Depois de um longo dia de diversão na praia, todos voltaram para casa um pouco cansados. Os filhos de Laura já estavam dormindo no carro quando se despediram.
— Até mais, Alice. Amanhã vai ser um ótimo dia para nós duas — disse Laura com confiança.
— Tenho certeza que sim — respondeu Helena, abraçando sua amiga. — Até mais, Jorge. Boa volta para casa e descansem bem.
Jorge acenou gentilmente.
— Bom descanso para você e as crianças também. Até mais.
Diferente de Laura, que falava pelos cotovelos, Jorge era reservado e de poucas palavras, o que os tornava uma combinação perfeita.
Ao entrar em casa, Alice levou seus pequenos para tomar um banho relaxante.
— Mamãe, eu estou cansada e o Joseph também — reclamou Jasmine com um tom meloso.
— Eu não tô cansado — resmungou Joseph, tentando disfarçar. Ele sempre fazia de tudo para parecer forte diante de sua mãe e de sua irmã, apesar de sua pouca idade sempre o entregar. Afinal, ele tinha apenas cinco anos, e sua inocência ainda era notável.
— Depois que vocês tomarem banho, eu vou fazer uma comida rápida, e então vamos dormir. Tudo bem? — Alice perguntou, bagunçando o cabelo deles carinhosamente.
Quando eles balançaram a cabeça confirmando, os três foram para o banheiro. Enquanto tomavam banho, pareciam ainda ter muita energia e disposição. Depois que saíram, vestiram rapidamente seus pijamas e foram assistir TV enquanto esperavam o jantar.
Não demorou muito para que Alice fizesse um espaguete delicioso.
— Hmm, que cheirinho delicioso, mamãe — disse Jasmine enquanto se sentava à mesa para comer.
Joseph, que já estava faminto, já tinha começado a devorar sua comida.
— Você é a melhor cozinheira do mundo, mamãe — ele falou desajeitado, com a boca cheia de comida. Jasmine levantou o polegar para concordar e Alice apenas sorriu com os elogios exagerados. Como já estavam cansados, comeram e foram escovar os dentes para dormir.
Alice colocou os dois na cama e contou uma história sobre magia e fantasia para eles dormirem. Na metade da história, ela parou de ler e viu seus rostos lindos dormindo tranquilamente. Depois de dar um beijo em cada um, ela apagou a luz e foi para seu quarto dormir.
Naquela noite, ela não teve o mesmo pesadelo, mas várias imagens desconhecidas apareceram em seus sonhos. Às vezes, de quando era criança, outras, de quando era adolescente. Essas imagens costumavam ir e vir nos seus sonhos desde que ela perdeu sua memória, porém, ela ainda não tinha conseguido formar uma conexão. Em alguns dos seus sonhos, ela via o rosto de um homem muito bonito. Eles caminhavam na praia e brincavam como se fossem crianças. Ele girava Alice como se estivessem numa dança, mas naquela noite, diferente do habitual, ele parou. Ela interrompeu seu giro e olhou para ele, que estava com a mão estendida em sua direção.
"Helena", foi tudo o que ela escutou. Logo depois, seu sonho foi interrompido por duas crianças que pulavam em sua cama. Ela mal teve tempo de pensar sobre isso, pois já era manhã e ela precisava levar as crianças para a escola e ir trabalhar.
—Bom dia, mamãe!
—Bom dia, mamãe!
Repetiam as duas crianças animadamente. Depois de abraçar os dois, Alice começou a fazer cócegas em suas barrigas.
— Isso mesmo, isso é um ataque — ela falava rindo e as crianças, se sentindo injustiçadas com o ataque surpresa da mãe, começaram a fazer cócegas nela também.
— Dois contra um não vale, é injusto — reclamou Alice no meio de risadas.
As brincadeiras duraram alguns minutos, então eles foram escovar os dentes para tomar o café da manhã. Alice sempre deixava suas roupas prontas, então as crianças foram se vestir enquanto sua mãe preparava o café da manhã. Os dias de segunda-feira costumam ser preguiçosos por causa da volta ao trabalho, mas a alegria contagiante das crianças nunca deixava Alice irritada. Sua disposição era sempre das melhores, principalmente quando seus filhos a acordavam.
****************
Eles chegaram na escola pontualmente e logo viram Laura, Elliot e Edgar, que estavam chegando naquele momento. Joseph e Jasmine correram para cumprimentá-los. Depois de dar um beijo na bochecha de Laura, os quatro entraram conversando animadamente na escola.
— Parece que eles não precisam mais da gente, são tão independentes — falou Laura de forma dengosa, vendo as crianças entrarem felizes na escola.
Alice também se sentia um pouco melancólica ao ver como os seus filhos estavam crescendo tão rápido, mas a felicidade em vê-los saudáveis e espertos era bem maior.
— Deixe de ser boba, vamos para o trabalho — ela falou pra Laura, dando um tapinha no seu ombro e caminharam em direção à confecção.
O local onde elas trabalhavam era um prédio muito elegante de cinco andares, que se destacava na aldeia. Contando com Laura e Alice, havia um total de cinquenta funcionárias que trabalhavam em um ambiente confortável e adequado, pois a empresa prezava muito pelo bem-estar dos empregados, o que fazia desse um emprego muito disputado.
Alice e Laura trabalhavam no mesmo andar, logo compartilhavam as suas experiências e se apoiavam em todos os momentos.
