As crianças correram de volta para o castelo e se trancaram na sala de presentes. Rapidamente começaram a compartilhar todos os seus pensamentos uns com os outros. Jasmine e Joseph, ambos muito inteligentes para sua idade, conseguiam acompanhar perfeitamente o raciocínio de Beatriz.
— Então, o que aconteceu com a Helena, sua mãe? — Joseph questionou.
— Eu não lembro porque era muito pequena, mas já ouvi os adultos conversarem várias vezes sobre o assunto. Minha vovó Julieta, mãe do papai, gosta de comprar presentes para todas as crianças na festa de ano novo. Nesse dia, uma prima distante apareceu de última hora, então ela chamou a mamãe para ir ao shopping com ela, para escolher um presente. Como eu fiquei chorando, eles não tiveram escolha a não ser me levar. Fomos nós quatro ao shopping: eu, a mamãe, a vovó e a babá. Mas quando estávamos no estacionamento, um grupo de homens encapuzados nos encurralou e sequestrou a mamãe... — Beatriz contou tudo com paciência.
— Mas não tinha nenhuma câmera de segurança para descobrir alguma coisa? — Joseph questionou curioso.
— Sim, mas todas as filmagens ou foram apagadas ou as câmeras estavam com defeito, os policiais não conseguiram recuperar nenhuma imagem — Beatriz respondeu.
— Então não dá para dizer se a sua mãe morreu ou não, isso significa que existe uma chance dela e a nossa mãe serem a mesma pessoa — Jasmine afirmou confiante.
— Isso é verdade. Se alguém conseguiu apagar tão facilmente todas as imagens das câmeras de segurança da cidade, eu não duvido que ela consiga falsificar um exame de DNA — Beatriz disse, refletindo.
— Você acha que nossos pais sabem alguma coisa, Bea? — Jasmine perguntou.
— É difícil dizer. Eu só posso afirmar que o meu pai está estranho esses dias, como se estivesse escondendo um segredo — Beatriz falou, tentando lembrar alguma informação.
— A mamãe também tá estranha, ela sempre age como se quisesse nos contar algo, mas desiste — Joseph disse.
— Então, como vamos fazer para provar nossas teorias? — Jasmine questionou, confusa.
— Podemos fazer um exame de DNA. Se provarmos que somos irmãos, chegamos à verdade.
— Como vamos fazer isso? Somos crianças, seria complicado chegar no laboratório e pedir o exame com nosso tamanho — Joseph afirmou.
— Não se preocupem, eu tenho um plano. Apenas me deem um pouco do seu cabelo — Beatriz pediu, enquanto pegava sua mochila que estava guardada em uma mesa perto dos presentes. Ela costumava andar sempre com essa mochila, mas naquele dia atrapalharia na diversão, então optou por deixá-la guardada.
Pegando alguns sacos de presente, ela guardou os cabelos que os outros dois entregaram.
— Quando eu chegar em casa, eu coloco em um lugar melhor... — Beatriz falou, colocando os saquinhos na mochila.
— Como devemos agir a partir de agora? — Jasmine questionou.
— Vamos agir normalmente. Se nossos pais estão escondendo algo de nós, eles devem ter um bom motivo. Não podemos atrapalhar os planos deles — Beatriz afirmou com confiança.
— Você tem razão — Jasmine e Joseph acharam certo o que Beatriz estava falando, pois sua mãe nunca tinha mentido para eles antes.
— Vocês têm algum celular para nos comunicarmos? — Beatriz perguntou olhando para os dois curiosa.
— Não, a mamãe falou que éramos muito novos para ter um — Jasmine disse.
— Tudo bem, eu tenho um celular que não uso mais, vocês podem levar. Usaremos ele para trocarmos mensagens. Vocês sabem usar? — Beatriz questionou, enquanto tirava o celular e o carregador da mochila e entregava para Joseph.
— Sim, nós sabemos usar. Às vezes brincamos no celular da mamãe — Joseph disse pegando o celular.
— Ótimo, então certifiquem-se de mantê-lo sempre no silencioso e não deixem ninguém o ver — Beatriz disse, e os gêmeos prometeram ter cuidado.
