O encontro no elevador

As reuniões noturnas quando aconteciam eram misteriosas, vinham vários homens esquisitos, todos com cara de quem não eram nada bons, e sempre muito acompanhados por guardas, o andar ficava uma bagunça de gente, e por isso era sempre depois das 18 horas.

Hoje solicitaram bebidas pelo menos 200 x e quando estavam acabando fui logo me vestir no vestiário, aproveitei para tomar um bom banho já que nem sabia se conseguiria achar hotel hoje, olhei no relógio e já passavam das 21 horas, estava ferrada, agradeci ao garçom e sai logo para pegar o elevador.

Coloquei um vestido leve e soltei meu cabelo, com ele preso o dia todo se não soltar ele fica marcado, passei um perfume e me dirigi a saída se eu for procurar hotel fedendo ou com roupa velha vão me achar uma coitada.

__ Droga, elevador de serviço desligado, vou pelo social mesmo, esse horário ninguém mais está na empresa, -  pelo menos era o que eu imaginava, mas me enganei.

Quando o elevador parou e entrei, ia fechar a porta, um braço a impediu de fechar e quando vi o Sr. Dante entrar fiquei com medo de ser demitida, se ele reclamasse eu estava ferrada e logo agora não poderia ficar desempregada.

Vi que ele me olhou de cima a baixo, ele era grande e forte, nunca havia reparado como era cheiroso também, acho que nunca cheguei tão perto assim para que sentisse antes.

__ Boa noite, moça- ele falou e eu olhei para ele, temendo muito que ele brigasse comigo.

__ Boa noite, Sr. Dante, estava sem acesso ao outro elevador, por isso peguei esse, me desculpa- quando vi já estava me desculpando.

__ Calma ai, você trabalha aqui? É nova? - ele perguntou e só aí me dei conta de que ele não tinha me reconhecido, claro que não né, está sempre comendo as funcionárias, vai notar uma simples menina que entrega café.

Comecei a rir e quando ia responder o elevador balançou e travou, segurei no braço dele sem querer e soltei logo, ele imaginando meu medo logo me tranquilizou.

__ Não se preocupe, logo já ajusta, a segurança vai ver que estamos parados aqui- ele disse quando soltei a mão dele, eu tinha medo e não faltava mais nada, o primeiro encontro com o temido Dante e seria atacada pela minha claustrofobia.

__ Ai meu Deus, não posso ficar presa, e se já tiverem indo embora?- falei me desesperando sentindo a minha garganta fechar.

__ Você tem medo? Está tudo bem, não vai te acontecer nada- ele falou e segurou minha mão, um conquistador mesmo, vi ele acionar o botão de segurança.

Sentei no chão deixando o medo de cegar e ele sentou na minha frente.

__ Olha para mim, está tudo bem, segure a minha mão e diga agora quem é você- ele estava tentando me distrair e já com lágrimas nos olhos eu respondi:

__ Sou a Samira, o Sr. Fernando me chama de Sami, mas aqui na empresa não são muitos que me notam, eu entrego café para todo mundo, inclusive os convidados arrogantes- eu podia estar falando muita besteira, mas estava apavorada e provavelmente morreria mesmo então vou falar.

__ E de onde conhece meu irmão para que ele te dê apelidos? - ele perguntou usando seu polegar para acariciar minha mão, seu toque era quente e aquilo estava me deixando realmente mais calma.

__ Estou aqui a cinco meses Sr. Dante, seu irmão fala comigo todos os dias, diferente do senhor conhecido como um homem implacável, ele é um rapaz legal e simpático- ele afunilou o olhar sobre mim e falou algo que eu não esperava.

__ Você já parou na cama dele? - instantaneamente dei um tapa em seu rosto e coloquei minha mão na boca vendo a burrada que eu havia feito.

__ Ai me desculpa, sinto muito, estou ferrada, não posso perder esse emprego, pois nem onde morar hoje eu tenho, nunca fui para a cama com ninguém, homem só enxerga isso- eu chorava igual uma criança pequena e ele se mantinha atento ao meu movimento, parecendo não acreditar que eu tinha lhe dado um tapa.

__ Está tudo bem, você é corajosa, tenho que admitir, não vai perder seu emprego não, respire devagar e se acalme- ele mesmo levando um tapa na cara não se irritou, será que é tão mau como dizem?- ele continuou me dando a mão e fiquei com os olhos fechados, sem dormir já a noite inteira e trabalhando até essa hora o sono me venceu e acabei dormindo.

Dante...

Entrar no elevador e ver essa jovem tão linda e cheia de vida ali sozinha foi bom, pensei logo em terminar minha noite no quarto do hotel, ela deu uma crise quando o elevador pifou e descobri ser a minha funcionária, recebi uma mensagem do técnico de segurança avisando que eles estavam arrumando, mas infelizmente levaria algumas horas, me sentei em sua frente puxando assunto e descobri que era a menina do café, confesso que nunca havia notado tamanha beleza, realmente mexeu comigo, a sua coragem também contou positivamente, foi o primeiro tapa que levei na vida, quando ela disse que meu irmão diferente de mim era um bom homem senti um incômodo, achei que ela já era um contato dele, e como não tenho muitos rodeios eu perguntei abertamente, levei um tapa na cara e fiquei surpreso com a ousadia dela.

__ Eu não vou dormir com esse nojento mãe, não vou me vender por dinheiro- ela falou enquanto dormia com a cabeça escorada no meu ombro e me perguntei que história era aquela.