Elas mal tiveram tempo de se sentar, quando a secretária do gerente pediu para as duas irem ao escritório. Melissa, uma mulher de 37 anos, de olhos castanhos amendoados, tendo trabalhado por tantos anos naquela empresa, já contava com a simpatia de todos.
As duas costureiras olharam-se, como se já soubessem o que a outra queria dizer. Depois de Laura fazer algumas caretas engraçadas para Helena, as duas seguiram Melissa.
Ao entrar no escritório, viram Albert sentado em sua cadeira com um sorriso no rosto e mais três costureiras na frente de sua mesa.
— Entrem, preciso falar uma coisa com vocês cinco — falou Albert, fazendo um gesto para elas entrarem.
Quando as três entraram, Melissa ficou ao lado do gerente e as outras duas foram junto das costureiras e esperaram pacientemente Albert começar a falar.
— Acredito que algumas de vocês já sabem o motivo de serem chamadas aqui — Albert começou a falar calmamente. Albert era um homem de meia idade com cabelos grisalhos e uma voz gentil. Ele tratava as funcionárias como sua própria família, assim, todos o respeitavam.
— A nova temporada de moda vai começar em alguns meses e a filial principal pediu para selecionarmos cinco costureiras para irem trabalhar com eles na capital. Então, eu escolhi as minhas cinco melhores funcionárias — ele falou, demonstrando muito orgulho. — Mas no final a decisão é de vocês, se aceitam ou não o novo trabalho. O que me dizem?
A primeira a falar foi Clara. Ela tinha 25 anos, cabelos castanhos e olhos cor de mel. Tinha aprendido a profissão com a mãe e tinha muito orgulho de seguir os passos dela. Fez administração para abrir sua própria confecção na ilha, mas quando surgiu a possibilidade de trabalhar em uma empresa tão grande, adiou seus sonhos em busca de mais experiência no ramo.
— Posso me mudar imediatamente, senhor — ela falou, determinada.
Todas as outras também demonstraram sua vontade de aceitar o convite e Albert ficou muito feliz por elas, já que era uma oportunidade de ouro.
Depois de ouvir suas respostas, Albert finalmente falou:
— Eu entendo que algumas de vocês têm família e também sei que não é tão fácil encontrar uma casa ou apartamento para alugar tão rápido, então vocês terão duas semanas para se prepararem... Bem, agora que já está tudo resolvido, podem resolver os problemas menores com a secretária Melissa.
Elas já estavam saindo para a sala da secretaria quando, de repente, entrou na sala uma mulher alta e loira, de olhos azuis. O nome dela era Angela, uma das costureiras, e suas habilidades eram no máximo suficientes para o trabalho, porém, o ego dela a fazia achar que era muito melhor que todas as outras.
— O que deseja, Angela? — Melissa quebrou o silêncio.
Angela estava um pouco pálida depois de ver a situação, mas ignorou e continuou:
— Eu soube que o Sr. Albert estava selecionando costureiras para a filial principal e tenho certeza de que minhas habilidades seriam boas e necessárias para trabalhar lá — ela falou de forma presunçosa.
— Desculpe, mas já escolhemos as costureiras — Melissa interrompeu friamente.
Angela, ainda atordoada, olhou para os outros e viu Alice abraçada com Laura, ainda comemorando, alheias à presença dela. Como não queria perder a oportunidade, ela apenas apontou para Alice e zombou:
— Eu sou bem melhor que Alice. Por que você não dá a vaga dela para mim? Sem contar que ela tem dois filhos, como poderia ser boa para o trabalho? Ela apenas mancharia o nome da nossa filial.
O sorriso de Alice congelou, mas antes que ela pudesse dizer algo, Laura pulou na sua frente e falou friamente:
— Eu também tenho dois filhos. Você está dizendo que eu não sou boa o suficiente para trabalhar só por causa disso? Que mentalidade mais ultrapassada a sua.
— Isso mesmo, também tenho um filho e sou perfeitamente capaz — Erika também falou em defesa de Alice.
— Eu e Clara ainda não temos filhos, mas ajudamos nas despesas de casa. Não vemos problema algum nisso. Não seja invejosa — completou Julieta.
Angela ficou azul de raiva e saiu batendo a porta atrás de si, sem se preocupar com a opinião de quem estava presente. Todos estavam chocados com a reação da mulher, mas não deram muita importância.
— Desculpe, senhor Albert. Eu não sabia que Angela desejava a vaga, porém, ela não tem as qualificações necessárias — falou Melissa, desconfortável. Albert, por outro lado, conhecia bem Angela, pois ela sempre o abordava, até mesmo fora do trabalho, tentando conseguir uma promoção.
— Não se preocupe — confortou Albert. — Cuidarei dela devidamente mais tarde.
Falando isso, ele se levantou para tomar uma xícara de café, e Melissa levou todas para sua sala para tirarem algumas dúvidas sobre a mudança, o que levou um certo tempo. Depois, todas foram instruídas a passar no RH para resolver as burocracias da transferência.
Antes de passar no RH, todas foram almoçar em um restaurante próximo para comemorar. Suas expressões de felicidade eram contagiantes e elas conversavam animadamente sobre as mudanças que precisariam fazer. Seriam duas semanas bem cansativas, mas isso não diminuía em nada a animação delas.
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Atualizado até capítulo 42
Comments
Erlete Rodrigues
outra peçonhenta 🪱 infelizmente o mundo está cheio dela
2025-02-15
2
Alice Santos
Sempre tem uma invejosa na felicidade 😂😤
2025-01-04
2
Maria do Socorro Medeiros Silva
a inveja mata AFFF
2025-01-03
1