Depois de concluírem a conversa, eles saíram da sala e foram procurar os pais. Já tinham demorado muito, eles deveriam estar preparados.
Ao chegarem na porta do castelo, Beatriz viu um casal segurando presentes enquanto procuravam por alguém. Eram seus avós, os pais de Helena: Ana e Mauro. Para evitar problemas, ela instruiu os gêmeos a irem por outra direção.
...****************...
Quando Damian e Helena perceberam que as crianças não estavam por perto, imediatamente começaram a procurar. Como o parque era grande, decidiram se separar para cobrir uma área maior. Eles andaram por bastante tempo e nada das crianças aparecerem. Depois de um tempo, Helena resolveu ir em direção ao castelo no centro do parque para tentar encontrar alguma pista do paradeiro dos filhos.
Ao chegar perto de uma barraquinha de comida, Helena viu Damian se aproximando de um casal que carregava dois presentes. Seu rosto se iluminou ao ver quem eram, pois Damian já tinha mandado várias fotos para ela, então ela reconhecia perfeitamente seus pais. Seu coração estava batendo em ritmo acelerado; sem perceber, ela começou a andar em direção a eles, desejando poder abraçá-los.
Antes que pudesse andar alguns metros, alguém segurou seu pulso e a puxou, tirando-a do seu transe. Quando olhou para trás, viu Mike usando uma roupa casual e carregando um presente consigo. Percebendo o que aconteceu, ele a levou até uma mesa próxima e pediu um copo de água a um dos garçons.
— Lembra o que falamos? Seu pai tem problema de coração; ele passaria mal se visse você assim, do nada — Mike disse, tentando ser o mais compreensível possível.
— Eu sei, agi por impulso, vou tentar me segurar — Helena falou, deixando escapar uma lágrima.
— Não se preocupe, vamos preparar o terreno e mais cedo ou mais tarde você vai reencontrá-los — Mike falou, enquanto limpava as lágrimas de Helena com um lenço branco.
Mais ao longe, Jasmine e Joseph observavam os dois.
— Pela descrição da Beatriz, esse é o tio Mike — Joseph sussurrou para Jasmine, que balançou a cabeça em concordância.
Depois de hesitarem um pouco, eles caminharam em direção à mesa onde sua mãe estava sentada com Mike.
— Oi, mamãe — os dois falaram com uma carinha de quem tinha aprontado.
— Posso saber onde os bonitos estavam? Eu estava preocupada, sabia? — Helena questionou, tentando esconder o que estava sentindo segundos antes, mas realmente preocupada com o sumiço deles.
— Nós estávamos brincando com a Bea e a gente se perdeu, mamãe, desculpa — Jasmine falou, fazendo uma carinha fofa.
— Tudo bem, mas não se afastem mais de mim, entenderam? — Helena falou, colocando a mão na cintura.
— Tudo bem, mamãe, prestaremos mais atenção — os dois falaram ao mesmo tempo, baixando a cabeça.
— Sentem-se aqui, para comermos algo, vocês devem estar com fome... Esse é Mike, um amigo do meu chefe — Helena falou, percebendo que não tinha apresentado Mike às crianças.
— Oi, meu nome é Jasmine, posso te chamar de tio Mike? — Jasmine perguntou com um sorriso gigante, e Joseph pisou discretamente no seu pé, fazendo ela soltar um "Aí".
— Claro que pode — Mike falou sorrindo. — Seu nome é Joseph, certo? Pode me chamar de tio Mike se você quiser — ele completou, olhando para Joseph.
Joseph colocou a mão no queixo, analisando a situação e, por fim, concordou com a sugestão. Então os dois se sentaram na mesa e pediram algo para comer. Mike fazia diversas perguntas para as crianças, que respondiam inocentemente. Depois de uma refeição agradável, Mike se despediu e foi entregar o presente de Beatriz.
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Atualizado até capítulo 42
Comments
Erlete Rodrigues
ela é super dotada ❓ tem oito anos e pensa em tudo ‼️
2025-02-17
1
Maria Lucia
minha sobrinha não super dotada mas sabe tudo ..
2025-03-01
3
Ivanilda Santos
Como uma menina de 8 anos pode ter esse raciocínio?
2025-01-01
1