__ Não Arnaldo, me solta - ela gemeu mais uma vez e pensei em acordá-la, marquei bem aquele nome, Arnaldo, quem é você? Mas não precisou, ela despertou em um salto, seu pesadelo era ruim demais, pois seu olhar mostrava muito desespero.

__ Está tudo bem? - não falei do que disse dormindo, pois não queria constrangê-la

Quando ela ia responder, o elevador voltou a funcionar e ela levantou aliviada.

__ Me desculpe por dormir, estava virada da noite passada, tive que sair da minha casa e acabei não dormindo, a chefe pediu que eu ficasse até mais tarde e eu preciso muito deste emprego, então aceitei, vou agora procurar um hotel que já é um novo dia e eu posso dormir até mais tarde amanhã, pois vou ver algo aqui perto hoje- ela falou e assim que a porta abriu ela saiu disparada.

__ Quem é você, Samira, e por que mexeu tanto comigo? - olhei para o segurança e pedi que me enviasse a ficha toda da menina, onde morava, seus pais, seu tempo na empresa, escola, enfim, tudo mesmo, pedi sigilo e ele assentiu, me direcionei até a garagem e quando sai vi que a chuva caia muito forte e minha cabeça voltou aquela menina.

__ Será que conseguiu achar um lugar? - falei alto dentro do meu carro, me pegando pensando nela e pior, preocupado com ela.

Olhei ao redor e andei um pouco com o carro, mas não a encontrei, então fui para a minha casa, mas minha cabeça estava fixa nela.

Cheguei em casa e meu pai e irmão estavam na sala vendo uma luta, meu irmão era fissurado nisso.

__ Oi filho, venha, o menino está ganhando- o lutador era um amigo de infância do Fernando e meu pai sempre o chamou assim.

__ Sim pai- sentei e a enfermeira veio trazer o remédio e ver se o meu pai precisava dela, ela era bonita, mas hoje não me interessou nada.

__ Não preciso de nada, vá, vá e se retire- ele falou rude e ela saiu.

__ Pai não trate a moça assim, ela cuida do senhor- meu irmão falou.

__ Na frente de vocês só, menina ruim essa, eu gosto é da menina Sami- no mesmo instante olhei para ele.

__ Ia perguntar isso, Fernando, quem é essa menina? - ele, que estava distraído, olhou para o celular e voltou a olhar para mim.

__ Quem? A Sami? - eu me incomodei mais uma vez e respondi.

__ Sim Fernando, quem mais? - respondi impaciente.

Ele arqueou-se para a frente e me questionou.

__ Qual motivo da pergunta? Até hoje você não tinha perguntado por ela - os rodeios do Fernando me estressavam.

__ Fiquei preso com ela no elevador e a menina teve uma crise, falou algumas coisas enquanto cochilava aguardando o elevador funcionar- falei querendo mais notícias dela.

__ A Samira trabalha com nossa empresa a 5 meses, pegou no dia que fez 18 anos, morava a quatro horas de distância usando os metrôs, ontem brigou com a mãe e veio para cá, e sim ela tem pavor de elevador, sempre passa mal, não mexe com ela Dante, ela não é igual as outras, a menina é bem-dizer sozinha no mundo, tem uma mãe egocêntrica e um pai alcoólico, a irmã é uma menina ruim também, ambiciosa, ela é a única da raça que se salva- meu irmão me tirou as dúvidas e deixou somente uma:

__ Você sente algo por ela? - fui direto, pois eu com certeza iria querer transar com ela.

__ Não, Samira é minha amiga, tenho afeição por ela, ela é sozinha, alguns dias não almoçava e eu me perguntava se era falta de dinheiro, ela sonha em ser enfermeira e eu cheguei a oferecer uma bolsa para ela, mas ela sempre disse que não conseguiria fazer, ela almoçou comigo algumas vezes na cozinha da empresa, eu pedia comida e levava lá para ela, ela só comia se não tivesse ninguém perto, disse que tem horror à fofoca e confusão e sabe que todas as meninas que passaram pelas nossas mesas acabavam mal faladas- ele respondeu tranquilamente enquanto mexia no celular.

__ Vamos na boate? Chegaram novas meninas hoje e quero ver se não tem ninguém sendo forçada a nada- meu irmão falou e neguei, estava com a cabeça lá naquele corpinho, naquela boca e com certeza naquele tapa.

__ Filho manda essa abusada embora e chama a Sami para trabalhar aqui, ela vai cuidar de mim muito bem- meu pai falou e eu respondi:

__ Vamos ver pai, vamos ver.- falei e ele se mostrou esperançoso.

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Comments

Patrícia Barbosa Ferrari

Patrícia Barbosa Ferrari

A Samira,teve uma atitude que deixou o Dante surpreso,deu um tapa na cara dele , até porque ele foi totalmente inconveniente e nem todas as mulheres são iguais.

2025-03-19

0

Luzia aparecida Araújo

Luzia aparecida Araújo

Amei a atitude da Samira! De cara já mostrou ao Dante que é diferente das mulheres que ele convive! Acho que ele é o irmão deveriam ouvir o que o pai diz sobre a enfermeira!

2025-03-17

2

Maria Isis

Maria Isis

Quando estou nervosa, dou risada. Aliás, tenho riso fácil, e nervosa, aí é que não consigo segurar mesmo.

2025-03-10

0

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