava sozinha em casa, Christina resolveu se jogar no sofá e erguer as suas pernas com as almofadas. As panturrilhas doíam, culpa dos saltos. Mas ela não abria mão de andar sempre, bem-vestida e arrumada. Ela gostava de roupas desde pequena, aprendeu com a mãe a se arrumar muito bem e andar sempre alinhada. Catarina, tinha 54 anos e cabelos compridos castanhos, olhos da mesma cor, não muito alta, ainda sofria com a morte prematura do marido, mãe de Christina de 17 anos e Rafael de 25.
De repente Chris sentiu uma massagem leve em seus ombros. – Como amo as suas massagens, mãe. Como viverei sem elas? Perguntou com os olhos fechados suspirando de prazer.
- Ainda não terminamos essa conversa, Christina. Então, não há nada definitivo. Ela soltou os ombros de sua filha e sentou ao seu lado no sofá, deitou a cabeça no encosto, também estava cansada. – Vamos esperar o seu irmão chegar e pedir uma pizza, o que acha? A Marta não deixou nada pronto e eu não estou com espírito para cozinhar hoje, disse ela.
- Pizza? Amo, o Rafa também então está fechado o cardápio de hoje. Será que ele demora? Vou mandar uma mensagem para ver se ele está chegando e já peço, metade calabresa e metade moda da casa?
- Por mim pode ser, são os sabores que seu irmão gosta também. É impressão minha ou está com pressa? A mãe percebeu a agitação da filha.
- Hoje é sexta-feira, mãe. Esqueceu que o Antony vem? Vamos assistir um filme juntos, não estamos conseguindo nos ver direito, disse levantando devagar se espreguiçando.
- Certo, mande mensagem para seu irmão vou lá atrás molhar minhas plantas. E saiu em direção à parte de trás da casa.
A garota começou a digitar a mensagem para o irmão, quando foi enviar ouviu o carro chegando. Estava discando para a pizzaria quando ele entrou.
- Pizza hoje na janta, Rafa! Os sabores de sempre? Falou com o telefone na orelha.
- Opa, que bela recompensa pela prova que fiz hoje. Pede os de sempre, maninha. Disse tirando os sapatos. - Tô morto!
- Daqui uma hora o pedido chega! Vou subir tomar um banho quente e lavar o cabelo! Subiu rápido os degraus.
Rafael saiu em busca da mãe e pela janela da cozinha a viu parada olhando suas plantas. Chegou devagar e colocou um braço em seus ombros. – Pensando nele, mãe?
- Sempre, filho. Leva tempo para sarar. Disse suspirando. – Ele estaria realizado em ver você tão empenhado em assumir a empresa. O sonho dele era ter você ao lado dele.
- Não é fácil, mãe. Mas precisamos seguir, eu honrarei o lugar do meu pai até porque sempre quis seguir seus passos. Vou deixar vocês orgulhosos. A abraçou forte beijando sua testa. – Precisa de ajuda? Ele foi buscar o esguicho para ajudar a mãe. Cuidar das plantas a relaxava.
Rafael era muito atencioso e depois da morte do pai assumiu o papel de homem da casa. Um homem alto, com rosto anguloso, olhos e cabelos castanhos, muito bonito. Nunca foi um conquistador, mas sempre teve várias moças interessadas. Tinha terminado um namoro longo, a ex-namorada o traiu. Mas ele não estava incomodado, foi um livramento como Christina disse.
Com 25 anos, era formado em Administração e estava terminando seu MBA em comércio exterior. Em breve mudariam para a capital, onde ficava a sede da empresa que ele assumiria com o auxílio da mãe. Sabia que sua irmã não os acompanharia e apoiava ela em sua decisão, mesmo que fosse difícil deixá-la.
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Atualizado até capítulo 103
Comments
Bruna Amaral
me identifico kkkkk
2024-07-15
3
Agalvira Lacerda
Autora, já achei Rafael e Lucas bem gatos!
2024-06-27
2
Agalvira Lacerda
Gostei de ti, Rafael!
2024-06-27
2